Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — Quadrix 2024
Medicina›Otorrinolaringologia
Código
qg355267
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Cirurgia de Cabeça e Pescoço
Com relação à perda auditiva induzida por ruído, é correto afirmar que o(a)
Arisco auditivo é classicamente considerado negligenciável para uma exposição sonora cotidiana que não passa de 95 dB.
Bsurdez é perceptiva, pura, de tipo neural, simétrica.
Csurdez não é evolutiva por si só, após cessação definitiva da exposição ao ruído.
Dsurdez começa nas frequências médias, entre 2.000 kHz e 4.000 kHz, e predomina sobre essas frequências antes de se estender para as frequências vizinhas.
Erisco da surdez profissional não aumenta com a idade, mas a idade é, muitas vezes, correlacionada fortemente à duração da exposição.
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GabaritoC — surdez não é evolutiva por si só, após cessação definitiva da exposição ao ruído.
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Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR)
Gabarito: letra C. A perda auditiva induzida por ruído (PAIR) é uma surdez neurossensorial, geralmente bilateral e simétrica, que se inicia nas altas frequências (3.000 a 6.000 Hz, com entalhe típico em 4.000 Hz) e, uma vez cessada a exposição ao ruído, não evolui por si só — essa é a característica que a alternativa C corretamente descreve. As demais alternativas erram ao afirmar que o risco é negligenciável em 95 dB, que a surdez é de tipo neural (quando é coclear/sensorial), que começa em frequências médias de 2.000 a 4.000 kHz (quando começa em altas frequências) ou que o risco não aumenta com a idade (quando a idade é um fator que potencializa o dano).
A PAIR é uma doença ocupacional clássica, resultante da exposição prolongada a níveis de pressão sonora elevados. Para compreendê-la, é essencial distinguir os dois grandes grupos de perda auditiva: a condutiva (problema na orelha externa ou média, que impede a transmissão do som até a cóclea) e a neurossensorial (lesão na cóclea — porção sensorial — ou no nervo auditivo — porção neural). A PAIR é uma perda neurossensorial de origem coclear (sensorial), não neural. Isso significa que a lesão se dá nas células ciliadas externas da cóclea, na região que codifica as frequências agudas (altas). Por isso, o dano começa nas frequências de 3.000 a 6.000 Hz, com um entalhe audiométrico característico em 4.000 Hz, e só depois, com a progressão da exposição, estende-se para as frequências vizinhas (mais graves e mais agudas).
A evolução da PAIR é diretamente proporcional à intensidade do ruído, ao tempo de exposição e à susceptibilidade individual. Enquanto a exposição continua, a perda tende a piorar. No entanto, uma característica fundamental — e que a banca explora — é que, após a cessação definitiva da exposição ao ruído, a perda auditiva não evolui por si só. Ou seja, ela não é progressiva como uma doença degenerativa; ela se estabiliza no nível em que se encontra quando o trabalhador é afastado do agente nocivo. Isso não significa que não possa haver piora por outros fatores (como a presbiacusia, que é a perda auditiva relacionada ao envelhecimento), mas a PAIR em si, uma vez cessado o ruído, não progride.
A idade, por sua vez, é um fator que aumenta o risco da surdez profissional. O envelhecimento natural do sistema auditivo (presbiacusia) soma-se ao dano causado pelo ruído, de modo que, para uma mesma exposição, o trabalhador mais velho tende a apresentar maior perda auditiva. Além disso, a idade está correlacionada à duração da exposição: quanto mais velho o trabalhador, maior a chance de ter acumulado mais anos de exposição ao ruído. A alternativa E inverte essa relação ao afirmar que o risco não aumenta com a idade.
A alternativa A também está incorreta, pois o risco auditivo não é negligenciável em 95 dB. A legislação brasileira (NR-15, Anexo I) estabelece que o limite de tolerância para ruído contínuo ou intermitente é de 85 dB(A) para uma jornada de 8 horas, com um fator de dobra de 5 dB — ou seja, para cada aumento de 5 dB, o tempo máximo de exposição diária permitido é reduzido pela metade. Assim, 95 dB(A) já representa um nível de risco significativo, com tempo máximo de exposição permitido de apenas 2 horas por dia. A alternativa D, por sua vez, erra ao afirmar que a surdez começa nas frequências médias entre 2.000 e 4.000 kHz — na verdade, começa nas altas frequências (3.000 a 6.000 Hz), e a unidade correta é Hz, não kHz (4.000 kHz seria 4.000.000 Hz, uma frequência inaudível).
Guarde a fronteira entre os dois conceitos que separam as alternativas: a PAIR é coclear (sensorial), não neural, e começa nas altas frequências, não nas médias — é exatamente nesses dois pontos que as alternativas B e D tentam confundir o candidato.
PAIR: Características (Neurossensorial coclear (sensorial), Bilateral e simétrica, Começa em altas frequências (3.000–6.000 Hz), Entalhe em 4.000 Hz, Não evolui após cessar exposição); Fatores de risco (Intensidade do ruído, Tempo de exposição, Susceptibilidade individual, Idade (soma-se à presbiacusia)); Limite de tolerância (NR-15) (85 dB(A) por 8h, Fator de dobra de 5 dB, 95 dB(A) → máx. 2h/dia)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o risco auditivo é negligenciável para exposição cotidiana que não passa de 95 dB. Isso é falso: 95 dB(A) já é um nível de pressão sonora que exige controle, pois o limite de tolerância para 8 horas de exposição é de 85 dB(A). Com o fator de dobra de 5 dB, a 95 dB(A) o tempo máximo de exposição diária permitido é de apenas 2 horas. Portanto, o risco não é negligenciável — é um nível que já demanda medidas de proteção.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A surdez induzida por ruído é perceptiva (neurossensorial), mas é de tipo coclear (sensorial), não neural. A lesão ocorre nas células ciliadas externas da cóclea, e não no nervo auditivo. A alternativa troca o tipo de lesão, o que é um erro conceitual clássico. A PAIR é simétrica e bilateral, mas o tipo é sensorial, não neural.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A PAIR não é evolutiva por si só após a cessação definitiva da exposição ao ruído. Essa é uma característica fundamental da doença: uma vez afastado o agente causal, a perda auditiva se estabiliza. Isso a distingue de outras causas de perda auditiva neurossensorial que podem progredir mesmo sem exposição contínua ao agente. A alternativa está correta ao afirmar exatamente isso.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A surdez começa nas altas frequências, tipicamente entre 3.000 e 6.000 Hz, com um entalhe audiométrico em 4.000 Hz, e não nas frequências médias entre 2.000 e 4.000 kHz. Além do erro na faixa de frequência, há um erro de unidade: kHz (quilohertz) é mil vezes maior que Hz, e 4.000 kHz seria uma frequência inaudível. A PAIR predomina nas altas frequências antes de se estender para as frequências vizinhas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O risco da surdez profissional aumenta com a idade, pois a presbiacusia (perda auditiva relacionada ao envelhecimento) se soma ao dano causado pelo ruído. A alternativa inverte essa relação ao afirmar que o risco não aumenta com a idade. A segunda parte da frase, sobre a correlação entre idade e duração da exposição, é verdadeira, mas a primeira parte torna a alternativa incorreta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os tipos de perda auditiva e as frequências afetadas. Na alternativa B, troca "coclear/sensorial" por "neural"; na D, troca "altas frequências (3.000–6.000 Hz)" por "frequências médias (2.000–4.000 kHz)". Na prova, lembre-se: PAIR é sensorial e começa nas altas frequências — esses são os dois pontos que a banca adora inverter. 💪
PEGA ESSA DICA!
Para fixar as características da PAIR, monte um quadro mental: bilateral, simétrica, neurossensorial coclear, começa em 4.000 Hz, não evolui após cessar a exposição, e o risco aumenta com a idade. Compare com a presbiacusia (perda bilateral simétrica, mas que começa nas altas frequências e é progressiva com a idade, sem relação com ruído).