Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — Quadrix 2024
Medicina›Otorrinolaringologia
Código
qg355268
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Cirurgia de Cabeça e Pescoço
Um paciente de 45 anos de idade, diabético, com história de otalgia há 15 dias, compareceu à consulta médica. Ele evoluiu com dor retroauricular, na região abaixo da mastoide e torcicolo ao exame clínico. Apresentou um aumento de volume na região da inserção superior do músculo esternocleidomastoideo, apagando a depressão retromandibular ou ao longo de seu trajeto, doloroso à palpação.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa correta.
AProvavelmente, é um abscesso de Bezold, que decorre da ruptura da cortical da ponta da mastoide ao nível da ranhura digástrica, numa mastoide bem pneumatizada.
BProvavelmente, é um quadro de petrosite, que é a extensão do processo infeccioso da orelha média para as células do ápice petroso.
CApesar da vacinação, Haemophilus influenzae continua sendo o mais frequente nas complicações das OMAs.
DNas complicações das OMAs, os agentes mais encontrados são Pseudomonas aeruginosa.
EAs complicações intracranianas são duas vezes mais frequentes que as complicações extracranianas.
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GabaritoA — Provavelmente, é um abscesso de Bezold, que decorre da ruptura da cortical da ponta da mastoide ao nível da ranhura digástrica, numa mastoide bem pneumatizada.
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Abscesso de Bezold: complicação extracraniana da otite média aguda
Gabarito: letra A. O quadro descrito — otalgia prolongada em diabético, dor retroauricular, torcicolo e aumento de volume doloroso na inserção superior do esternocleidomastoideo, apagando a depressão retromandibular — é a apresentação clássica do abscesso de Bezold, que ocorre quando a supuração da mastoide rompe a cortical da ponta, ao nível da ranhura digástrica, e extravasa para o pescoço, em geral em mastoides bem pneumatizadas. As demais alternativas erram ao trocar o diagnóstico (petrosite), a etiologia bacteriana mais frequente e a proporção entre complicações intracranianas e extracranianas.
O abscesso de Bezold é uma complicação extracraniana da otite média aguda (OMA) e da mastoidite. Para entender o mecanismo, é preciso lembrar que a mastoide é um osso pneumatizado, com células aéreas que se comunicam com a orelha média. Quando a OMA evolui com obstrução da drenagem e infecção persistente, o processo inflamatório pode se estender ao periósteo e ao osso, levando à mastoidite coalescente. Se a infecção destrói a cortical óssea na ponta da mastoide — região anatomicamente relacionada à ranhura digástrica e à inserção do músculo esternocleidomastoideo —, o pus extravasa para os planos profundos do pescoço, formando o abscesso de Bezold. Esse trajeto explica os sinais clínicos: o aumento de volume na região da inserção superior do esternocleidomastoideo, o apagamento da depressão retromandibular e o torcicolo (contratura muscular antálgica). A condição é mais comum em mastoides bem pneumatizadas, pois há maior quantidade de células aéreas e, portanto, maior superfície para a erosão cortical.
O diagnóstico é essencialmente clínico, mas a tomografia computadorizada de osso temporal e pescoço confirma a coleção e delimita a extensão. O tratamento envolve antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro e drenagem cirúrgica do abscesso, geralmente com mastoidectomia. Em pacientes diabéticos, como o do enunciado, a evolução pode ser mais agressiva e a resposta ao tratamento mais lenta, o que reforça a necessidade de suspeição precoce.
É importante distinguir o abscesso de Bezold de outras complicações da OMA. A petrosite (alternativa B) é a extensão da infecção para o ápice petroso, manifestando-se com a tríade de Gradenigo (otalgia profunda, paralisia do VI par craniano e otorreia). O abscesso extradural, o empiema subdural, a meningite e o abscesso cerebral são complicações intracranianas, com quadros neurológicos. A distinção é fundamental porque o manejo e a urgência diferem.
Quanto à etiologia, a alternativa C erra ao afirmar que o Haemophilus influenzae é o agente mais frequente nas complicações das OMAs. Embora seja um patógeno importante na OMA, especialmente em crianças, o Streptococcus pneumoniae é o agente mais comumente isolado nas complicações, seguido por outros estreptococos e anaeróbios. A alternativa D também erra ao apontar a Pseudomonas aeruginosa como o agente mais encontrado: ela é mais associada à otite média crônica supurativa e à otite externa maligna, não às complicações agudas da OMA. Por fim, a alternativa E inverte a proporção: as complicações extracranianas são mais frequentes que as intracranianas, não o contrário.
Guarde a tríade que decide a questão: (1) o diagnóstico é abscesso de Bezold pela localização típica na ponta da mastoide e no trajeto do esternocleidomastoideo; (2) a etiologia predominante é o pneumococo, não o Haemophilus nem a Pseudomonas; (3) as complicações extracranianas superam as intracranianas em frequência. É exatamente nesses três pontos que as alternativas se dividem.
Complicações da OMA
1Extracranianas (mais frequentes)
Abscesso de Bezold
Ruptura da cortical da ponta da mastoide
Ranhura digástrica
Mastoide bem pneumatizada
Sinais
torcicolo, apagamento da depressão retromandibular
Petrosite
Ápice petroso
Tríade de Gradenigo
2Intracranianas (menos frequentes)
Meningite
Abscesso cerebral
Empiema subdural
3Etiologia predominante
Streptococcus pneumoniae
Não é Haemophilus influenzae
Não é Pseudomonas aeruginosa
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve com precisão o abscesso de Bezold: ruptura da cortical da ponta da mastoide ao nível da ranhura digástrica, em mastoide bem pneumatizada. O quadro clínico do enunciado — aumento de volume na inserção superior do esternocleidomastoideo, apagamento da depressão retromandibular, dor retroauricular e torcicolo — é a tradução clínica exata desse mecanismo. A pneumatização extensa da mastoide é um fator predisponente, pois oferece maior superfície de células aéreas para a erosão e o extravasamento do pus para o pescoço.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A petrosite é uma complicação distinta: a infecção se estende da orelha média para as células do ápice petroso, e não para a ponta da mastoide. O quadro clínico típico é a tríade de Gradenigo (otalgia profunda, paralisia do nervo abducente e otorreia), que não está presente no enunciado. A alternativa confunde duas complicações extracranianas com mecanismos e apresentações diferentes.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O Haemophilus influenzae não é o agente mais frequente nas complicações das OMAs. O Streptococcus pneumoniae é o patógeno predominante nas complicações supurativas da OMA, incluindo mastoidite e abscessos. O Haemophilus é um agente importante na OMA não complicada, especialmente em crianças, mas não lidera o espectro das complicações. A alternativa troca o agente etiológico mais comum.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A Pseudomonas aeruginosa não é o agente mais encontrado nas complicações das OMAs. Ela é mais característica da otite média crônica supurativa e da otite externa maligna, especialmente em diabéticos e imunocomprometidos. Nas complicações agudas da OMA, o pneumococo e outros cocos gram-positivos predominam. A alternativa atribui à Pseudomonas um papel que ela não tem nesse contexto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa inverte a realidade epidemiológica: as complicações extracranianas são mais frequentes que as intracranianas nas OMAs. As complicações intracranianas (meningite, abscesso cerebral, empiema subdural, trombose de seio venoso) são graves, porém menos comuns. A afirmação de que as intracranianas são duas vezes mais frequentes é falsa.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora três trocas clássicas neste tema: (1) substitui o abscesso de Bezold pela petrosite, que tem mecanismo e quadro clínico diferentes; (2) troca o agente etiológico predominante das complicações (pneumococo) pelo Haemophilus ou pela Pseudomonas, que têm outros contextos; (3) inverte a proporção entre complicações intracranianas e extracranianas. Ao reconhecer o padrão clínico do abscesso de Bezold e lembrar que o pneumococo lidera as complicações agudas, você elimina as demais alternativas com segurança.