Questão de Medicina — Envenenamentos e Acidentes — Quadrix 2024
Medicina›Envenenamentos e Acidentes
Código
qg355271
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Cirurgia de Cabeça e Pescoço
Quais dessas possibilidades podem ser realizadas durante a enterectomia com anastomose primária no tratamento da lesão por arma de fogo no intestino delgadoI Anastomose término‑terminal plano único total com pontos simples separados utilizando fio de Vicryl 3.0II Anastomose término‑terminal em dois planos com ponto contínuo subtotal utilizando fio de Vicryl 3.0 e ponto contínuo seromuscular utilizando fio Prolene 3.0III Anastomose término‑terminal plano único total com ponto contínuo utilizando fio de Vicryl 3.0IV Anastomose término‑terminal em dois planos com pontos simples separados subtotal utilizando fio de Vicryl 3.0 e pontos seromuscular também simples separados utilizando fio Prolene 3.0V Anastomose mecânica latero‑lateral sem sutura de reforço
ASomente as alternativas I e III
BSomente as alternativas II e IV
CSomente as alternativas I, II, III e IV
DSomente a alternativa I
ETodas
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GabaritoE — Todas
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Enterectomia com Anastomose Primária no Trauma de Intestino Delgado
Gabarito: letra E. Todas as possibilidades (I, II, III, IV e V) podem ser realizadas durante a enterectomia com anastomose primária no tratamento da lesão por arma de fogo no intestino delgado. A cirurgia de trauma abdominal exige versatilidade técnica, e todas as variações de anastomose descritas — término-terminal em plano único ou duplo, com sutura contínua ou pontos separados, manual ou mecânica — são aceitáveis, desde que respeitem os princípios de boa vascularização, ausência de tensão e tecido viável.
A enterectomia com anastomose primária é o procedimento de escolha na maioria das lesões traumáticas do intestino delgado, incluindo as causadas por arma de fogo. O objetivo é ressecar o segmento lesado e restaurar a continuidade do trânsito intestinal. A decisão sobre a técnica anastomótica — manual ou mecânica, em um ou dois planos, com fio absorvível ou inabsorvível — depende da preferência do cirurgião, da extensão da lesão, da estabilidade hemodinâmica do paciente e da presença de contaminação peritoneal. Não há evidência robusta que demonstre superioridade de uma técnica sobre a outra em termos de complicações, como fístula ou deiscência, desde que os princípios básicos sejam seguidos.
Na prática, a anastomose término-terminal é a mais comum, podendo ser confeccionada em plano único total (envolvendo todas as camadas da parede intestinal) ou em dois planos (um plano subtotal, que inclui a mucosa e a submucosa, e outro seromuscular). O fio utilizado pode ser absorvível sintético, como o Vicryl (poliglactina 910), ou inabsorvível, como o Prolene (polipropileno), tanto em sutura contínua quanto em pontos separados. A anastomose mecânica, com grampeadores, também é amplamente utilizada, especialmente na forma látero-lateral, e não requer obrigatoriamente sutura de reforço, embora alguns cirurgiões a realizem por preferência pessoal.
A escolha entre as técnicas não altera o prognóstico quando os princípios de uma boa anastomose são respeitados: boa vascularização das bordas, ausência de tensão, tecido viável e hemostasia adequada. A contaminação peritoneal, comum em lesões por arma de fogo, não contraindica a anastomose primária, desde que o paciente esteja hemodinamicamente estável e o segmento ressecado seja bem vascularizado. A literatura atual não mostra diferença significativa nas taxas de fístula ou deiscência entre anastomose manual e mecânica, nem entre plano único e duplo.
A pegadinha desta questão é levar o candidato a acreditar que alguma das técnicas descritas seria inadequada ou contraindicada, quando na verdade todas são opções válidas e utilizadas na prática cirúrgica. A banca testa o conhecimento de que não há uma única técnica padronizada, mas sim um leque de possibilidades aceitáveis, desde que os princípios cirúrgicos sejam seguidos. O candidato que memoriza uma única técnica como "a correta" pode ser induzido a marcar uma alternativa que exclui alguma das variações.
Guarde o critério decisivo: a questão não pergunta qual é a melhor técnica, mas quais podem ser realizadas. Todas as variações descritas são tecnicamente possíveis e aceitas na prática, o que torna a alternativa E a correta.
1Boa vascularização
2Ausência de tensão
3Tecido viável
4Hemostasia adequada
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que somente as alternativas I e III podem ser realizadas. O erro está em excluir as demais possibilidades (II, IV e V), que também são tecnicamente válidas. A anastomose em dois planos (II e IV) e a mecânica látero-lateral (V) são opções consagradas na cirurgia de trauma, não havendo contraindicação para seu uso.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que somente as alternativas II e IV podem ser realizadas. O erro está em excluir as possibilidades I, III e V. A anastomose em plano único total (I e III) é amplamente utilizada, e a anastomose mecânica (V) também é uma opção válida. Não há fundamento técnico para restringir as opções a apenas duas.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que somente as alternativas I, II, III e IV podem ser realizadas. O erro está em excluir a alternativa V (anastomose mecânica látero-lateral sem sutura de reforço), que é uma técnica perfeitamente aceitável e frequentemente utilizada no trauma intestinal. A exclusão da anastomose mecânica não se justifica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que somente a alternativa I pode ser realizada. O erro é ainda mais restritivo, excluindo todas as outras variações. A anastomose em plano único total com pontos separados (I) é uma opção, mas não a única. As demais técnicas (II, III, IV e V) também são válidas e utilizadas na prática.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Todas as possibilidades (I, II, III, IV e V) podem ser realizadas. A questão testa o conhecimento de que não há uma única técnica padronizada para a anastomose intestinal no trauma. Todas as variações descritas — término-terminal em plano único ou duplo, com sutura contínua ou pontos separados, manual ou mecânica — são opções aceitáveis, desde que respeitados os princípios de boa vascularização, ausência de tensão e tecido viável. A alternativa E é a única que contempla todas as possibilidades.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, desconfie de alternativas que restringem as opções a uma ou duas técnicas. No trauma intestinal, a regra é a versatilidade: todas as variações de anastomose são aceitáveis, desde que os princípios básicos sejam seguidos. Memorize os princípios (vascularização, tensão, viabilidade) e não as técnicas específicas.