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Questão de Medicina — Traumas — Quadrix 2024

MedicinaTraumas
Código
qg355275
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Cirurgia de Cabeça e Pescoço
Acerca da lesão diafragmática no trauma, assinale a alternativa correta.
  1. ARupturas diafragmáticas por trauma contuso são mais comuns do lado direito.
  2. BTomografia computadorizada é o padrão ouro para diagnosticar lesões diafragmáticas pequenas do lado direito.
  3. CEndoscopia digestiva alta está indicada nos casos de suspeita de ruptura diafragmática com conteúdo gástrico.
  4. DLesões diafragmáticas só precisam ser suturas do lado esquerdo, porque, do lado direito, o fígado protege contra uma possível hérnia.
  5. ERaio X de tórax, após a passagem da sonda nasogástrica, pode ser útil para detectar ruptura diafragmática com conteúdo gástrico.
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GabaritoE — Raio X de tórax, após a passagem da sonda nasogástrica, pode ser útil para detectar ruptura diafragmática com conteúdo gástrico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Lesão diafragmática no trauma

Gabarito: letra E. A radiografia de tórax após a passagem da sonda nasogástrica (SNG) é um recurso útil para detectar a ruptura diafragmática quando há conteúdo gástrico herniado, pois a sonda marca o trajeto do estômago e evidencia sua posição intratorácica. As demais alternativas contêm erros conceituais: a ruptura contusa é mais comum à esquerda, a TC não é o padrão-ouro para lesões pequenas à direita, a endoscopia não é o exame indicado e a sutura é necessária em ambos os lados.

A lesão diafragmática é uma condição grave e frequentemente subdiagnosticada no trauma. O diafragma é o principal músculo da respiração e separa as cavidades torácica e abdominal. Quando se rompe, as vísceras abdominais podem herniar para o tórax, comprometendo a ventilação e o retorno venoso. O mecanismo de trauma pode ser contuso (fechado) ou penetrante (aberto). No trauma contuso, o aumento súbito da pressão intra-abdominal — como numa desaceleração brusca ou impacto — pode romper o diafragma, geralmente em padrão estrelado e extenso. No trauma penetrante, a lesão é causada por arma de fogo ou arma branca, podendo ser pequena e inicialmente assintomática.

A lateralidade é um ponto crucial. A ruptura diafragmática é muito mais comum do lado esquerdo do que do lado direito. Isso ocorre por dois motivos principais: o fígado, localizado no hipocôndrio direito, atua como uma barreira física que protege o diafragma direito de lesões externas e também dificulta a herniação das vísceras; e, do lado esquerdo, o estômago e o cólon podem herniar com mais facilidade. Essa diferença anatômica explica por que a ruptura à esquerda é mais facilmente diagnosticada — inclusive pela radiografia de tórax, que pode mostrar a alça gástrica ou intestinal no hemitórax esquerdo.

O diagnóstico por imagem tem particularidades. A radiografia de tórax é o exame inicial e pode mostrar sinais indiretos, como elevação do hemidiafragma, opacidade na base pulmonar ou a presença de víscera oca no tórax. Um recurso simples e valioso é a passagem da sonda nasogástrica (SNG) antes da radiografia: se a sonda, que está dentro do estômago, aparecer acima do diafragma no exame, confirma-se a herniação gástrica para o tórax. A tomografia computadorizada (TC) é um excelente método para avaliar o trauma torácico e abdominal, mas não é o padrão-ouro para diagnosticar lesões diafragmáticas pequenas, especialmente do lado direito, onde a interface com o fígado dificulta a visualização. A ressonância magnética e a videolaparoscopia/videotoracoscopia são opções mais sensíveis em casos duvidosos.

O tratamento é cirúrgico, com sutura da lesão, independentemente do lado. A afirmação de que "só precisam ser suturadas do lado esquerdo" é um erro grave: toda lesão diafragmática deve ser reparada, pois o risco de herniação e estrangulamento de vísceras existe em ambos os lados, mesmo que o fígado ofereça alguma proteção ao lado direito. A endoscopia digestiva alta (EDA) não tem papel no diagnóstico da ruptura diafragmática; ela é indicada para lesões do trato gastrointestinal superior, não para avaliar o diafragma.

A pegadinha central desta questão é a lateralidade e o método diagnóstico. O candidato pode ser levado a pensar que a ruptura é mais comum à direita (por ser o lado do fígado, que "protegeria" menos) ou que a TC é sempre o padrão-ouro. Na verdade, a chave está em lembrar que o lado esquerdo é o mais acometido e que a radiografia com SNG é um recurso simples e útil no cenário de emergência. Guarde essa fronteira: lado esquerdo + radiografia com SNG é a combinação que resolve a questão.

Lesão diafragmática
  • 1Lateralidade
    • Esquerda (mais comum)
      • fígado não protege
      • estômago/cólon herniam
    • Direita (menos comum)
      • fígado protege
  • 2Diagnóstico
    • RX tórax com SNG
      • sonda acima do diafragma = hérnia
    • TC
      • não é padrão-ouro p/ lesões pequenas à direita
  • 3Tratamento
    • Sutura sempre
      • ambos os lados
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que as rupturas por trauma contuso são mais comuns do lado direito. Na realidade, são mais comuns do lado esquerdo, pois o fígado protege o lado direito, funcionando como uma barreira física contra a herniação e contra o próprio trauma externo. O erro é a inversão da lateralidade.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Diz que a TC é o padrão-ouro para diagnosticar lesões diafragmáticas pequenas do lado direito. A TC é um excelente método no trauma, mas não é o padrão-ouro para lesões pequenas, especialmente à direita, onde a proximidade com o fígado dificulta a detecção. Exames como a ressonância magnética ou a videolaparoscopia são mais sensíveis nesses casos. O erro está em superestimar o papel da TC para esse tipo específico de lesão.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Indica a endoscopia digestiva alta (EDA) para suspeita de ruptura diafragmática com conteúdo gástrico. A EDA avalia o esôfago, estômago e duodeno, mas não é o exame indicado para diagnosticar lesão diafragmática. O método correto é a radiografia de tórax (com SNG, se possível) ou a TC. A EDA não tem papel no diagnóstico dessa condição.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que as lesões diafragmáticas só precisam ser suturadas do lado esquerdo, porque o fígado protege o lado direito. Isso é um erro grave: toda lesão diafragmática deve ser suturada, independentemente do lado. Embora o fígado ofereça alguma proteção, o risco de herniação e complicações existe em ambos os lados. A sutura é obrigatória em qualquer ruptura do diafragma.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A radiografia de tórax após a passagem da sonda nasogástrica é um recurso útil para detectar a ruptura diafragmática com conteúdo gástrico. A SNG, posicionada no estômago, aparece na radiografia; se ela estiver acima do diafragma, confirma-se a herniação gástrica para o tórax. Esse é um sinal clássico e prático no atendimento ao trauma, especialmente do lado esquerdo, onde o estômago hernia com mais facilidade.

Gabarito: letra E

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