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Questão de Medicina — Doenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico — Quadrix 2024

MedicinaDoenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico
Código
qg355277
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Dor
Em relação à gota, assinale a alternativa incorreta.
  1. AA presença isolada de tofos ou litíase por urato, ainda que em hiperuricêmicos, por definição, não é considerada gota.
  2. BNo sexo feminino, a maior incidência situa‑se na faixa dos 55 a 75 anos de idade, uma vez que o estrógeno tem efeito uricosúrico.
  3. CA elevação dos níveis séricos de urato pode advir de uma produção excessiva no fígado, ou de uma redução na excreção renal, que ocorre na minoria dos casos.
  4. DNo tratamento da crise aguda inflamatória de gota, é importante orientar o paciente a não interromper o uso da medicação uricorredutora, caso esteja utilizando‑a.
  5. EO início de drogas uricorredutoras – alopurinol –, inibidor competitivo da enzima xantina oxidase, e da benzbromarona, não deve ocorrer durante uma crise aguda de gota. As doses dessas drogas devem ser inicialmente baixas e escalonarem até atingir o alvo terapêutico, com correção para função renal.
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GabaritoC — A elevação dos níveis séricos de urato pode advir de uma produção excessiva no fígado, ou de uma redução na excreção renal, que ocorre na minoria dos casos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Gota: fisiopatologia, epidemiologia e tratamento

Gabarito: letra C. A alternativa incorreta afirma que a redução da excreção renal de urato ocorre na minoria dos casos, quando, na realidade, a excreção renal diminuída é a causa mais comum de hiperuricemia (cerca de 90% dos casos), enquanto a produção excessiva responde por apenas 10%. As demais alternativas estão corretas quanto à definição de gota, à epidemiologia feminina, à conduta na crise aguda e ao escalonamento das drogas uricorredutoras.

A gota é uma artropatia inflamatória causada pela deposição de cristais de urato monossódico em articulações e tecidos, decorrente de hiperuricemia sustentada. A hiperuricemia, por sua vez, pode ter duas origens fisiopatológicas principais: produção excessiva de ácido úrico (responsável por cerca de 10% dos casos) ou excreção renal reduzida (responsável por cerca de 90% dos casos). Essa inversão de proporções é o ponto central da questão: a banca troca a frequência, afirmando que a redução da excreção renal ocorre na minoria, quando é exatamente o contrário.

A definição de gota exige a presença de cristais de urato monossódico no líquido sinovial ou em tofos, ou a combinação de hiperuricemia com artrite aguda típica (podagra, monoartrite de membro inferior). A simples presença de tofos ou litíase renal por urato, mesmo em hiperuricêmicos, não é suficiente para o diagnóstico de gota, pois essas manifestações podem ocorrer sem a artrite gotosa clássica. Essa distinção é cobrada na alternativa A.

No sexo feminino, a gota é rara antes da menopausa, pois o estrógeno tem efeito uricosúrico (aumenta a excreção renal de urato). Após a menopausa, com a queda dos níveis estrogênicos, a incidência aumenta, concentrando-se na faixa dos 55 a 75 anos. Essa é a base da alternativa B.

No tratamento da crise aguda, a conduta correta é não interromper a medicação uricorredutora (alopurinol, benzbromarona) se o paciente já a utiliza, pois a descontinuação pode causar flutuação dos níveis séricos de urato e prolongar a crise. Além disso, o início de uricorredutores durante a crise aguda não é recomendado, pois a rápida redução do urato pode precipitar ou piorar a inflamação. Quando iniciados, devem ser em doses baixas, com escalonamento gradual e ajuste para função renal. Essas condutas estão corretas nas alternativas D e E.

A pegadinha da questão está na inversão das proporções entre produção excessiva e excreção reduzida. O candidato que memoriza que a hiperuricemia pode ter duas causas, mas não fixa a frequência de cada uma, tende a aceitar a afirmação da alternativa C como correta. A regra de ouro: excreção renal reduzida é a causa mais comum; produção excessiva é a minoria.

Causa da hiperuricemia

Frequência real

Frequência citada na alternativa C

Excreção renal reduzida

~90% (maioria)

Minoria

Produção excessiva (fígado)

~10% (minoria)

Hiperuricemia
  • 1Produção excessiva (10%)
    • Síntese aumentada de purinas
    • Doenças mieloproliferativas
  • 2Excreção renal reduzida (90%)
    • Idiopática
    • Doença renal
    • Diuréticos
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Alternativa A — ✅ Correta

A alternativa afirma que a presença isolada de tofos ou litíase por urato, mesmo em hiperuricêmicos, não é considerada gota. Isso está correto: o diagnóstico de gota requer a presença de artrite (geralmente aguda e monoarticular) ou a demonstração de cristais de urato no líquido sinovial ou em tofos. Tofos e litíase são manifestações de hiperuricemia, mas não configuram gota por si só. A definição clássica de gota envolve a artrite gotosa, e a presença isolada de tofos ou litíase não preenche os critérios diagnósticos.

Alternativa B — ✅ Correta

A alternativa afirma que, no sexo feminino, a maior incidência de gota está na faixa dos 55 a 75 anos, pois o estrógeno tem efeito uricosúrico. Isso está correto: o estrógeno aumenta a excreção renal de urato, protegendo as mulheres pré-menopáusicas. Com a menopausa, a proteção desaparece e a incidência aumenta, concentrando-se nessa faixa etária. A tabela do material de apoio confirma que a gota é mais comum em homens acima de 30 anos, mas nas mulheres o pico é pós-menopausa.

Alternativa C — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que a elevação dos níveis séricos de urato pode advir de produção excessiva no fígado ou de redução na excreção renal, que ocorre na minoria dos casos. O erro está na proporção: a redução da excreção renal é a causa mais comum de hiperuricemia (cerca de 90% dos casos), enquanto a produção excessiva é a minoria (cerca de 10%). A banca inverteu a frequência, tornando a afirmação incorreta. A hiperuricemia por produção excessiva pode ocorrer por aumento da síntese de purinas ou por doenças mieloproliferativas, mas é menos frequente que a excreção renal diminuída, que pode ser idiopática ou secundária a doença renal, uso de diuréticos, etc.

Alternativa D — ✅ Correta

A alternativa afirma que, no tratamento da crise aguda, é importante orientar o paciente a não interromper o uso da medicação uricorredutora, caso esteja utilizando-a. Isso está correto: a descontinuação abrupta do alopurinol ou benzbromarona durante uma crise pode causar flutuação dos níveis de urato e prolongar a inflamação. A recomendação é manter a dose estável durante a crise e tratar a inflamação com anti-inflamatórios, colchicina ou corticoides.

Alternativa E — ✅ Correta

A alternativa afirma que o início de drogas uricorredutoras (alopurinol, inibidor da xantina oxidase, e benzbromarona) não deve ocorrer durante uma crise aguda de gota, e que as doses devem ser inicialmente baixas e escalonadas, com correção para função renal. Isso está correto: iniciar uricorredutores durante a crise pode precipitar ou piorar a inflamação pela rápida redução do urato sérico. Quando indicados, devem ser iniciados após a resolução da crise, em doses baixas, com escalonamento gradual e ajuste para função renal (especialmente o alopurinol, que se acumula em insuficiência renal).

Gabarito: letra C — a única alternativa incorreta, pois inverte a frequência das causas de hiperuricemia.

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