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Questão de Medicina — Neurologia — Quadrix 2024

MedicinaNeurologia
Código
qg355288
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Dor
Um paciente de 45 anos de idade foi vítima de acidente automobilístico de alto impacto, tendo apresentado traumatismo cranioencefálico. Durante o transporte realizado pelo SAMU, ele apresentou uma nítida piora do nível de consciência. O paciente deu entrada no pronto‑socorro inconsciente e foi avaliado com oito pontos na escala de coma de Glasgow. Os sinais vitais mostravam pressão arterial de 160/100 mmHg e frequência cardíaca de 55 batimentos por minuto. Ao exame de tomografia computadorizada cranioencefálica, havia edema cerebral difuso e sinais de desvio da linha mediana. Após intubação orotraqueal, foi solicitado ao plantonista intervenção de medidas urgentes no sentido de controlar a pressão intracraniana, enquanto aguardava a chegada do neurocirurgião.Com base nessa situação hipotética, no manejo inicial da pressão intracraniana, é recomendado
  1. Aadministrar solução salina hipertônica em associação com diuréticos de alça para reduzir o edema cerebral.
  2. Badministrar solução salina hipertônica ou mannitol para minimizar os efeitos do inchaço cerebral no sentido de aumentarem a osmalaridade cerebral e promoverem osmose de fluidos dos tecidos cerebrais para o espaço vascular.
  3. Cadministrar sedativos e realizar ventilação controlada hipercápnica para reduzir o fluxo sanguíneo cerebral.
  4. Dadministrar solução salina isotônica, aguardar nova tomografia de crânio e avaliação do especialista antes de medidas mais agressivas, evitando‑se uma injúria secundária.
  5. Eaumentar a pressão arterial média do paciente para otimizar a pressão de perfusão cerebral.
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GabaritoB — administrar solução salina hipertônica ou mannitol para minimizar os efeitos do inchaço cerebral no sentido de aumentarem a osmalaridade cerebral e promoverem osmose de fluidos dos tecidos cerebrais para o espaço vascular.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Manejo da Pressão Intracraniana no Traumatismo Cranioencefálico Grave

Gabarito: letra B. No manejo inicial da hipertensão intracraniana (HIC) no TCE grave, a administração de solução salina hipertônica ou manitol é a medida farmacológica de primeira linha, pois ambos atuam como agentes osmóticos, aumentando a osmolaridade plasmática e promovendo a saída de água do parênquima cerebral para o espaço intravascular, reduzindo o edema e o volume intracraniano. Essa conduta é preconizada pelas diretrizes do ATLS e pela literatura médica, sendo uma medida urgente e provisória enquanto se aguarda a avaliação neurocirúrgica.

O traumatismo cranioencefálico (TCE) grave é uma emergência médica em que o controle da pressão intracraniana (PIC) é crucial para evitar a lesão cerebral secundária. A lesão primária ocorre no momento do trauma e é irreversível; a lesão secundária, por sua vez, é causada por hipóxia, hipotensão, hipercapnia, hipertermia, hipoglicemia e, principalmente, pela hipertensão intracraniana, que compromete a pressão de perfusão cerebral (PPC). A PPC é calculada pela diferença entre a pressão arterial média (PAM) e a PIC (PPC = PAM − PIC). Quando a PIC aumenta, a PPC diminui, levando à isquemia cerebral. Por isso, o manejo agressivo da PIC é fundamental.

O paciente do caso apresenta sinais clássicos de hipertensão intracraniana: rebaixamento do nível de consciência (Glasgow 8), hipertensão arterial (160/100 mmHg) e bradicardia (55 bpm), configurando a tríade de Cushing, além de edema cerebral difuso e desvio de linha média na tomografia. Nesse cenário, medidas imediatas para reduzir a PIC devem ser instituídas, incluindo a elevação da cabeceira a 30–45°, manutenção da cabeça centrada, normocapnia (PaCO2 entre 35–40 mmHg), normoxemia (SatO2 > 92%), normotermia, normoglicemia e o uso de agentes osmóticos.

Os agentes osmóticos, como o manitol a 20% e a solução salina hipertônica (NaCl a 3% ou 7,5%), são a base do tratamento farmacológico da HIC. O manitol é um diurético osmótico que, ao ser infundido, aumenta a osmolaridade plasmática, criando um gradiente osmótico que retira água do tecido cerebral para o espaço vascular, reduzindo o volume intracraniano. A solução salina hipertônica age de forma semelhante, com a vantagem de expandir o volume intravascular e melhorar a perfusão cerebral, sendo particularmente útil em pacientes hipotensos. Ambas as medidas são provisórias e devem ser usadas enquanto se aguarda a tomografia e a avaliação neurocirúrgica.

A alternativa B está correta porque descreve exatamente o mecanismo de ação desses agentes: aumentar a osmolaridade cerebral (na verdade, a osmolaridade plasmática, que puxa água do cérebro) e promover osmose de fluidos dos tecidos cerebrais para o espaço vascular. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou condutas inadequadas, como veremos a seguir.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os mecanismos de ação dos agentes osmóticos e as condutas que pioram a PIC. A alternativa C, por exemplo, sugere hipercapnia, que é exatamente o oposto do recomendado — a hipercapnia causa vasodilatação cerebral e aumenta a PIC. Fique atento: a ventilação deve ser normocápnica ou, em casos de HIC refratária, hiperventilação leve (PaCO2 30–35 mmHg), nunca hipercápnica.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A associação de solução salina hipertônica com diuréticos de alça (como furosemida) não é a conduta de primeira linha no manejo da HIC. Embora a furosemida possa ser usada como adjuvante em alguns protocolos, ela não é recomendada rotineiramente e pode causar hipovolemia, hipotensão e hiponatremia, prejudicando a perfusão cerebral. O erro está em afirmar que essa associação é a recomendação inicial, quando o padrão é o uso isolado de agente osmótico (manitol ou salina hipertônica).

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A administração de solução salina hipertônica ou manitol é a medida farmacológica de primeira linha para reduzir a PIC no TCE grave. Ambos aumentam a osmolaridade plasmática, criando um gradiente que retira água do parênquima cerebral para o espaço intravascular, reduzindo o edema cerebral e o volume intracraniano. Essa é a conduta recomendada pelas diretrizes do ATLS e pela literatura médica, sendo uma medida urgente e provisória enquanto se aguarda a avaliação neurocirúrgica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A ventilação controlada hipercápnica é uma conduta ERRADA e perigosa. A hipercapnia (aumento da PaCO2) causa vasodilatação cerebral, aumentando o fluxo sanguíneo cerebral e, consequentemente, a PIC. O recomendado é manter a normocapnia (PaCO2 entre 35–40 mmHg) ou, em casos de HIC refratária, hiperventilação leve (PaCO2 30–35 mmHg) para causar vasoconstrição e reduzir a PIC. A sedação é indicada para reduzir o consumo cerebral de oxigênio, mas nunca associada à hipercapnia.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A conduta de administrar solução salina isotônica e aguardar nova tomografia antes de medidas agressivas é inadequada. O paciente apresenta sinais claros de HIC (tríade de Cushing, edema difuso, desvio de linha média) e necessita de intervenção imediata para reduzir a PIC. Aguardar passivamente pode levar a lesão cerebral secundária irreversível. A solução salina isotônica não tem efeito osmótico e não reduz o edema cerebral; a conduta correta é a administração de agente osmótico (manitol ou salina hipertônica) imediatamente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Aumentar a pressão arterial média (PAM) para otimizar a pressão de perfusão cerebral (PPC) é uma medida que pode ser considerada em alguns contextos, mas não é a recomendação inicial no manejo da HIC. No caso, o paciente já está hipertenso (PAM ~120 mmHg), e o foco deve ser a redução da PIC, não o aumento da PAM. Além disso, elevar a PAM sem controlar a PIC pode piorar o edema cerebral e o sangramento. A prioridade é o uso de agentes osmóticos e medidas para reduzir a PIC.

Gabarito: letra B

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