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Questão de Medicina — Neurologia — Quadrix 2024

MedicinaNeurologia
Código
qg355291
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Dor
Um homem, 44 anos de idade, apresenta-se com sobrepeso e trabalha como auxiliar de carga e descarga em uma empresa que realiza mudanças (faz uso de faixa para apoio lombar). O paciente alegou sentir dormência e dor em uma área bem delimitada na face anterolateral da coxa. Esses sintomas são exacerbados ao caminhar ou ao estender o quadril. Não há fraqueza no membro inferior.Com base nessa situação hipotética, trata‑se de um diagnóstico de
  1. Acompressão do nervo fibular (peroneal).
  2. Bmeralgia parestésica.
  3. Ccompressão do nervo obturatório.
  4. Dciatalgia.
  5. Eneuropatia periférica.
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GabaritoB — meralgia parestésica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Meralgia Parestésica: Diagnóstico Diferencial das Neuropatias do Membro Inferior

Gabarito: letra B. O quadro descrito — dormência e dor em área bem delimitada na face anterolateral da coxa, exacerbadas ao caminhar ou estender o quadril, sem fraqueza — é a apresentação clássica da meralgia parestésica, neuropatia por compressão do nervo cutâneo femoral lateral. O diagnóstico é essencialmente clínico, e a ausência de déficit motor é uma pista decisiva para diferenciá-la das demais neuropatias do membro inferior.

A meralgia parestésica é uma mononeuropatia sensitiva pura. O nervo cutâneo femoral lateral é um nervo exclusivamente sensitivo, originado do plexo lombar (L2-L3), que inerva a pele da face anterolateral da coxa. Ele é particularmente vulnerável à compressão no ponto em que passa sob o ligamento inguinal, próximo à espinha ilíaca ântero-superior. Os fatores de risco clássicos incluem obesidade/sobrepeso, uso de cintos apertados ou faixas de apoio lombar, gestação, diabetes e atividades que aumentam a pressão intra-abdominal. No caso apresentado, o paciente tem sobrepeso e usa faixa de apoio lombar — dois fatores que aumentam a pressão sobre o nervo nesse trajeto.

O sintoma cardinal é a parestesia (dormência, formigamento, queimação) em território bem delimitado na face anterolateral da coxa, frequentemente unilateral. A dor pode ser exacerbada por atividades que esticam o nervo, como caminhar ou estender o quadril (movimento que traciona o nervo sobre o ligamento inguinal). Como o nervo é puramente sensitivo, não há fraqueza motora — exatamente o que o enunciado descreve. O diagnóstico é clínico, e exames eletrodiagnósticos podem ser úteis em casos duvidosos, mas não são necessários na apresentação típica.

O principal diagnóstico diferencial é com outras neuropatias compressivas do membro inferior, que cursam com déficit motor e território sensitivo diferente. A tabela abaixo resume as diferenças-chave:

Critério

Meralgia parestésica

Neuropatia fibular

Neuropatia obturatória

Ciatalgia

Nervo

Cutâneo femoral lateral

Fibular comum

Obturatório

Ciático

Território sensitivo

Face anterolateral da coxa

Face anterolateral da perna e dorso do pé

Face medial da coxa

Face posterior da coxa, perna e pé

Déficit motor

Ausente (nervo sensitivo puro)

Pé caído (dorsiflexão e eversão)

Adução do quadril

Fraqueza distal (pé caído, etc.)

Exacerbação

Caminhar, estender o quadril

Cruzar pernas, agachamento

Movimentos de adução

Manobra de Valsalva, flexão do quadril

A pegadinha da banca está em trocar o território sensitivo e a presença de déficit motor. O candidato que decora apenas "dormência na coxa" pode confundir com ciatalgia, mas a ciatalgia tem dor irradiada para a perna e pé, frequentemente com fraqueza. A neuropatia fibular tem pé caído, e a obturatória tem fraqueza na adução. A meralgia é a única que se apresenta com parestesia pura em território bem delimitado na face anterolateral da coxa, sem fraqueza.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o território do nervo cutâneo femoral lateral (face anterolateral da coxa) e o do nervo fibular (face anterolateral da perna e dorso do pé). A presença de "pé caído" é o sinal que separa a neuropatia fibular da meralgia — na meralgia, não há déficit motor. Fique atento: a meralgia é sensitiva pura, e a ausência de fraqueza é a pista mais forte.

1Nervo cutâneo femoral lateral
Sensitivo puro (L2-L3)
Face anterolateral da coxa
2Fatores de risco
Sobrepeso/obesidade
Faixa/cinto apertado
Gestação, diabetes
3Sintomas
Dormência/dor delimitada
Exacerba ao caminhar/estender quadril
Sem fraqueza motora
Meralgia parestésica
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Meralgia parestésica: Nervo cutâneo femoral lateral (Sensitivo puro (L2-L3), Face anterolateral da coxa); Fatores de risco (Sobrepeso/obesidade, Faixa/cinto apertado, Gestação, diabetes); Sintomas (Dormência/dor delimitada, Exacerba ao caminhar/estender quadril, Sem fraqueza motora)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A compressão do nervo fibular (peroneal) causa pé caído, com fraqueza seletiva dos músculos dorsiflexores e eversores do tornozelo, além de perda sensitiva na face anterolateral da perna e dorso do pé. O enunciado descreve dormência na face anterolateral da coxa (não da perna) e sem fraqueza — o que exclui a neuropatia fibular. A banca troca o território sensitivo (coxa vs. perna) e ignora o déficit motor característico.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A meralgia parestésica é a compressão do nervo cutâneo femoral lateral, nervo sensitivo puro que inerva a face anterolateral da coxa. Os sintomas — dormência e dor em área bem delimitada, exacerbados ao caminhar ou estender o quadril, sem fraqueza — são a apresentação clássica. Os fatores de risco presentes no caso (sobrepeso e uso de faixa de apoio lombar) aumentam a pressão sobre o nervo no trajeto sob o ligamento inguinal. O diagnóstico é clínico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A compressão do nervo obturatório causa fraqueza na adução do quadril e dor/dormência na face medial da coxa. O enunciado descreve parestesia na face anterolateral e sem fraqueza — o que afasta a neuropatia obturatória. A banca troca o território sensitivo (medial vs. anterolateral) e ignora o déficit motor esperado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A ciatalgia (compressão do nervo ciático) causa dor irradiada ao longo da face posterior da coxa, perna e pé, frequentemente com fraqueza distal (pé caído) e pode ser exacerbada por manobra de Valsalva. O enunciado descreve parestesia em área bem delimitada na face anterolateral da coxa, sem fraqueza — o que não se encaixa na ciatalgia, que tem território mais amplo e frequentemente déficit motor. A banca troca o território (posterior vs. anterolateral) e a presença de fraqueza.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Neuropatia periférica é um termo genérico que engloba polineuropatias (como a diabética ou alcoólica), que cursam com sintomas distais e simétricos, geralmente em "luva e bota", com envolvimento sensitivo e motor. O caso descreve uma mononeuropatia focal, com território bem delimitado e sem fraqueza — o que aponta para uma compressão nervosa localizada, não para uma polineuropatia difusa. A banca usa o termo genérico para confundir o candidato que não reconhece o padrão específico.

Gabarito: letra B — meralgia parestésica, neuropatia sensitiva pura do nervo cutâneo femoral lateral, com parestesia em face anterolateral da coxa, exacerbada por caminhar/estender o quadril e sem déficit motor.

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