Questão de Medicina — Neurologia — Quadrix 2024
- Código
- qg355292
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- SES - SP
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Residente Médico - Especialidade: Dor
- Ahiperalgesia.
- Banestesia.
- Calodínia.
- Dhiperestesia.
- Eneuralgia.
GabaritoC — alodínia.
Gabarito: letra C. A alodínia é definida exatamente como a dor causada por um estímulo que normalmente não é doloroso (não álgico). As demais alternativas descrevem outros fenômenos da sensibilidade: hiperalgesia (resposta aumentada a estímulo doloroso), anestesia (ausência de sensibilidade), hiperestesia (sensibilidade aumentada a estímulos, inclusive não dolorosos) e neuralgia (dor no território de um nervo).
A dor é uma experiência sensorial e emocional complexa, e a terminologia que a descreve é precisa — cada termo designa um fenômeno específico. A questão cobra exatamente essa precisão: distinguir entre alterações da sensibilidade dolorosa e não dolorosa. A alodínia é um sinal clínico importante, frequentemente presente em dores neuropáticas (como na neuralgia pós-herpética) e em síndromes de dor crônica, como a síndrome complexa de dor regional (SDRC).
Para entender a diferença, é essencial separar os conceitos:
Alodínia: dor provocada por um estímulo que normalmente não é doloroso. Exemplo clássico: o toque de um pincel ou o contato da roupa na pele causa dor intensa em um paciente com neuropatia. O estímulo é inócuo (não álgico), mas a resposta é dolorosa.
Hiperalgesia: resposta aumentada a um estímulo que normalmente é doloroso. Ou seja, o estímulo já é doloroso, mas a percepção está exacerbada. Exemplo: uma picada de agulha (que já dói) provoca dor muito mais intensa do que o esperado.
Hiperestesia: sensibilidade aumentada a estímulos, incluindo os não dolorosos, mas sem que necessariamente haja dor — é uma percepção exagerada de qualquer estímulo sensorial.
Anestesia: ausência total de sensibilidade, incluindo a tátil e a dolorosa.
Neuralgia: dor que segue a distribuição de um nervo, geralmente de caráter paroxístico e lancinante, como na neuralgia do trigêmeo.
A distinção central entre alodínia e hiperalgesia está na natureza do estímulo: na alodínia, o estímulo é não doloroso; na hiperalgesia, o estímulo é doloroso, mas a resposta é desproporcional. Essa é a pegadinha clássica da banca: oferecer hiperalgesia como distrator, pois ambos são fenômenos de sensibilização, mas com estímulos diferentes.
Na prática clínica, a alodínia é um marcador importante de dor neuropática. Por exemplo, em um paciente com neuralgia pós-herpética, o simples ato de passar a mão sobre a pele (estímulo tátil leve) pode desencadear dor em queimação. Já a hiperalgesia é comum em processos inflamatórios, como uma queimadura solar, onde o toque leve já é doloroso, mas o estímulo em si (toque) não é normalmente doloroso — na verdade, isso é alodínia. A hiperalgesia seria, por exemplo, uma picada de agulha doer mais do que deveria.
Guarde a fronteira: alodínia = estímulo não doloroso → dor; hiperalgesia = estímulo doloroso → dor exacerbada. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
A hiperalgesia é o aumento da resposta a um estímulo que normalmente é doloroso. O estímulo já é álgico, mas a percepção está amplificada. A questão pede dor causada por estímulo não álgico, o que é o oposto. A banca troca o estímulo: na alodínia, o estímulo é inócuo; na hiperalgesia, o estímulo é nocivo.
A anestesia é a ausência de sensibilidade, incluindo a dolorosa. Não há dor, mas sim sua abolição. É o oposto do que a questão descreve.
A alodínia é exatamente a dor causada por um estímulo que normalmente não é doloroso (não álgico). É um fenômeno de sensibilização central e periférica, comum em dores neuropáticas e na síndrome complexa de dor regional. O termo vem do grego allos (outro) + odyne (dor), ou seja, "outra dor" — dor provocada por algo que não deveria doer.
A hiperestesia é a sensibilidade aumentada a estímulos, incluindo os não dolorosos, mas não implica necessariamente dor. É uma percepção exagerada de qualquer estímulo sensorial (tátil, térmico, etc.), enquanto a alodínia é especificamente a percepção dolorosa de um estímulo não doloroso. A hiperestesia é um termo mais amplo; a alodínia é um tipo específico de resposta dolorosa.
A neuralgia é a dor que segue a distribuição de um nervo, geralmente de caráter paroxístico e lancinante, como na neuralgia do trigêmeo. Não se define pela natureza do estímulo, mas pela localização e pelo padrão. A dor pode ser espontânea ou provocada, mas o conceito não é "dor por estímulo não álgico".
A banca explora a confusão entre alodínia e hiperalgesia. Ambas são fenômenos de sensibilização, mas a diferença está no estímulo: na alodínia, o estímulo é não doloroso; na hiperalgesia, o estímulo é doloroso e a resposta é exacerbada. O candidato que memoriza apenas "sensibilização" pode marcar hiperalgesia, mas a questão é específica sobre o estímulo não álgico. Com treino, você enxerga essa troca de longe 💪.
Para fixar, monte uma tabela mental com os quatro distratores:
Termo | Estímulo | Resposta |
|---|---|---|
Alodínia | Não doloroso | Dor |
Hiperalgesia | Doloroso | Dor exacerbada |
Hiperestesia | Qualquer | Sensibilidade aumentada |
Anestesia | Qualquer | Ausência de sensibilidade |
Neuralgia | — | Dor no território do nervo |
Na prova, leia a definição e identifique a natureza do estímulo: se for não álgico, é alodínia.
Gabarito: letra C — alodínia.
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