Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — Quadrix 2024
Medicina›Ortopedia e Traumatologia
Código
qg355294
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Dor
Um homem, 24 anos de idade, se apresentou com dor no antebraço direito. Ele afirmou que a dor começou há 6 meses, após a porta de um elevador ter fechado sobre o seu antebraço direito. No exame, o antebraço direito apresentou pele brilhante, com diminuição do crescimento de pelos, e a área estava muito sensível ao toque.Com base nessa situação hipotética, faz‑se um diagnóstico presuntivo de
Acelulite.
Besclerodermia.
Csíndrome de dor regional complexa.
Dsinovite.
Eerisipela.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — síndrome de dor regional complexa.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Síndrome de Dor Regional Complexa (SDRC)
Gabarito: letra C. O quadro descrito — dor no antebraço após trauma (porta de elevador), pele brilhante, diminuição de pelos e alodinia (sensibilidade exagerada ao toque) — é a apresentação clássica da síndrome de dor regional complexa (SDRC), uma condição de dor neuropática que se desenvolve após uma lesão, geralmente de um membro, e que cursa com alterações autonômicas e tróficas. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história de trauma e nos achados de exame físico, como os descritos no enunciado.
A SDRC, antes chamada de distrofia simpático-reflexa ou causalgia, é uma síndrome dolorosa regional que excede em magnitude e duração o esperado para o evento desencadeante. Ela se manifesta com dor desproporcional, alterações vasomotoras (mudanças de temperatura e coloração da pele), alterações sudomotoras (edema e sudorese) e alterações tróficas (pele brilhante, diminuição de pelos, alterações ungueais). O mecanismo envolve sensibilização central e periférica, com disfunção do sistema nervoso autônomo. O diagnóstico é clínico, pelos critérios de Budapeste (IASP), que incluem: dor contínua desproporcional ao estímulo, presença de sintomas em pelo menos três das quatro categorias (sensorial, vasomotora, sudomotora/edema, trófica) e sinais em pelo menos duas delas no exame físico. No caso, temos dor, alodinia (categoria sensorial), pele brilhante e diminuição de pelos (categoria trófica), e a história de trauma como gatilho.
A distinção crucial é que a SDRC é uma síndrome de dor neuropática, não uma infecção de pele (celulite/erisipela), nem uma doença autoimune sistêmica (esclerodermia), nem uma inflamação articular (sinovite). A presença de alterações tróficas (pele brilhante, queda de pelos) e a alodinia em um membro após trauma são os achados que apontam diretamente para a SDRC. As infecções de pele cursam com eritema, calor e, tipicamente, febre; a esclerodermia tem espessamento cutâneo difuso e fenômeno de Raynaud; a sinovite é uma inflamação articular com dor ao movimento e derrame. A SDRC, por sua vez, tem essa tríade de dor neuropática + alterações autonômicas + alterações tróficas, que é exatamente o que o paciente apresenta.
A banca explora a confusão entre a SDRC e as infecções de pele (celulite/erisipela), que também podem ocorrer após um trauma e cursar com pele avermelhada e dolorosa. No entanto, a pele brilhante e a diminuição de pelos são sinais tróficos típicos de SDRC, não de infecção. Além disso, a alodinia (dor ao toque leve) é uma característica de dor neuropática, não de dor inflamatória/infecciosa. A esclerodermia é uma doença autoimune que causa espessamento da pele, mas não tem relação com trauma localizado e não cursa com alodinia. A sinovite é uma inflamação da membrana sinovial, que causa dor articular, mas não as alterações tróficas descritas. Portanto, o diagnóstico presuntivo mais adequado é a SDRC.
Guarde a tríade que decide a questão: dor neuropática (alodinia) + alterações tróficas (pele brilhante, queda de pelos) + história de trauma = SDRC. É exatamente essa combinação que separa a alternativa correta das demais.
SDRC (diagnóstico clínico): Gatilho (Trauma (geralmente de membro)); Dor neuropática (Desproporcional ao estímulo, Alodinia (dor ao toque leve)); Alterações autonômicas (Vasomotoras (temperatura/cor), Sudomotoras (edema/sudorese)); Alterações tróficas (Pele brilhante, Diminuição de pelos, Alterações ungueais); Critérios de Budapeste (IASP) (Sintomas em ≥3 categorias, Sinais em ≥2 no exame)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A celulite é uma infecção bacteriana da derme profunda e do tecido subcutâneo, que se apresenta com eritema difuso, bordas mal delimitadas, edema, calor e dor. Embora possa ocorrer após um trauma, a celulite não cursa com pele brilhante nem com diminuição de pelos (alterações tróficas), e a dor é tipicamente inflamatória, não alodínica. A presença de alodinia e alterações tróficas aponta para SDRC, não para celulite.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A esclerodermia é uma doença autoimune do colágeno que causa espessamento e endurecimento da pele, frequentemente com fenômeno de Raynaud e envolvimento sistêmico. Não há relação com trauma localizado, e o quadro descrito (pele brilhante, queda de pelos, alodinia) não é compatível com esclerodermia, que cursa com pele espessada e aderida aos planos profundos, não com alodinia.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A síndrome de dor regional complexa (SDRC) é uma síndrome dolorosa que se desenvolve após uma lesão, geralmente de um membro, e se caracteriza por dor desproporcional, alterações vasomotoras, sudomotoras e tróficas. O paciente apresenta todos os elementos: história de trauma (porta de elevador), dor, pele brilhante, diminuição de pelos (alterações tróficas) e alodinia (sensibilidade exagerada ao toque). O diagnóstico é clínico, e a SDRC é a hipótese mais provável.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A sinovite é a inflamação da membrana sinovial, que reveste as articulações. Ela causa dor articular, edema e limitação de movimento, mas não cursa com alterações tróficas da pele (pele brilhante, queda de pelos) nem com alodinia. A dor é tipicamente articular, não neuropática, e não há relação direta com o trauma descrito.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A erisipela é uma infecção cutânea superficial, causada por Streptococcus pyogenes, que atinge a derme superficial e os vasos linfáticos. Ela se apresenta com placa eritematosa, edema, bordas nítidas e elevadas, frequentemente com febre e mal-estar. Não cursa com alterações tróficas (pele brilhante, queda de pelos) nem com alodinia. A presença desses sinais afasta o diagnóstico de erisipela e aponta para SDRC.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir a SDRC com infecções de pele (celulite/erisipela), que também podem surgir após um trauma. A chave é identificar as alterações tróficas (pele brilhante, diminuição de pelos) e a alodinia, que são típicas de SDRC e não de infecção. Fique atento a esses sinais na prova!