Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — Quadrix 2024
- Código
- qg355301
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- SES - SP
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Residente Médico - Especialidade: Dor
- Aparacetamol.
- Blidocaína.
- Cdipirona.
- Dduloxetina.
- Ecarbamazepina.
GabaritoD — duloxetina.
Gabarito: letra D. A duloxetina é o fármaco que intensifica a resposta analgésica da acupuntura, pois atua nas vias descendentes inibitórias da dor (mecanismo extrassegmentar), potencializando o efeito analgésico. As demais opções (paracetamol, lidocaína, dipirona e carbamazepina) não apresentam essa ação sinérgica específica com a acupuntura, conforme dados de pesquisa.
A acupuntura é uma técnica milenar que promove analgesia por meio da ativação de vias nociceptivas em dois níveis: segmentar (local, no corno dorsal da medula) e extrassegmentar (suprassegmentar, envolvendo estruturas como a substância cinzenta periaquedutal e o núcleo magno da rafe). A analgesia segmentar é rápida e de curta duração, enquanto a extrassegmentar é mais lenta, porém mais duradoura, e depende da ativação de vias descendentes inibitórias que modulam a transmissão da dor na medula espinhal.
A duloxetina é um inibidor da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN), classe de fármacos que potencializa a neurotransmissão monoaminérgica nas vias descendentes inibitórias da dor. Essa ação aumenta a liberação de serotonina e noradrenalina na medula espinhal, reforçando o controle inibitório descendente sobre a nocicepção. Por isso, a duloxetina é considerada um adjuvante que intensifica a analgesia da acupuntura, especialmente em dores crônicas e neuropáticas.
Os demais fármacos listados atuam por mecanismos distintos: paracetamol e dipirona são analgésicos simples que inibem a ciclo-oxigenase (COX) centralmente, sem ação direta nas vias descendentes; a lidocaína é um anestésico local que bloqueia canais de sódio, atuando na condução do impulso nervoso; e a carbamazepina é um anticonvulsivante que estabiliza canais de sódio, sendo útil em dores neuropáticas, mas sem evidência de sinergia com a acupuntura.
A banca explora a confusão entre "analgésicos adjuvantes" e "analgésicos simples". Enquanto os analgésicos simples (paracetamol, dipirona) são usados como adjuvantes de opioides, a duloxetina é um adjuvante que atua especificamente nas vias descendentes, o que a torna sinérgica com a acupuntura. Essa distinção é o critério decisivo para a questão.
O paracetamol é um analgésico simples que inibe a COX centralmente, sem ação direta nas vias descendentes inibitórias da dor. Embora seja usado como adjuvante de opioides, não há evidência de que intensifique a analgesia da acupuntura.
A lidocaína é um anestésico local que bloqueia canais de sódio, atuando na condução do impulso nervoso. Não possui ação nas vias descendentes inibitórias, portanto não potencializa a analgesia da acupuntura.
A dipirona (metamizol) é um analgésico simples que inibe a COX-3 e ativa receptores endocanabinoides, mas não atua diretamente nas vias descendentes. Não há evidência de sinergia com a acupuntura.
A duloxetina é um IRSN que potencializa a neurotransmissão monoaminérgica nas vias descendentes inibitórias da dor, reforçando o controle inibitório descendente sobre a nocicepção. Essa ação é sinérgica com a analgesia extrassegmentar da acupuntura, intensificando seu efeito analgésico.
A carbamazepina é um anticonvulsivante que estabiliza canais de sódio, sendo útil em dores neuropáticas, mas não atua nas vias descendentes inibitórias. Não há evidência de que intensifique a analgesia da acupuntura.
A banca oferece analgésicos comuns (paracetamol, dipirona) e anestésico local (lidocaína) para induzir o candidato a escolher um fármaco "analgésico" genérico. A duloxetina, por ser um adjuvante que atua nas vias descendentes, é a única que se alinha ao mecanismo extrassegmentar da acupuntura. Fique atento: a questão pede a substância que intensifica a resposta analgésica da acupuntura, não um analgésico comum.
Para questões sobre sinergia com acupuntura, lembre-se: a analgesia extrassegmentar depende das vias descendentes inibitórias (serotonina e noradrenalina). Fármacos que potencializam essas vias, como a duloxetina (IRSN), são os que intensificam o efeito. Analgésicos simples (paracetamol, dipirona) e anestésicos locais (lidocaína) não atuam nesse mecanismo.
Gabarito: letra D
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