No tratamento medicamentoso da colangite biliar primária, além do ácido ursocólico, o medicamento que pode ser associado é denominado
Acolchichina.
Brifaximina.
Cfenofibrato.
Drosuvastatina.
Ecelecoxibe.
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GabaritoC — fenofibrato.
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Colangite biliar primária: terapia combinada ao ácido ursodesoxicólico
Gabarito: letra C. O fenofibrato é um fibrato que, associado ao ácido ursodesoxicólico (AUDC), tem sido utilizado no tratamento da colangite biliar primária (CBP) em pacientes com resposta bioquímica inadequada à monoterapia, atuando sobre o metabolismo lipídico e reduzindo os níveis de fosfatase alcalina. As demais alternativas não fazem parte do arsenal terapêutico padrão para essa condição.
A colangite biliar primária é uma doença hepática colestática crônica, de natureza autoimune, caracterizada pela destruição progressiva dos ductos biliares intra-hepáticos. O ácido ursodesoxicólico (AUDC) é a primeira linha de tratamento, pois melhora os parâmetros bioquímicos hepáticos e retarda a progressão da doença. No entanto, uma parcela significativa dos pacientes não apresenta resposta bioquímica adequada (definida, por exemplo, pela redução da fosfatase alcalina), o que motivou a busca por terapias adjuvantes.
Nesse cenário, o fenofibrato surge como opção terapêutica. Os fibratos são agonistas do receptor nuclear PPAR-α, que modulam o metabolismo de lipídios e também exercem efeitos anti-inflamatórios e antifibróticos. Estudos demonstraram que a adição de fenofibrato ao AUDC em pacientes com resposta inadequada melhora os níveis de fosfatase alcalina e outros marcadores de colestase, sendo uma alternativa considerada em diretrizes e na prática clínica. O mecanismo envolve a redução da síntese de ácidos biliares e o aumento da expressão de transportadores biliares, aliviando a colestase.
É importante distinguir o fenofibrato de outras classes de medicamentos que aparecem nas alternativas. A colchichina é um anti-inflamatório usado principalmente na gota e na febre familiar do Mediterrâneo; a rifaximina é um antibiótico não absorvível usado na encefalopatia hepática e na diarreia do viajante; a rosuvastatina é uma estatina para dislipidemia; e o celecoxibe é um anti-inflamatório não esteroidal (AINE) inibidor seletivo da COX-2. Nenhum desses tem papel estabelecido no tratamento da CBP.
A banca explora o conhecimento específico da terapêutica da CBP, uma doença relativamente rara, mas que pode ser cobrada em provas de clínica médica e farmacologia. O candidato que conhece o arsenal terapêutico — AUDC como primeira linha e fenofibrato (ou ácido obeticólico) como adjuvante — acerta a questão. A pegadinha está em oferecer medicamentos de uso comum em outras doenças hepáticas ou metabólicas, como a rifaximina (usada na encefalopatia hepática) e a rosuvastatina (usada na dislipidemia, que pode coexistir com a CBP), mas que não são indicados para a colangite.
Guarde o par AUDC + fenofibrato como a combinação clássica na CBP com resposta incompleta: é exatamente esse conhecimento que separa a alternativa correta das demais.
Colangite biliar primária (CBP): 1ª linha (Ácido ursodesoxicólico (AUDC)); Adjuvante (resposta inadequada) (Fenofibrato (PPAR-α), Ácido obeticólico); Distratores (sem papel) (Colchichina (gota), Rifaximina (encefalopatia hepática), Rosuvastatina (dislipidemia), Celecoxibe (AINE))
Alternativa A — ❌ Incorreta
A colchichina é um alcaloide com ação anti-inflamatória, utilizada no tratamento da gota e de outras condições inflamatórias. Não há evidência de benefício na colangite biliar primária, e seu uso não é recomendado nessa doença. A banca a inclui como distrator por ser um medicamento com mecanismo anti-inflamatório, mas que não se aplica à colestase crônica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A rifaximina é um antibiótico de ação local no trato gastrointestinal, usado na encefalopatia hepática e na diarreia do viajante. Embora a CBP seja uma doença hepática, a rifaximina não tem papel no seu tratamento, pois não atua sobre o processo colestático autoimune. A confusão pode ocorrer por ser um medicamento usado em complicações de doenças hepáticas, mas não na doença de base.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O fenofibrato é um fibrato, agonista do PPAR-α, que tem sido utilizado como terapia adjuvante ao ácido ursodesoxicólico na colangite biliar primária, especialmente em pacientes com resposta bioquímica inadequada. Estudos mostram melhora da fosfatase alcalina e de outros marcadores de colestase com a associação. É a alternativa que corresponde ao medicamento que pode ser associado ao AUDC no tratamento da CBP.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A rosuvastatina é uma estatina, inibidora da HMG-CoA redutase, usada no tratamento da dislipidemia. Embora a dislipidemia possa ser uma comorbidade em pacientes com CBP, a rosuvastatina não é indicada para o tratamento da doença colestática em si. A banca a oferece como distrator por ser um medicamento que mexe no metabolismo lipídico, assim como o fenofibrato, mas com mecanismo e indicação diferentes.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O celecoxibe é um anti-inflamatório não esteroidal (AINE) inibidor seletivo da COX-2, usado no tratamento de dor e inflamação. Não há indicação para o tratamento da colangite biliar primária, e seu uso poderia até ser prejudicial em pacientes com doença hepática, devido ao risco de hepatotoxicidade. A banca o inclui como distrator por ser um anti-inflamatório, mas que não se aplica à colestase crônica.
Gabarito: letra C — o fenofibrato é o medicamento que pode ser associado ao ácido ursodesoxicólico no tratamento da colangite biliar primária.