Na cirrose hepática com hipertensão portal descompensada com ascite, deve‑se evitar o uso de furosemide por via parenteral, devido ao risco de desencadear
Ahemorragia digestiva alta.
Bhemorragia digestiva baixa.
Csíndrome hepatorrenal.
Dperitonite bacteriana primária.
Eascite refratária.
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GabaritoC — síndrome hepatorrenal.
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Síndrome hepatorrenal e o uso de diuréticos na cirrose descompensada
Gabarito: letra C. Na cirrose hepática com hipertensão portal descompensada e ascite, o uso de furosemida por via parenteral deve ser evitado pelo risco de precipitar a síndrome hepatorrenal (SHR). O mecanismo é a depleção volêmica intensa e rápida, que reduz ainda mais o volume circulante efetivo — já comprometido pela vasodilatação esplâncnica — e desencadeia vasoconstrição renal reflexa, levando à queda da perfusão renal e à insuficiência renal funcional característica da SHR.
A cirrose descompensada com ascite é o cenário clássico de um estado circulatório hiperdinâmico: a hipertensão portal gera vasodilatação arteriolar esplâncnica e sistêmica, com diminuição do volume sanguíneo efetivo. Para compensar, o organismo ativa o sistema renina-angiotensina-aldosterona, o sistema nervoso simpático e o hormônio antidiurético (ADH), promovendo retenção de sódio e água. Esse é o mecanismo fisiopatológico que sustenta a formação da ascite e, ao mesmo tempo, torna o rim extremamente vulnerável a qualquer agressão que reduza ainda mais a perfusão renal.
A furosemida é um diurético de alça que age no ramo ascendente espesso da alça de Henle, inibindo o cotransportador Na⁺-K⁺-2Cl⁻. Quando administrada por via parenteral, especialmente em dose elevada ou em bolus, produz natriurese e diurese intensas e rápidas. Em um paciente cirrótico com ascite, cujo volume circulante efetivo já está reduzido, essa depleção volêmica abrupta agrava a hipovolemia efetiva, ativa ainda mais os sistemas vasoconstritores e reduz drasticamente o fluxo sanguíneo renal. O resultado é a síndrome hepatorrenal, uma forma de insuficiência renal funcional sem lesão parenquimatosa significativa, caracterizada por vasoconstrição renal intensa e queda da taxa de filtração glomerular.
A distinção crucial que a questão explora é entre as complicações da cirrose descompensada e o efeito específico do diurético. A hemorragia digestiva alta (varizes esofágicas) e a peritonite bacteriana espontânea (PBE) são complicações naturais da hipertensão portal e da ascite, mas não são desencadeadas diretamente pelo uso de furosemida parenteral. A hemorragia varicosa decorre da ruptura de varizes por aumento da pressão portal; a PBE resulta da translocação bacteriana e da baixa capacidade opsônica do líquido ascítico. A ascite refratária, por sua vez, é uma consequência da falha do tratamento diurético em controlar a ascite, não um efeito agudo do diurético. A síndrome hepatorrenal, ao contrário, é a complicação diretamente ligada à depleção volêmica induzida pelo diurético — é exatamente por isso que a banca a aponta como o risco a ser evitado.
Na prática clínica, o manejo da ascite na cirrose segue uma hierarquia: restrição de sódio, diuréticos (espironolactona como base, associada ou não a furosemida oral), paracentese de alívio com reposição de albumina quando o volume retirado é grande, e, nos casos refratários, TIPS ou transplante hepático. A recomendação de evitar furosemida parenteral é uma medida de segurança para proteger a função renal, pois o rim do cirrótico com ascite opera no limite da perfusão — qualquer queda adicional pode precipitar a SHR, que tem prognóstico sombrio sem tratamento (terlipressina + albumina) ou transplante.
Guarde a fronteira entre as complicações da cirrose e o efeito farmacológico do diurético: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A furosemida parenteral não "causa" varizes, PBE ou ascite refratária — ela precipita a SHR por depleção volêmica.
1Depleção volêmica rápida
2Queda do volume efetivo
3Vasoconstrição renal reflexa
4Queda da perfusão renal
5Síndrome hepatorrenal
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A hemorragia digestiva alta (HDA) por varizes esofágicas é uma complicação da hipertensão portal, não do uso de furosemida. O sangramento varicoso ocorre pela ruptura de varizes quando o gradiente de pressão portal ultrapassa o limiar crítico, geralmente associado a fatores como infecção, constipação ou esforço físico — não à depleção volêmica aguda. A furosemida não aumenta a pressão portal nem fragiliza as varizes; portanto, não há relação causal direta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A hemorragia digestiva baixa não é uma complicação típica da hipertensão portal nem do uso de diuréticos. As varizes que sangram na cirrose são predominantemente esofágicas e gástricas (trato digestivo alto). A furosemida não tem efeito sobre a mucosa colônica ou sobre vasos do trato digestivo baixo que justifique risco de sangramento.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A síndrome hepatorrenal é a complicação diretamente precipitada pela furosemida parenteral em cirróticos com ascite. O mecanismo é a depleção volêmica rápida e intensa, que reduz o volume circulante efetivo, ativa o sistema renina-angiotensina-aldosterona e o sistema nervoso simpático, e provoca vasoconstrição renal intensa com queda da taxa de filtração glomerular. É uma insuficiência renal funcional, sem lesão parenquimatosa, que se instala em dias a semanas após o fator precipitante. Por isso, a recomendação é usar furosemida com cautela, preferencialmente por via oral e em doses moderadas, sempre monitorando função renal e diurese.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A peritonite bacteriana espontânea (PBE) é uma infecção do líquido ascítico, causada por translocação bacteriana do lúmen intestinal para a circulação e posterior colonização do líquido ascítico, favorecida pela baixa concentração de proteínas e opsoninas. Não há relação com o uso de furosemida. A PBE é uma complicação espontânea da ascite, não um efeito adverso do diurético.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A ascite refratária é definida como aquela que não responde à restrição de sódio e à dose máxima de diuréticos (espironolactona 400 mg/dia + furosemida 160 mg/dia) ou que recorre rapidamente após paracentese. É uma consequência da progressão da doença hepática e da falha terapêutica, não um efeito agudo do uso de furosemida parenteral. Na verdade, o uso inadequado de diuréticos pode piorar a função renal e contribuir para a refratariedade, mas a ascite refratária em si não é "desencadeada" por uma dose parenteral de furosemida.
NÃO CAIA NESSA!
A banca oferece complicações comuns da cirrose descompensada (HDA, PBE, ascite refratária) para confundir o candidato, que pode associar qualquer complicação ao uso do diurético. A chave é lembrar que a furosemida parenteral age por depleção volêmica — e é exatamente isso que precipita a síndrome hepatorrenal, a única complicação diretamente ligada à hemodinâmica renal. Com treino, você enxerga essa relação de causa e efeito de longe 💪