Um executivo que mora em São Paulo tem uma importante reunião agendada para a região Nordeste do Brasil. Ele procurou orientação quanto ao risco da diarreia do viajante.Com base nessa situação hipotética, a orientação profilática deve ser
Asulfametoxazol/trimetropina.
Bazitromicina.
Cciprofloxacina.
Drifaximina.
Esomente orientação higieno dietética.
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GabaritoE — somente orientação higieno dietética.
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Diarreia do viajante: profilaxia e tratamento
Gabarito: letra E. Para a prevenção da diarreia do viajante, a recomendação atual é somente orientação higienodietética, pois a quimioprofilaxia antibiótica não é recomendada de rotina — conforme as diretrizes de medicina de viagem. A conduta se baseia em medidas como consumo de água potável, evitar alimentos crus e higiene das mãos, e não no uso profilático de antimicrobianos.
A diarreia do viajante é o agravo mais comum em viagens internacionais, afetando de 30% a 75% dos viajantes. A principal etiologia bacteriana é a Escherichia coli enterotoxigênica (ETEC), responsável por cerca de 60% dos casos bacterianos. A doença é autolimitada na maioria dos casos, com duração média de 3 a 6 dias. Por isso, a abordagem profilática prioriza medidas não farmacológicas: cuidados com água e alimentos, higiene das mãos e, em alguns casos, orientação sobre tratamento autoadministrado caso a diarreia ocorra.
A regra central é que não se recomenda antibióticos profiláticos para a diarreia do viajante. O uso de antimicrobianos é reservado para o tratamento da diarreia moderada a grave, não para prevenção. Essa distinção é crucial: as alternativas A a D listam antibióticos que são opções terapêuticas, mas nenhuma delas é indicada como profilaxia de rotina. A exceção fica para situações específicas, como viajantes imunocomprometidos ou com doenças crônicas, onde a profilaxia pode ser considerada individualmente — mas não é a recomendação padrão.
Na prática, a orientação pré-viagem deve incluir: beber apenas água engarrafada ou fervida, evitar gelo de procedência desconhecida, não consumir alimentos crus ou malcozidos, descascar frutas, evitar laticínios não pasteurizados e alimentos de vendedores ambulantes. Essas medidas reduzem significativamente o risco de adoecimento. Além disso, o viajante deve ser orientado a levar sais de reidratação oral e, em casos de maior risco, um antibiótico para autotratamento — mas sempre com a orientação de que o medicamento só deve ser usado se a diarreia ocorrer, nunca como prevenção.
A pegadinha da banca está em confundir profilaxia com tratamento. As alternativas A a D apresentam antibióticos que são usados no tratamento da diarreia do viajante (ciprofloxacino, azitromicina, rifaximina, sulfametoxazol-trimetoprima), mas a pergunta é sobre orientação profilática. O candidato que conhece o tratamento pode ser induzido a escolher um antibiótico, mas a diretriz é clara: profilaxia não é recomendada. Guarde essa fronteira: profilaxia = medidas higienodietéticas; tratamento = antibióticos (apenas se a diarreia ocorrer).
O sulfametoxazol/trimetoprima (SMZ-TMP) é uma opção terapêutica para diarreia do viajante, mas não é indicado como profilaxia. O uso profilático de antibióticos não é recomendado de rotina, pois o risco de efeitos adversos e resistência bacteriana supera o benefício. Além disso, a resistência a SMZ-TMP é alta em muitas regiões, tornando-o uma escolha inferior mesmo para tratamento.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A azitromicina é um macrolídeo usado no tratamento da diarreia do viajante, especialmente em áreas com resistência às fluoroquinolonas (como o Sudeste Asiático). No entanto, não há indicação de uso profilático. A azitromicina é reservada para o tratamento de diarreia moderada a grave, não para prevenção. A banca oferece esse antibiótico como distrator, pois ele é uma alternativa terapêutica importante, mas não se aplica à profilaxia.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A ciprofloxacina é uma fluoroquinolona e o antibiótico de primeira linha para o tratamento da diarreia do viajante na maioria dos casos. Porém, não é recomendada como profilaxia. O uso profilático de fluoroquinolonas não é indicado de rotina, e a resistência crescente a essa classe em várias regiões (especialmente no Sul e Sudeste Asiático) reforça a contraindicação. A ciprofloxacina é um distrator clássico, pois é o tratamento mais conhecido, mas a questão pede profilaxia.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A rifaximina é um antibiótico não absorvível que demonstrou eficácia no tratamento da diarreia do viajante não invasiva, sendo tão efetiva quanto o ciprofloxacino. No entanto, não é indicada como profilaxia de rotina. Embora alguns estudos avaliem seu uso profilático, as diretrizes atuais não recomendam quimioprofilaxia para a diarreia do viajante. A rifaximina é um distrator que explora o conhecimento do candidato sobre antibióticos intestinais, mas não se aplica à prevenção.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A orientação profilática correta é somente higienodietética. As diretrizes de medicina de viagem recomendam medidas não farmacológicas como prevenção: consumo de água potável ou fervida, evitar alimentos crus e malcozidos, higiene das mãos, evitar gelo de procedência desconhecida e alimentos de vendedores ambulantes. A quimioprofilaxia antibiótica não é recomendada de rotina, pois o risco de efeitos adversos e resistência bacteriana supera os benefícios. A reidratação oral é recomendada em todos os casos de diarreia, e o tratamento antibiótico é reservado para casos moderados a graves, não para prevenção.