Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — Quadrix 2024
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg355348
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista
Em relação ao tratamento de pacientes com síndrome coronária aguda (SCA), de acordo com as diretrizes mais recentes sobre o manejo da SCA, assinale a alternativa que apresenta a recomendação adequada acerca da duração da dupla terapia antiplaquetária (DAPT), após um episódio de síndrome coronária aguda.
AO tempo recomendado de DAPT em pacientes com síndrome coronária aguda deve ser de 12 meses.
BO tempo recomendado de DAPT em pacientes com síndrome coronária aguda e stent farmacológico deve ser de 1 mês, com a possibilidade de aumento do tempo em pacientes com alto risco de sangramento.
CO tempo de DAPT deve ser sempre de 1 mês em pacientes com síndrome coronária aguda, independentemente do tipo de intervenção ou da presença de risco de sangramento.
DEm pacientes com síndrome coronária aguda e stent farmacológico, a duração do DAPT não deve ultrapassar 3 meses, pois períodos mais longos aumentam o risco de complicações hemorrágicas.
EPara pacientes com síndrome coronária aguda sem stent, o tempo de DAPT é de 1 a 3 meses, sem a necessidade de estender a terapia, mesmo em pacientes com alto risco isquêmico.
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GabaritoA — O tempo recomendado de DAPT em pacientes com síndrome coronária aguda deve ser de 12 meses.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Dupla terapia antiplaquetária (DAPT) na síndrome coronariana aguda
Gabarito: letra A. Nas diretrizes mais recentes de manejo da síndrome coronariana aguda (SCA), a duração padrão da dupla terapia antiplaquetária (DAPT) é de 12 meses, independentemente do tipo de stent utilizado, sendo essa a recomendação de classe I para a maioria dos pacientes. As demais alternativas distorcem esse prazo, invertendo a lógica de redução ou extensão do tempo de tratamento conforme o risco de sangramento ou isquemia.
A DAPT consiste na associação de dois antiagregantes plaquetários — o ácido acetilsalicílico (AAS) e um inibidor do receptor P2Y12 (clopidogrel, prasugrel ou ticagrelor) — e é a pedra angular do tratamento farmacológico da SCA, tanto na apresentação com supra de ST (IAMCSST) quanto sem supra (IAMSSST e angina instável). O objetivo é duplo: inibir a ativação e agregação plaquetária para prevenir a formação de novos trombos e reduzir eventos isquêmicos recorrentes, especialmente após a implantação de stents coronarianos, que são superfícies trombogênicas. A duração de 12 meses foi estabelecida com base em grandes ensaios clínicos randomizados, como o estudo CURE, que demonstrou que a associação de clopidogrel ao AAS por 9 a 12 meses reduziu significativamente a incidência de morte cardiovascular, infarto do miocárdio não fatal e acidente vascular cerebral em comparação ao AAS isolado.
A recomendação de 12 meses vale como regra geral, mas a diretriz reconhece a necessidade de individualização. Em pacientes com alto risco de sangramento, pode-se considerar a redução da duração da DAPT para 1 a 3 meses, especialmente com os stents farmacológicos de nova geração (com eluição de everolimo ou zotarolimo), que apresentam menor risco de trombose tardia. Por outro lado, em pacientes com alto risco isquêmico e baixo risco hemorrágico, a extensão da DAPT além de 12 meses pode ser considerada. Essa flexibilidade é o ponto central que as alternativas incorretas exploram: elas apresentam a exceção (redução para 1 mês) como regra, ou fixam prazos rígidos que não correspondem à recomendação padrão.
A pegadinha da banca está em inverter a lógica da individualização: a alternativa B, por exemplo, afirma que o tempo recomendado com stent farmacológico é de 1 mês, com possibilidade de aumento em pacientes de alto risco de sangramento — exatamente o contrário do que a diretriz preconiza. A redução para 1 mês é uma opção para pacientes de alto risco de sangramento, não a regra; e o aumento do tempo é considerado para alto risco isquêmico, não hemorrágico. A alternativa C elimina qualquer flexibilidade, o que contraria o princípio da individualização. A alternativa D fixa um teto de 3 meses, sem base nas diretrizes. E a alternativa E, sobre pacientes sem stent, também não reflete a recomendação padrão de 12 meses para a maioria dos casos de SCA.
Guarde a fronteira entre a regra (12 meses) e as exceções (redução para 1-3 meses em alto risco de sangramento; extensão além de 12 meses em alto risco isquêmico): é exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
DAPT na SCA
1Regra geral
12 meses (classe I)
Independente do tipo de stent
2Exceções
Alto risco de sangramento
Reduzir para 1–3 meses
Alto risco isquêmico
Estender além de 12 meses
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa reproduz a recomendação padrão das diretrizes de SCA: 12 meses de DAPT para a maioria dos pacientes após um episódio de síndrome coronariana aguda. Essa duração é sustentada por evidências de ensaios clínicos que demonstraram redução de eventos isquêmicos com o uso prolongado da dupla antiagregação, sendo a recomendação de classe I. A alternativa está correta porque não impõe exceções indevidas e reflete o consenso atual.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa inverte a lógica da individualização. Afirma que o tempo recomendado com stent farmacológico é de 1 mês, com possibilidade de aumento em pacientes de alto risco de sangramento. Na prática, a redução para 1 mês é uma opção justamente para pacientes com alto risco de sangramento (para minimizar complicações hemorrágicas), e não a regra. O aumento do tempo de DAPT é considerado para pacientes com alto risco isquêmico, não hemorrágico. A alternativa troca os critérios de redução e extensão da terapia.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o tempo de DAPT deve ser sempre de 1 mês, independentemente do tipo de intervenção ou do risco de sangramento. Isso contraria a recomendação padrão de 12 meses e elimina qualquer possibilidade de individualização. A diretriz preconiza a avaliação individual do risco isquêmico versus hemorrágico para decidir a duração da terapia, não um prazo fixo e universal de 1 mês.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa fixa um teto de 3 meses para a DAPT em pacientes com stent farmacológico, afirmando que períodos mais longos aumentam o risco de complicações hemorrágicas. Embora a redução da duração seja uma estratégia válida em pacientes de alto risco de sangramento, não há recomendação de que a duração não deva ultrapassar 3 meses como regra geral. A duração padrão é de 12 meses, e a redução para 1-3 meses é uma exceção individualizada, não um limite absoluto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que, para pacientes com SCA sem stent, o tempo de DAPT é de 1 a 3 meses, sem necessidade de estender a terapia mesmo em alto risco isquêmico. Isso não reflete a recomendação padrão. Mesmo em pacientes sem stent, a duração recomendada de DAPT é de 12 meses na maioria dos casos, podendo ser estendida em pacientes de alto risco isquêmico. A alternativa subestima o benefício da terapia prolongada e ignora a possibilidade de extensão.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre a regra e a exceção. O candidato que memoriza apenas a possibilidade de redução da DAPT para 1 mês (em alto risco de sangramento) pode marcar a alternativa B, que inverte os critérios: diz que o tempo é de 1 mês e que pode aumentar em alto risco de sangramento. Na verdade, a redução é para quem sangra muito, e o aumento é para quem tem alto risco isquêmico. Fique atento a essa inversão clássica.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de DAPT, memorize a regra dos 12 meses e as duas exceções principais: redução para 1-3 meses em alto risco de sangramento e extensão além de 12 meses em alto risco isquêmico. Quando a alternativa trouxer um prazo diferente de 12 meses, verifique se ela justifica corretamente a exceção — se o critério estiver trocado (sangramento por isquemia), a alternativa está errada.