Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — Quadrix 2024
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg355351
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista
Uma paciente de 67 anos de idade, com histórico de infarto agudo do miocárdio e fatores de risco para doença arterial coronariana, foi submetida a um cateterismo cardíaco para a avaliação das artérias coronárias. Durante o procedimento, a paciente apresentou queda abrupta da pressão arterial (PA: 80/50 mmHg), taquicardia (FC: 120 bpm) e sinais de distensão abdominal, com dor no local de inserção do cateter femoral. A equipe de cardiologia está preocupada com as complicações do cateterismo e com os próximos passos do manejo.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a complicação que a paciente está apresentando e a conduta imediata adequada.
Adissecção coronariana e realizar angioplastia coronária urgente
Bhemorragia retroperitoneal e interromper o uso de anticoagulantes e realizar tomografia abdominal
Cembolia pulmonar, iniciar anticoagulação com heparina e monitorizar gases sanguíneos
Dtromboembolismo cerebral, realizar tomografia de crânio urgente e iniciar anticoagulação
Epericardite pós‑cateterismo, iniciar anti‑inflamatórios e monitorizar
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GabaritoB — hemorragia retroperitoneal e interromper o uso de anticoagulantes e realizar tomografia abdominal
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Complicações do cateterismo cardíaco: hemorragia retroperitoneal
Gabarito: letra B. A paciente apresenta quadro clássico de hemorragia retroperitoneal após cateterismo com acesso femoral — hipotensão abrupta, taquicardia e dor no local de inserção do cateter — e a conduta imediata é interromper anticoagulantes/antiagregantes e realizar tomografia abdominal para confirmar o diagnóstico. O contexto clínico (acesso femoral + instabilidade hemodinâmica + dor local) aponta diretamente para essa complicação, e a tomografia é o método diagnóstico de escolha.
A hemorragia retroperitoneal é uma complicação temida do cateterismo cardíaco, especialmente quando o acesso é feito pela artéria femoral. Durante a punção, o cateter ou o fio-guia pode lesar a parede arterial, e o sangramento ocorre no espaço retroperitoneal — uma região de grande complacência, que pode acumular volume significativo sem sinais externos evidentes. Por isso, o quadro clínico costuma ser de choque hipovolêmico "silencioso": queda da pressão arterial, taquicardia compensatória e, muitas vezes, dor abdominal ou no flanco, sem hematoma visível na virilha. A distensão abdominal referida no enunciado é um sinal de alerta importante, pois indica acúmulo de sangue na cavidade.
O diagnóstico é essencialmente clínico, mas a confirmação é feita por tomografia computadorizada de abdome, que mostra o hematoma retroperitoneal. A conduta imediata, antes mesmo da confirmação por imagem, é estabilizar o paciente: interromper a anticoagulação (revertendo com protamina se o paciente estiver em uso de heparina) e suspender antiagregantes plaquetários, além de iniciar expansão volêmica e, se necessário, vasopressores e hemotransfusão. O tratamento é conservador na maioria dos casos, com controle hemodinâmico; a exploração cirúrgica fica reservada para sintomas refratários ou queda progressiva do hematócrito.
A banca explora aqui a associação entre o acesso femoral e a complicação mais temida desse acesso. É fundamental lembrar que o acesso radial, hoje preferido na maioria dos centros, está associado a menos sangramento e menos complicações vasculares justamente por evitar o risco de sangramento retroperitoneal. A distinção que importa é: dor no local de inserção + instabilidade hemodinâmica após cateterismo femoral = hemorragia retroperitoneal até prova em contrário. As demais alternativas apresentam complicações que não se encaixam no quadro — dissecção coronariana, embolia pulmonar, AVC e pericardite têm apresentações clínicas distintas, como veremos a seguir.
Complicações do cateterismo femoral
1Hemorragia retroperitoneal (gabarito)
Quadro clínico
Hipotensão abrupta
Taquicardia
Dor no local de punção
Distensão abdominal
Conduta imediata
Interromper anticoagulantes/antiagregantes
Tomografia abdominal
Expansão volêmica
2Dissecção coronariana
Dor torácica isquêmica
Alterações no ECG
3Embolia pulmonar
Dispneia súbita
Hipoxemia
4AVC (tromboembolismo cerebral)
Déficits focais
5Pericardite
Dor pleurítica
Atrito pericárdico
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A dissecção coronariana é uma complicação do cateterismo que ocorre durante a manipulação do cateter nas artérias coronárias, manifestando-se com dor torácica, alterações eletrocardiográficas isquêmicas e instabilidade hemodinâmica. No entanto, o quadro da paciente é de dor no local de inserção femoral e distensão abdominal — sinais que apontam para sangramento retroperitoneal, não para dissecção coronariana. Além disso, a conduta de angioplastia de urgência seria indicada para tratar uma obstrução coronariana aguda, o que não é o caso.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A hemorragia retroperitoneal é a complicação clássica do acesso femoral, manifestando-se com hipotensão, taquicardia e dor no local de punção, frequentemente com distensão abdominal. A conduta imediata é interromper anticoagulantes e antiagregantes (revertendo a anticoagulação com protamina se necessário) e realizar tomografia abdominal para confirmar o diagnóstico e avaliar a extensão do sangramento. O tratamento é conservador na maioria dos casos, com expansão volêmica, vasopressores e hemotransfusão quando necessário.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A embolia pulmonar é uma complicação rara do cateterismo e se manifestaria com dispneia súbita, dor torácica pleurítica, hipoxemia e, em casos graves, instabilidade hemodinâmica. O quadro da paciente não apresenta sintomas respiratórios — a dor é no local de inserção femoral e há distensão abdominal, o que direciona para sangramento retroperitoneal. Além disso, iniciar anticoagulação plena em um paciente com suspeita de sangramento ativo seria uma conduta perigosa e contraindicada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O tromboembolismo cerebral (AVC) é uma complicação neurológica do cateterismo, manifestando-se com déficits focais como hemiparesia, afasia, disartria ou alteração cognitiva. A paciente não apresenta sintomas neurológicos — o quadro é de instabilidade hemodinâmica com dor abdominal e no local de punção. A tomografia de crânio e a anticoagulação seriam indicadas para AVC, não para hemorragia retroperitoneal.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A pericardite pós-cateterismo é uma complicação inflamatória rara, manifestando-se com dor torácica pleurítica, atrito pericárdico e alterações eletrocardiográficas difusas. O quadro da paciente é de choque hipovolêmico com dor no local de inserção femoral e distensão abdominal — não há dor torácica nem sinais de pericardite. Anti-inflamatórios seriam a conduta para pericardite, não para hemorragia retroperitoneal.
Gabarito: letra B — hemorragia retroperitoneal com interrupção de anticoagulantes e tomografia abdominal.