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Questão de Medicina — Oncologia — Quadrix 2024

MedicinaOncologia
Código
qg355357
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista
Uma paciente de 58 anos de idade, com histórico de câncer de mama tratado com antraciclinas, apresentou‑se para acompanhamento de cardiologia. Durante a avaliação, a função sistólica do ventrículo esquerdo (VE) foi reduzida (fração de ejeção de 45%). A paciente não apresentou sintomas de insuficiência cardíaca, mas o exame de imagem revelou alterações que sugerem cardiotoxicidade induzida por quimioterapia.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta o procedimento adequado para o caso desse paciente, conforme as diretrizes atuais de cárdio‑oncologia.
  1. AO tratamento com inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) deve ser iniciado imediatamente, independentemente da presença de sintomas de insuficiência cardíaca, para prevenir a progressão da disfunção ventricular esquerda.
  2. BA quimioterapia com antraciclinas pode ser continuada sem alterações, uma vez que a fração de ejeção do ventrículo esquerdo está apenas ligeiramente reduzida e que o paciente é assintomático.
  3. CA monitorização regular da função ventricular e a utilização de agentes cardioprotetores, como os inibidores da ECA ou os betabloqueadores, devem ser considerados para pacientes com evidências iniciais de cardiotoxicidade, independentemente de sintomas clínicos.
  4. DA quimioterapia com antraciclinas deve ser interrompida imediatamente devido à redução da fração de ejeção, mesmo na ausência de sintomas de insuficiência cardíaca.
  5. EO tratamento com diuréticos deve ser iniciado imediatamente devido à redução da fração de ejeção do ventrículo esquerdo, mesmo sem sintomas de insuficiência cardíaca.
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GabaritoC — A monitorização regular da função ventricular e a utilização de agentes cardioprotetores, como os inibidores da ECA ou os betabloqueadores, devem ser considerados para pacientes com evidências iniciais de cardiotoxicidade, independentemente de sintomas clínicos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cardiotoxicidade por antraciclinas: manejo na cardio-oncologia

Gabarito: letra C. Na cardiotoxicidade induzida por quimioterapia com evidência inicial de disfunção ventricular (FEVE 45%), mesmo na ausência de sintomas, as diretrizes de cardio-oncologia recomendam monitorização regular da função ventricular e consideração de agentes cardioprotetores (IECA e betabloqueadores) — exatamente o que a alternativa C afirma. A conduta não é interromper a quimioterapia de imediato nem iniciar diuréticos, mas sim instituir terapia neuro-hormonal precoce e acompanhar de perto.

A cardiotoxicidade por antraciclinas (doxorrubicina, daunorrubicina, epirrubicina) é uma complicação conhecida e temida do tratamento oncológico. Ela pode se manifestar de forma aguda (durante o tratamento) ou tardia (meses a anos após), sendo esta última mais fortemente relacionada ao uso de doxorrubicina em doses > 250 mg/m². Um ponto crucial: não existe dose isenta de risco para antraciclinas. Por definição, todos os pacientes após uso de antraciclinas apresentam insuficiência cardíaca estágio A (pacientes de risco, sem doença cardíaca estrutural nem sintomas), e o manejo de fatores de risco cardiovascular é essencial.

O caso da paciente ilustra a cardiotoxicidade subclínica: FEVE de 45% (zona cinzenta/ICFEi, entre 40-49%), sem sintomas de IC. Nesse cenário, a conduta recomendada pelas diretrizes é o tratamento precoce da disfunção ventricular subclínica com IECA e betabloqueadores, conforme a Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca. A lógica é neuro-hormonal: a disfunção ventricular, mesmo assintomática, ativa o sistema renina-angiotensina-aldosterona e o sistema adrenérgico, que perpetuam e agravam a lesão miocárdica. Bloquear esses sistemas com IECA e BB interrompe esse ciclo vicioso e previne a progressão para IC sintomática.

A decisão sobre continuar ou interromper a quimioterapia é mais complexa. A presença de IC ou grave disfunção ventricular aponta para a interrupção, mesmo que temporária, do esquema quimioterápico — mas essa decisão deve ser partilhada com o oncologista, ponderando o risco cardíaco versus o benefício oncológico. No caso de FEVE 45% assintomática, não há indicação de interrupção imediata e automática; a conduta é otimizar a cardioproteção e monitorizar. Diuréticos, por sua vez, são para alívio de sintomas congestivos — não há congestão na paciente assintomática, portanto não há indicação.

A pegadinha central desta questão é a dicotomia "sintomático × assintomático". O candidato pode pensar que, sem sintomas, não há o que tratar — mas é justamente o oposto: a disfunção subclínica é a janela de oportunidade para a cardioproteção. Outra armadilha é confundir "monitorar e tratar" com "interromper a quimio" — a interrupção é reservada para disfunção grave ou IC franca, e sempre em decisão compartilhada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "disfunção subclínica" e "disfunção grave sintomática". Na subclínica (FEVE 45%, assintomática), a conduta é cardioproteção com IECA/BB e monitorização — não interromper a quimio imediatamente (alternativa D) nem continuar sem alterações (alternativa B). A interrupção só se impõe com IC ou disfunção grave, e sempre em decisão compartilhada com o oncologista. Guarde: assintomático não significa "não tratar" — significa "tratar para prevenir sintomas". 💪

Cardiotoxicidade por antraciclinas
  • 1Apresentação
    • Aguda (durante o tratamento)
    • Tardia (meses a anos)
  • 2Disfunção subclínica (FEVE 45%, assintomática)
    • Cardioproteção com IECA/BB
    • Monitorização regular
    • Não interromper quimio de imediato
    • Não usar diuréticos (sem congestão)
  • 3Disfunção grave / IC franca
    • Interromper quimio (decisão compartilhada)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O erro está no termo "independentemente da presença de sintomas" aplicado ao IECA. Embora o IECA seja indicado para disfunção ventricular assintomática, a alternativa A é incompleta e unilateral: ela menciona apenas o IECA, omitindo o betabloqueador, que também é recomendado na cardioproteção. Além disso, a diretriz fala em "considerar" e "recomendar" o tratamento precoce, não em "iniciar imediatamente" como regra absoluta — a titulação deve ser gradual, com monitorização de função renal e eletrólitos. A alternativa C é mais completa e fiel à diretriz.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a quimioterapia pode ser continuada "sem alterações" porque a FEVE está "apenas ligeiramente reduzida" e a paciente é assintomática. Isso contraria frontalmente a diretriz: a disfunção subclínica (FEVE 45%) exige intervenção — cardioproteção com IECA/BB e monitorização — e não pode ser ignorada. A redução da FEVE, mesmo leve e assintomática, é sinal de cardiotoxicidade que, sem tratamento, tende a progredir. A alternativa B banaliza um achado que é justamente o gatilho para a conduta ativa.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Espelha com precisão a recomendação das diretrizes de cardio-oncologia: "A monitorização regular da função ventricular e a utilização de agentes cardioprotetores, como os inibidores da ECA ou os betabloqueadores, devem ser considerados para pacientes com evidências iniciais de cardiotoxicidade, independentemente de sintomas clínicos." A Diretriz Brasileira de IC recomenda o "tratamento precoce da disfunção ventricular subclínica com IECA e BB". A alternativa acerta ao incluir monitorização (acompanhamento seriado da FEVE) e cardioproteção farmacológica (IECA ou BB), e ao afirmar que isso vale independentemente de sintomas — exatamente o cenário da paciente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A interrupção imediata da quimioterapia é conduta excessiva para o caso. A diretriz reserva a interrupção (mesmo que temporária) para "presença de IC ou grave disfunção ventricular" — e a paciente tem FEVE 45% (disfunção leve a moderada) e é assintomática. Além disso, a decisão de interromper deve ser partilhada com o oncologista, ponderando risco cardíaco versus benefício oncológico — não é uma decisão automática do cardiologista. A alternativa D ignora essa nuance e transforma uma recomendação ponderada em regra absoluta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Diuréticos são indicados para alívio de sintomas congestivos (dispneia, edema, congestão pulmonar) — não para disfunção ventricular assintomática. A paciente não tem sintomas de IC, logo não há congestão a tratar. Iniciar diurético "imediatamente" sem indicação clínica é iatrogenia: pode causar hipotensão, hipovolemia e piora da função renal, além de não tratar a causa (a disfunção neuro-hormonal). A cardioproteção com IECA/BB é o pilar; diurético só entra se houver congestão.

Gabarito: letra C — a conduta correta é monitorizar a função ventricular e considerar cardioproteção com IECA/betabloqueador, independentemente de sintomas.

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