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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — Quadrix 2024

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg355363
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista
Os inibidores do cotransportador sódio‑glicose tipo 2 (SGLT2) emergiram como uma classe inovadora de medicamentos no tratamento do diabetes tipo 2, além de apresentarem benefícios significativos contra a doença renal e contra a insuficiência cardíaca. Considerando essas informações, assinale a alternativa que apresenta o principal mecanismo de ação dos inibidores SGLT2.
  1. Aaumento da produção de insulina pelo pâncreas
  2. Bredução da reabsorção de glicose nos túbulos renais, levando à sua excreção urinária
  3. Cinibição da enzima DPP‑4, aumentando a ação da incretina
  4. Daumento da captação de glicose pelos músculos e pelo tecido adiposo
  5. Eredução da absorção de glicose no intestino
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GabaritoB — redução da reabsorção de glicose nos túbulos renais, levando à sua excreção urinária

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Inibidores do SGLT2: mecanismo de ação

Gabarito: letra B. O principal mecanismo de ação dos inibidores do cotransportador sódio-glicose tipo 2 (SGLT2) é a redução da reabsorção de glicose nos túbulos renais, promovendo sua excreção urinária (glicosúria). Essa classe atua inibindo o SGLT2, proteína que medeia mais de 90% da reabsorção de glicose no túbulo renal proximal, conforme descrito na literatura médica.

Os inibidores do SGLT2 (gliflozinas) são uma classe de fármacos antidiabéticos orais que atuam diretamente no rim, e não no pâncreas, intestino ou tecidos periféricos. O SGLT2 é um cotransportador localizado na membrana luminal do túbulo proximal renal, responsável por reabsorver a maior parte da glicose filtrada pelo glomérulo. Ao inibir esse transportador, o fármaco impede a reabsorção de glicose e sódio, resultando em glicosúria (excreção de glicose na urina) e natriurese. Esse mecanismo é independente da insulina, o que explica por que essa classe raramente causa hipoglicemia.

Na prática, o efeito glicêmico é modesto: redução da glicemia de jejum em cerca de 30 mg/dL e da HbA1c em 0,5% a 1,0%. Além do controle glicêmico, os iSGLT2 promovem perda de peso discreta (2 a 3 kg), redução da pressão arterial e, mais importante, benefícios cardiovasculares e renais significativos — redução de eventos cardiovasculares, mortalidade cardiovascular, hospitalizações por insuficiência cardíaca e progressão da nefropatia diabética. Esses benefícios vão além do controle da glicemia, envolvendo mecanismos hemodinâmicos e metabólicos.

A distinção crucial que a banca explora é o local de ação: enquanto os inibidores da DPP-4 (gliptinas) atuam no eixo das incretinas, as sulfonilureias e glinidas estimulam a secreção de insulina pelo pâncreas, as tiazolidinedionas (glitazonas) aumentam a sensibilidade à insulina nos tecidos periféricos, e os inibidores da alfa-glicosidase (acarbose) reduzem a absorção intestinal de carboidratos. Os iSGLT2 são únicos por agirem no rim, promovendo a excreção urinária de glicose.

A pegadinha desta questão é justamente confundir o mecanismo dos iSGLT2 com o de outras classes de antidiabéticos. O candidato que não domina a farmacologia das classes tende a escolher alternativas que descrevem mecanismos de outras drogas, como o aumento da produção de insulina (sulfonilureias) ou a inibição da DPP-4 (gliptinas).

Guarde a fronteira entre as classes de antidiabéticos: é exatamente nela que as alternativas se dividem. Cada alternativa descreve o mecanismo de uma classe diferente, e a correta é a única que aponta o rim como órgão-alvo.

Antidiabéticos orais
  • 1Por órgão-alvo
    • Rim (SGLT2)
      • Glicosúria e natriurese
    • Pâncreas (sulfonilureias/glinidas)
      • Aumenta secreção de insulina
    • Intestino (acarbose)
      • Retarda absorção de carboidratos
    • Músculo/tecido adiposo (glitazonas)
      • Aumenta sensibilidade à insulina
    • Incretinas (gliptinas)
      • Inibe DPP-4
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O aumento da produção de insulina pelo pâncreas é o mecanismo das sulfonilureias (como glibenclamida e gliclazida) e das glinidas (repaglinida, nateglinida), que estimulam a secreção de insulina pelas células beta pancreáticas. Os iSGLT2 não atuam no pâncreas; seu mecanismo é independente da insulina.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a descrição exata do mecanismo dos inibidores do SGLT2. O SGLT2 é o cotransportador responsável por mais de 90% da reabsorção de glicose no túbulo renal proximal. Ao inibi-lo, o fármaco reduz a reabsorção de glicose e sódio, levando à glicosúria e natriurese, com consequente redução da glicemia.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A inibição da enzima DPP-4, aumentando a ação das incretinas, é o mecanismo dos inibidores da dipeptidil-peptidase-4 (gliptinas), como sitagliptina e vildagliptina. Esses fármacos aumentam os níveis de GLP-1 e GIP, hormônios incretínicos que estimulam a secreção de insulina dependente de glicose. Não é o mecanismo dos iSGLT2.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O aumento da captação de glicose pelos músculos e tecido adiposo é o mecanismo das tiazolidinedionas (pioglitazona), que atuam como agonistas do receptor PPAR-gama, aumentando a sensibilidade à insulina nos tecidos periféricos. Os iSGLT2 não atuam nos tecidos periféricos, mas sim no rim.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A redução da absorção de glicose no intestino é o mecanismo dos inibidores da alfa-glicosidase (acarbose, miglitol), que retardam a digestão de carboidratos complexos no intestino delgado. Os iSGLT2 não atuam no trato gastrointestinal, mas sim nos túbulos renais.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece mecanismos de outras classes de antidiabéticos para confundir: sulfonilureias (A), gliptinas (C), glitazonas (D) e acarbose (E). O candidato que não memorizou o local de ação de cada classe cai na armadilha. A chave é lembrar que o SGLT2 é um transportador renal — o nome da classe já entrega o mecanismo.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, associe cada classe ao seu órgão-alvo: SGLT2 → rim (glicosúria); sulfonilureias → pâncreas (secreção de insulina); gliptinas → intestino/rim (incretinas); glitazonas → músculo/tecido adiposo (sensibilidade à insulina); acarbose → intestino (absorção de carboidratos).

Gabarito: letra B

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