Dissecção coronária espontânea (DCE)
Gabarito: letra C. A DCE é uma causa rara de síndrome coronariana aguda, caracterizada por hematoma intramural na parede da artéria coronária, e pode ser desencadeada por estresse emocional ou físico intenso — fator precipitante clássico, especialmente em mulheres jovens, frequentemente sem fatores de risco cardiovascular tradicionais. As demais alternativas distorcem o perfil epidemiológico, a apresentação clínica, o diagnóstico e o tratamento da condição.
A dissecção coronária espontânea é uma emergência cardiovascular que ocorre quando há uma separação na camada da parede da artéria coronária, levando à formação de um hematoma intramural que pode comprimir o lúmen e causar isquemia miocárdica. Diferentemente da dissecção aórtica, que acomete mais homens idosos com hipertensão e aterosclerose, a DCE tem perfil epidemiológico distinto: predomina em mulheres jovens, especialmente no período periparto ou pós-parto, e em pacientes sem fatores de risco cardiovascular clássicos. O estresse emocional ou físico intenso é um desencadeante reconhecido, assim como o uso de cocaína, exercício físico extenuante e condições como displasia fibromuscular e doenças do tecido conjuntivo.
A apresentação clínica da DCE é variável: pode manifestar-se como dor torácica típica, mas também como equivalentes isquêmicos (dispneia, náuseas, sudorese, síncope) ou até mesmo como morte súbita. Não há sintomas "sempre clássicos" — a apresentação pode ser atípica, especialmente em mulheres, idosos e diabéticos. O diagnóstico é feito por angiografia coronária, que pode revelar obstrução, mas também pode mostrar apenas um estreitamento difuso ou uma imagem sugestiva de hematoma intramural, sem obstrução significativa. O tratamento é predominantemente conservador, com terapia médica (antiagregantes, betabloqueadores), reservando a intervenção percutânea ou cirúrgica para casos de alto risco, instabilidade hemodinâmica ou isquemia persistente.
A banca explora a confusão entre a DCE e a dissecção aórtica, que tem perfil epidemiológico e manejo diferentes. Enquanto a dissecção aórtica tipo A exige cirurgia emergencial, a DCE é tratada clinicamente na maioria dos casos. A alternativa C é a única que reflete corretamente um fator desencadeante reconhecido da DCE, sem generalizações absolutas ou inversões de perfil.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A DCE ocorre mais frequentemente em mulheres jovens, não em homens idosos. O perfil típico é de mulher com menos de 50 anos, frequentemente no período periparto ou pós-parto, sem fatores de risco cardiovascular clássicos. A alternativa inverte o perfil epidemiológico, confundindo com a dissecção aórtica, que acomete mais homens idosos com hipertensão e aterosclerose.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Os sintomas da DCE não são sempre clássicos. Embora a dor torácica intensa seja comum, a apresentação pode ser atípica, com equivalentes isquêmicos como dispneia, náuseas, sudorese, síncope ou até mesmo ausência de dor, especialmente em mulheres, idosos e diabéticos. A palavra "sempre" torna a afirmação incorreta, pois a DCE pode se manifestar de forma variada.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O estresse emocional ou físico intenso é um fator desencadeante reconhecido da DCE. Situações como exercício físico extenuante, luto, discussões ou uso de drogas simpatomiméticas (cocaína) podem precipitar a dissecção, especialmente em mulheres jovens. A alternativa está correta ao afirmar que a DCE pode ser desencadeada por esses fatores, sem generalizações absolutas.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A angiografia coronária nem sempre revela obstruções significativas. Na DCE, a angiografia pode mostrar desde uma obstrução completa até um estreitamento difuso, uma imagem sugestiva de hematoma intramural ou até mesmo um aspecto normal, dependendo da extensão e localização da dissecção. A palavra "sempre" torna a afirmação incorreta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O tratamento da DCE é, na maioria das vezes, conservador (clínico), não cirúrgico. A terapia médica com antiagregantes e betabloqueadores é a primeira linha, reservando a intervenção percutânea ou cirúrgica para casos de alto risco, instabilidade hemodinâmica, isquemia persistente ou envolvimento de tronco de coronária esquerda. A alternativa inverte a conduta padrão, confundindo com o manejo da dissecção aórtica tipo A.
Gabarito: letra C