Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — Quadrix 2024
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg355371
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista
Um paciente foi diagnosticado com insuficiência cardíaca de fração de ejeção reduzida (IC‑FEr).Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa correta, considerando a epidemiologia, as causas e o prognóstico da IC‑FEr.
AA insuficiência cardíaca de fração de ejeção reduzida é mais comum em mulheres que em homens.
BA hipertensão arterial é uma das principais causas da IC‑FEr, contribuindo para sua progressão.
CA IC‑FEr tem um prognóstico geralmente favorável, com taxas de sobrevivência elevadas em cinco anos.
DA doença arterial coronariana não é um fator de risco significativo para o desenvolvimento de IC‑FEr.
EO uso de betabloqueadores não é recomendado em pacientes com IC‑FEr.
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GabaritoB — A hipertensão arterial é uma das principais causas da IC‑FEr, contribuindo para sua progressão.
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Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Reduzida (ICFEr): Epidemiologia, Causas e Prognóstico
Gabarito: letra B. A hipertensão arterial é, de fato, uma das principais causas da ICFEr, contribuindo diretamente para sua progressão por meio do remodelamento ventricular esquerdo. As demais alternativas invertem dados epidemiológicos, prognósticos e terapêuticos consolidados na cardiologia.
A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica complexa, via final comum da maioria das doenças que acometem o coração. A ICFEr é definida pela presença de sintomas típicos de IC associados a uma fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) reduzida, geralmente menor que 40%. A distinção entre ICFEr e IC com fração de ejeção preservada (ICFEp) é fundamental, pois diferem em perfil epidemiológico, etiologias, comorbidades e resposta terapêutica.
Epidemiologia: A ICFEr é mais comum em homens, tipicamente na faixa etária de 50 a 70 anos. Já a ICFEp é mais frequente em mulheres idosas. Essa diferença de sexo e idade é um dado clássico e muito cobrado em provas.
Causas: As principais causas de ICFEr incluem a cardiopatia isquêmica (doença arterial coronariana – DAC), que é a causa mais comum, e a hipertensão arterial sistêmica (HAS). A HAS contribui para o desenvolvimento e progressão da ICFEr ao induzir hipertrofia ventricular esquerda, sobrecarga pressórica e, eventualmente, dilatação e disfunção sistólica. Outras causas incluem cardiomiopatias não isquêmicas (como a doença de Chagas, endêmica em algumas regiões do Brasil), valvopatias, miocardites e cardiomiopatias familiares.
Prognóstico: A ICFEr tem prognóstico reservado, com taxas de mortalidade e hospitalização significativas. A sobrevida em cinco anos é reduzida, especialmente em pacientes com FEVE gravemente reduzida (< 30%) e em idosos. O tratamento farmacológico com betabloqueadores, inibidores da ECA (IECA) ou bloqueadores dos receptores da angiotensina (BRA), antagonistas dos receptores mineralocorticoides (ARM) e inibidores de SGLT2 demonstrou reduzir a morbimortalidade, sendo a base da terapia.
A banca explora a confusão entre os perfis epidemiológicos da ICFEr e da ICFEp, além de inverter conceitos sobre prognóstico e tratamento. Guarde as diferenças-chave: sexo masculino e idade 50-70 anos para ICFEr; sexo feminino e idosos para ICFEp. A HAS e a DAC são causas maiores de ICFEr. O prognóstico é desfavorável, e os betabloqueadores são recomendados.
ICFEr: Epidemiologia (Mais comum em homens, Faixa etária 50–70 anos); Principais causas (Cardiopatia isquêmica (DAC), Hipertensão arterial, Cardiomiopatias não isquêmicas); Prognóstico (Reservado, Sobrevida 5 anos reduzida); Tratamento (Betabloqueadores, IECA/BRA, ARM, Inibidores de SGLT2)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A ICFEr é mais comum em homens, não em mulheres. A alternativa inverte o dado epidemiológico. A ICFEp, por outro lado, é mais prevalente no sexo feminino e em idosos. A banca troca o perfil de sexo entre os dois tipos de IC.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A hipertensão arterial é uma das principais causas da ICFEr. A HAS induz sobrecarga pressórica crônica, levando a hipertrofia ventricular esquerda e, posteriormente, a dilatação e disfunção sistólica, contribuindo para a progressão da doença. A alternativa está correta ao afirmar que a HAS é uma causa importante e que contribui para a progressão da ICFEr.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A ICFEr tem prognóstico desfavorável, com taxas de sobrevivência reduzidas em cinco anos. A alternativa inverte o prognóstico, afirmando que é favorável e com taxas elevadas de sobrevivência. A mortalidade e as hospitalizações são frequentes, especialmente em pacientes com FEVE muito baixa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A doença arterial coronariana (DAC) é a principal causa de ICFEr, sendo responsável por cerca de 60% das admissões por IC nos EUA. A alternativa afirma que não é um fator de risco significativo, o que é totalmente incorreto. A cardiomiopatia isquêmica é a etiologia mais comum.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Os betabloqueadores são recomendados e fazem parte do tratamento padrão da ICFEr, pois reduzem a mortalidade e as hospitalizações. A alternativa afirma que não são recomendados, o que contraria as diretrizes de cardiologia. O uso de betabloqueadores é uma das principais intervenções farmacológicas na ICFEr.