Teste Ergométrico: Indicações na População Adulta
Gabarito: letra B. O teste ergométrico é o exame de escolha para o diagnóstico de doença arterial coronariana (DAC) em pacientes sintomáticos com probabilidade pré-teste intermediária (risco de 10 a 90%), pois é nessa faixa que o exame agrega maior valor diagnóstico — um teste positivo em baixa probabilidade não aumenta significativamente a chance pós-teste, e um negativo em alta probabilidade não a diminui. Essa é a recomendação clássica das diretrizes de cardiologia (ACC/AHA e diretrizes brasileiras).
O teste ergométrico (TE) é um método não invasivo que avalia a resposta cardiovascular ao esforço, sendo utilizado para diagnóstico, prognóstico e avaliação da capacidade funcional. A capacidade funcional, medida pelo consumo máximo de oxigênio (VO2 máx) ou em equivalentes metabólicos (METs), é um marcador fundamental de saúde e define metas terapêuticas. O TE é indicado principalmente para:
Diagnóstico de DAC em pacientes com dor torácica e probabilidade pré-teste intermediária;
Avaliação prognóstica em pacientes com angina crônica estável ou após infarto agudo do miocárdio;
Avaliação de arritmias induzidas por exercício;
Avaliação de isquemia após revascularização miocárdica.
A probabilidade pré-teste é calculada com base na descrição da angina (típica, atípica ou não anginosa) e em fatores de risco. A angina típica tem três componentes: dor subesternal, provocada por esforço e aliviada por repouso ou nitroglicerina. Pacientes com todos os três têm angina típica; com dois, atípica; com um ou nenhum, dor torácica não anginosa. A probabilidade pré-teste intermediária é definida como risco de 10 a 90%.
O TE é contraindicado em situações de alto risco, como síndromes coronarianas agudas, hipertensão arterial sistêmica grave (PA > 220/110 mmHg), estenose aórtica grave (área valvar < 1 cm²), insuficiência cardíaca descompensada, bloqueios atrioventriculares avançados, arritmias potencialmente malignas, miocardite ou pericardite agudas, miocardiopatia hipertrófica obstrutiva grave e doença sistêmica aguda.
A banca explora a confusão entre indicações e contraindicações, e entre os diferentes cenários clínicos. A alternativa correta é a que reconhece a indicação clássica do TE em pacientes com probabilidade pré-teste intermediária para DAC. As demais alternativas apresentam situações em que o TE não é o exame de escolha ou é contraindicado.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o TE está indicado em pacientes com suspeita de lesão de TCE (tronco de coronária esquerda) ou equivalente conhecido sintomático. Isso está errado: a suspeita de lesão de TCE é uma contraindicação relativa ao TE, pois o esforço pode precipitar isquemia grave e complicações. Nesses casos, a investigação deve ser feita por métodos de imagem (como angiotomografia ou cineangiocoronariografia), não por teste de esforço. O TE é indicado para probabilidade pré-teste intermediária, não para lesão de TCE conhecida ou suspeita.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta. Pacientes com probabilidade pré-teste intermediária para DAC (risco de 10 a 90%) têm indicação de realizar teste ergométrico. Isso porque, nessa faixa, o exame agrega maior valor diagnóstico: um teste positivo aumenta significativamente a probabilidade pós-teste, e um teste negativo a diminui. Em baixa probabilidade, um teste positivo não aumenta muito a chance; em alta, um negativo não a diminui. Essa é a recomendação das diretrizes de cardiologia.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que paciente portador de bloqueio de ramo esquerdo deve realizar teste ergométrico. Isso está errado: o bloqueio de ramo esquerdo (BRE) é uma contraindicação relativa ao TE para diagnóstico de DAC, pois as alterações do segmento ST induzidas pelo esforço são inespecíficas e não permitem interpretação adequada de isquemia. Nesses casos, deve-se optar por métodos de imagem (como cintilografia ou ecocardiograma de estresse). O TE pode ser usado para avaliação de capacidade funcional, mas não para diagnóstico de DAC.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que paciente portador de marcapasso pode fazer teste ergométrico para avaliação de DAC. Isso está errado: o marcapasso, assim como o BRE, impede a interpretação adequada do segmento ST durante o esforço, tornando o TE pouco útil para diagnóstico de DAC. Nesses pacientes, a avaliação de isquemia deve ser feita por métodos de imagem. O TE pode ser usado para avaliar a resposta cronotrópica e a capacidade funcional, mas não para diagnóstico de DAC.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que na presença de síndrome de Wolff-Parkinson-White (WPW), o teste ergométrico fornece informações sobre isquemia e avaliação da capacidade funcional. Isso está parcialmente correto, mas a banca considera incorreta porque, na WPW, o TE não é indicado para avaliação de isquemia, pois as alterações do segmento ST são inespecíficas e podem ser mascaradas pela pré-excitação. O TE pode ser usado para avaliar a capacidade funcional, mas não para diagnóstico de isquemia. Além disso, a WPW pode ser uma contraindicação relativa em alguns casos, dependendo da presença de arritmias.
Gabarito: letra B