Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — Quadrix 2024
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg355389
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista
Um médico foi chamado para avaliação cardiológica periprocedimento de um paciente de 60 anos de idade, do sexo masculino, acometido por hipertensão arterial sistêmica e há 20 anos em uso de enalapril e de anlodipino. O paciente estava assintomático no momento, em uso regular das medicações. Encontrava‑se, também, em programação de realização de cirurgia de catarata. Trouxe exames laboratoriais sem alterações significativas e eletrocardiograma em ritmo sinusal.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta as recomendações adequadas a serem dadas para esse paciente.
AO paciente precisa ser orientado a suspender os anti‑hipertensivos 48 horas antes da cirurgia.
BO paciente necessita de uma prova funcional antes da cirurgia.
CO risco perioperatório é de 5%.
DPacientes em uso crônico de enalapril e anlodipino podem ter a medicação mantida no perioperatório.
EO paciente tem recomendação para a realização do teste ergométrico no pré‑operatório.
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GabaritoD — Pacientes em uso crônico de enalapril e anlodipino podem ter a medicação mantida no perioperatório.
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Avaliação cardiológica perioperatória em cirurgia de catarata
Gabarito: letra D. Pacientes em uso crônico de enalapril (IECA) e anlodipino (bloqueador de canal de cálcio) podem manter a medicação no perioperatório de cirurgia de catarata, pois se trata de procedimento de baixo risco, e a recomendação de suspensão de IECA/BRA por 24 horas antes da cirurgia não cardíaca se aplica a cirurgias de maior porte, não à cirurgia de catarata. A alternativa D está correta porque reflete a conduta adequada para esse cenário específico.
A avaliação cardiológica perioperatória visa estratificar o risco do paciente e otimizar o manejo clínico para reduzir complicações. O paciente em questão tem 60 anos, hipertensão arterial sistêmica controlada em uso regular de enalapril e anlodipino, está assintomático, com exames laboratoriais sem alterações e ECG em ritmo sinusal. A cirurgia de catarata é classificada como procedimento de baixo risco cirúrgico, conforme as diretrizes de avaliação cardíaca perioperatória. Nesse contexto, não há indicação de exames complementares adicionais, como prova funcional ou teste ergométrico, pois o paciente não apresenta sintomas cardiovasculares e a cirurgia é de baixo risco.
A questão central é o manejo das medicações anti-hipertensivas no perioperatório. As diretrizes do ACC/AHA recomendam a descontinuação de IECA e BRA por 24 horas antes de cirurgia não cardíaca de maior porte, devido ao risco de hipotensão após a indução anestésica. No entanto, para cirurgias de baixo risco, como a de catarata, a manutenção dessas medicações é segura e recomendada, pois o risco de hipotensão é menor e a suspensão poderia levar a descontrole pressórico. O anlodipino, por ser um bloqueador de canal de cálcio de longa duração, também pode ser mantido, pois não há evidência de aumento de risco perioperatório.
A cirurgia de catarata é um procedimento oftalmológico de baixo risco, geralmente realizado com anestesia local e sedação, sem necessidade de avaliação cardiológica extensa em pacientes assintomáticos e estáveis. A realização de prova funcional ou teste ergométrico no pré-operatório não é indicada para pacientes assintomáticos submetidos a cirurgia de baixo risco, conforme as diretrizes de avaliação cardíaca perioperatória. O risco perioperatório de eventos cardiovasculares em cirurgia de catarata é baixo, inferior a 1%, e não há recomendação de suspensão de anti-hipertensivos 48 horas antes do procedimento.
A pegadinha da questão está na tentativa de generalizar a recomendação de suspensão de IECA/BRA para todas as cirurgias não cardíacas, quando na verdade essa recomendação se aplica a cirurgias de maior porte, não a procedimentos de baixo risco como a cirurgia de catarata. O candidato deve estar atento à classificação de risco cirúrgico e à individualização do manejo medicamentoso.
Avaliação perioperatória: Risco cirúrgico (Baixo (catarata), Alto (maior porte)); IECA/BRA (Cirurgia de baixo risco: mantém, Cirurgia de maior porte: suspende 24h); Anlodipino (BCC) (Mantém no perioperatório); Exames complementares (Sem indicação em baixo risco e assintomático)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o paciente precisa suspender os anti-hipertensivos 48 horas antes da cirurgia. Isso está incorreto, pois não há recomendação de suspensão de anti-hipertensivos 48 horas antes de cirurgia de catarata. A suspensão de IECA/BRA é recomendada apenas 24 horas antes de cirurgias de maior porte, e mesmo assim não é uma regra absoluta. No caso de cirurgia de catarata, a manutenção das medicações é segura e recomendada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o paciente necessita de uma prova funcional antes da cirurgia. Isso está incorreto, pois a prova funcional não é indicada para pacientes assintomáticos submetidos a cirurgia de baixo risco, como a de catarata. A realização de prova funcional é reservada para pacientes com sintomas cardiovasculares ou alto risco cirúrgico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o risco perioperatório é de 5%. Isso está incorreto, pois o risco perioperatório de eventos cardiovasculares em cirurgia de catarata é baixo, inferior a 1%. O valor de 5% não corresponde ao risco real desse procedimento.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que pacientes em uso crônico de enalapril e anlodipino podem ter a medicação mantida no perioperatório. Isso está correto, pois a cirurgia de catarata é de baixo risco e a manutenção dessas medicações é segura e recomendada. A suspensão de IECA/BRA é recomendada apenas para cirurgias de maior porte, não para procedimentos de baixo risco.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o paciente tem recomendação para a realização do teste ergométrico no pré-operatório. Isso está incorreto, pois o teste ergométrico não é indicado para pacientes assintomáticos submetidos a cirurgia de baixo risco, como a de catarata. A realização de teste ergométrico é reservada para pacientes com sintomas cardiovasculares ou alto risco cirúrgico.