Questão de Medicina — Cirurgia Geral — Quadrix 2024
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg355410
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Mastologia
Acerca da cirurgia bariátrica, assinale a alternativa correta.
ACirurgia bariátrica – deve ser reconhecida como tratamento possível e eficaz para o diabetes tipo 2 em pacientes com IMC maior ou igual a 35 kg/m², de acordo com o conceito de que a melhor maneira de prevenir e tratar o diabetes tipo 2 é por meio da perda de peso.
BGastrectomia vertical – como efeito principal, leva à saciedade mais precoce, porém é associada à má absorção lipídica e calórica, causando maior incidência de efeitos adversos, como diarreia, flatus fétidos e desnutrição.
CTécnica de Scopinaro – caracterizado por uma gastrectomia horizontal, pela exclusão de todo o jejuno e parte do íleo (2,5 metros) e pela criação de uma alça intestinal comum de 50 cm. É indicada para pacientes de alto risco com obesidade grave.
DBanda gástrica ajustável – pode ser utilizada como método auxiliar para a perda de peso, sendo cada vez mais empregada devido ao grau elevado de perda de peso que propicia aos pacientes, porém só pode ser utilizada por seis meses.
EBalão intragástrico – procedimento simples, bem tolerado, com perda de peso significativo e duradouro.
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GabaritoA — Cirurgia bariátrica – deve ser reconhecida como tratamento possível e eficaz para o diabetes tipo 2 em pacientes com IMC maior ou igual a 35 kg/m², de acordo com o conceito de que a melhor maneira de prevenir e tratar o diabetes tipo 2 é por meio da perda de peso.
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Cirurgia Bariátrica: Tratamento do Diabetes Tipo 2 e Técnicas Cirúrgicas
Gabarito: letra A. A cirurgia bariátrica é reconhecida como tratamento eficaz para o diabetes tipo 2 em pacientes com IMC ≥ 35 kg/m², pois a perda de peso é o principal mecanismo para prevenir e tratar a doença. As demais alternativas contêm erros conceituais sobre as técnicas cirúrgicas, como a gastrectomia vertical, a técnica de Scopinaro, a banda gástrica e o balão intragástrico.
A cirurgia bariátrica é um conjunto de procedimentos que visa à perda de peso em pacientes com obesidade grave, atuando por mecanismos de restrição gástrica, má absorção ou uma combinação de ambos. O tratamento cirúrgico é indicado para adultos com obesidade classe 3 (IMC ≥ 40 kg/m²) e pode ser considerado para pacientes com IMC entre 35 e 40 kg/m² quando há comorbidades de alto risco, como diabetes tipo 2 não controlado. A eficácia da cirurgia no controle do diabetes está diretamente relacionada à perda de peso, que melhora a sensibilidade à insulina e pode levar à remissão da doença. Estudos demonstram que a cirurgia bariátrica é superior ao tratamento clínico intensivo para induzir a remissão do diabetes e reduzir o uso de medicamentos hipoglicemiantes.
As principais técnicas cirúrgicas são a derivação gástrica em Y de Roux (DGYR), a gastrectomia vertical (GV) e a banda gástrica ajustável laparoscópica (BGAL). A DGYR combina restrição gástrica com má absorção, enquanto a GV é predominantemente restritiva e a BGAL é um procedimento puramente restritivo. Cada técnica tem seus próprios mecanismos de ação, benefícios e riscos. A escolha da técnica depende de fatores como o perfil do paciente, a gravidade da obesidade e a presença de comorbidades.
A perda de peso após a cirurgia bariátrica é significativa e duradoura, mas varia conforme a técnica. A DGYR proporciona uma perda de cerca de 31% do peso original após 1 ano, enquanto a GV leva a uma perda de 25% e a BGAL a 13%. A BGAL, embora reversível, está associada a uma menor perda de peso e a um maior risco de reganho de peso em comparação com as outras técnicas. Além disso, a cirurgia bariátrica pode levar a complicações como síndrome de dumping, desnutrição e necessidade de novas intervenções cirúrgicas.
A questão explora o conhecimento sobre as indicações e os mecanismos das diferentes técnicas bariátricas. A alternativa correta destaca o papel da cirurgia no tratamento do diabetes tipo 2, enquanto as alternativas incorretas apresentam informações equivocadas sobre os efeitos e as características de cada procedimento. É fundamental compreender as diferenças entre as técnicas para identificar a alternativa correta.
Técnica Cirúrgica
Mecanismo de Ação
Efeito Principal
Perda de Peso (1 ano)
Característica/Indicação
Derivação Gástrica em Y de Roux (DGYR)
Restritivo + má absorção
Saciedade precoce e redução da absorção
~31% do peso original
Combina restrição e má absorção; pode causar síndrome de dumping e desnutrição
Gastrectomia Vertical (GV)
Predominantemente restritivo
Saciedade precoce (redução do volume gástrico)
~25% do peso original
Não causa má absorção lipídica/calórica significativa
Banda Gástrica Ajustável (BGAL)
Puramente restritivo
Saciedade precoce
~13% do peso original
Reversível; menor perda de peso e maior risco de reganho
Técnica de Scopinaro (Derivação Biliopancreática)
Restritivo + má absorção (exclusão intestinal)
Redução da absorção de nutrientes
—
Procedimento complexo, com maior morbidade; não indicado para pacientes de alto risco
Balão Intragástrico
Ocupação de espaço no estômago
Saciedade precoce
Significativa, porém temporária
Dispositivo temporário (geralmente 6 meses); perda de peso não é duradoura após remoção
Cirurgia bariátrica: Indicação (IMC ≥ 40, IMC 35–40 + comorbidade, Diabetes tipo 2 (IMC ≥ 35)); Técnicas restritivas (Gastrectomia vertical, Banda gástrica ajustável, Balão intragástrico (temporário)); Técnicas mistas (Derivação gástrica em Y de Roux, Derivação biliopancreática (Scopinaro))
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A cirurgia bariátrica é reconhecida como tratamento eficaz para o diabetes tipo 2 em pacientes com IMC ≥ 35 kg/m². A perda de peso é o principal mecanismo para prevenir e tratar o diabetes, pois melhora o controle glicêmico e pode levar à remissão da doença. Essa indicação é respaldada por diretrizes e estudos que demonstram a superioridade da cirurgia em relação ao tratamento clínico para pacientes com obesidade e diabetes não controlado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A gastrectomia vertical (GV) é um procedimento predominantemente restritivo, que promove saciedade precoce ao reduzir o volume gástrico. No entanto, a afirmativa de que ela causa má absorção lipídica e calórica está incorreta, pois a GV não envolve derivação intestinal e, portanto, não causa má absorção significativa. Os efeitos adversos como diarreia, flatus fétidos e desnutrição são mais associados a procedimentos com componente de má absorção, como a DGYR.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A técnica de Scopinaro, também conhecida como derivação biliopancreática, envolve uma gastrectomia horizontal, exclusão de grande parte do intestino delgado e criação de uma alça comum curta. No entanto, a descrição apresentada na alternativa está incorreta: a exclusão não é de todo o jejuno e parte do íleo, e a alça comum não é de 50 cm. Além disso, a técnica de Scopinaro não é indicada para pacientes de alto risco com obesidade grave, pois é um procedimento complexo e com maior morbidade.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A banda gástrica ajustável é um procedimento restritivo que pode ser utilizado como método auxiliar para a perda de peso. No entanto, a afirmativa de que ela é cada vez mais empregada devido ao grau elevado de perda de peso está incorreta, pois a BGAL está associada a uma perda de peso menor em comparação com outras técnicas, como a DGYR e a GV. Além disso, a banda não é utilizada por apenas seis meses; ela é um dispositivo permanente que pode ser ajustado ao longo do tempo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O balão intragástrico é um procedimento endoscópico que ocupa espaço no estômago, promovendo saciedade e perda de peso. No entanto, a afirmativa de que a perda de peso é duradoura está incorreta, pois o balão é um dispositivo temporário, que deve ser removido após um período de tratamento (geralmente 6 meses). A perda de peso obtida com o balão pode ser significativa, mas não é duradoura após a sua remoção, sendo necessário manter mudanças no estilo de vida para evitar o reganho de peso.