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Questão de Medicina — Gastroenterologia — Quadrix 2024

MedicinaGastroenterologia
Código
qg355415
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Medicina Intensiva Pediátrica
Paciente no primeiro pós‑operatório de transplante hepático apresenta elevação das transaminases, coagulopatia e acidose metabólica.Com base nessa situação hipotética, a conduta para o diagnóstico deve ser
  1. Aultrassonografia com Doppler de vasos hepáticos.
  2. Bbiópsia hepática.
  3. Ctomografia computadorizada de abdome sem contraste venoso.
  4. Dcolangiografia endoscópica retrógrada.
  5. Ebiópsia hepática com avaliação histopatológica e pesquisa de vírus hepatotrópicos.
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GabaritoA — ultrassonografia com Doppler de vasos hepáticos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Disfunção do enxerto hepático no pós-operatório: abordagem diagnóstica

Gabarito: letra A. No primeiro pós-operatório de transplante hepático, a elevação das transaminases, a coagulopatia e a acidose metabólica levantam a suspeita de complicação vascular do enxerto, e o exame inicial de escolha é a ultrassonografia com Doppler dos vasos hepáticos, que avalia a perviedade da artéria hepática, da veia porta e das veias hepáticas. A conduta diagnóstica imediata prioriza um método não invasivo, rápido e disponível à beira do leito, capaz de detectar trombose ou estenose vascular — a causa mais grave e urgente nesse cenário.

A disfunção precoce do enxerto hepático é uma emergência médica. As causas mais temidas nas primeiras horas e dias após o transplante são as complicações vasculares, especialmente a trombose da artéria hepática, que pode levar à necrose biliar e à perda do enxerto. O quadro clínico é inespecífico: elevação das aminotransferases, piora da função de síntese (refletida na coagulopatia, com aumento do INR) e acidose metabólica, que indica hipoperfusão tecidual ou falência hepática aguda. Diante desse cenário, o raciocínio diagnóstico deve seguir uma sequência lógica: primeiro, excluir ou confirmar complicação vascular com exame de imagem; depois, se necessário, partir para métodos invasivos.

A ultrassonografia com Doppler é o exame de triagem ideal porque é não invasiva, não utiliza contraste iodado (evitando nefrotoxicidade em um paciente já vulnerável), pode ser realizada à beira do leito e avalia diretamente o fluxo sanguíneo nos vasos do enxerto. A trombose da artéria hepática, por exemplo, manifesta-se pela ausência de fluxo diastólico ou pela ausência completa de sinal Doppler na artéria. A trombose de veia porta ou das veias hepáticas também pode ser identificada. Quando o Doppler é inconclusivo ou há forte suspeita clínica, a angiotomografia ou a angiorressonância podem complementar, mas a US com Doppler é o primeiro passo.

A biópsia hepática, embora seja o padrão-ouro para o diagnóstico de rejeição, não é o primeiro exame a ser solicitado. Ela é invasiva, tem risco de sangramento (agravado pela coagulopatia) e não avalia diretamente a vasculatura. Além disso, a rejeição celular aguda costuma se manifestar após a primeira semana, sendo menos provável no primeiro dia de pós-operatório. A tomografia sem contraste não avalia adequadamente o fluxo vascular, e a colangiografia endoscópica retrógrada é indicada para complicações biliares, não para o quadro descrito. A alternativa E, que associa biópsia à pesquisa de vírus hepatotrópicos, também não é a conduta inicial, pois a hepatite viral aguda não é uma causa plausível de disfunção tão precoce.

O ponto central que separa as alternativas é a urgência e a natureza do exame inicial: em um paciente com disfunção aguda do enxerto, a primeira preocupação é a viabilidade vascular, e o Doppler é o exame que responde a essa pergunta de forma rápida e segura. A biópsia e os exames para hepatites virais entram no algoritmo diagnóstico apenas após a exclusão de causas vasculares e em um segundo momento, quando a hipótese de rejeição ou de doença recorrente se fortalece.

  1. 1Suspeita clínica (transaminases, coagulopatia, acidose)
  2. 2US com Doppler (exclui complicação vascular)
  3. 3Angio-TC/RM se Doppler inconclusivo
  4. 4Biópsia (rejeição, após excluir vascular)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A ultrassonografia com Doppler de vasos hepáticos é o exame inicial de escolha na avaliação de disfunção do enxerto no pós-operatório imediato. Ela permite avaliar a perviedade e o fluxo da artéria hepática, da veia porta e das veias hepáticas, sendo o método não invasivo mais sensível para detectar trombose ou estenose vascular — a principal causa de disfunção precoce e a mais grave. O exame é rápido, disponível à beira do leito e não expõe o paciente a contraste iodado ou radiação, o que o torna ideal nesse cenário.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A biópsia hepática é o padrão-ouro para o diagnóstico de rejeição, mas não é a conduta inicial na disfunção aguda do enxerto. Ela é invasiva, apresenta risco de sangramento (especialmente em um paciente com coagulopatia) e não avalia a vasculatura. Além disso, a rejeição celular aguda é menos comum no primeiro dia de pós-operatório, sendo mais frequente após a primeira semana. A biópsia deve ser considerada após a exclusão de causas vasculares por imagem.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A tomografia computadorizada de abdome sem contraste venoso não avalia adequadamente o fluxo sanguíneo dos vasos hepáticos, que é a principal preocupação nesse cenário. Sem contraste, não é possível identificar trombose arterial ou venosa com segurança. A TC com contraste poderia ser útil em casos selecionados, mas a US com Doppler é o exame inicial preferido por ser mais rápida, não invasiva e não utilizar radiação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A colangiografia endoscópica retrógrada (CPRE) é indicada para o diagnóstico e tratamento de complicações biliares, como estenoses, fístulas ou coledocolitíase. No quadro descrito, com elevação de transaminases, coagulopatia e acidose metabólica, a suspeita principal é de complicação vascular ou disfunção primária do enxerto, não biliar. A CPRE é um exame invasivo e não deve ser a primeira escolha diagnóstica nesse contexto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A biópsia hepática com avaliação histopatológica e pesquisa de vírus hepatotrópicos não é a conduta inicial. A hepatite viral aguda não é uma causa plausível de disfunção tão precoce do enxerto (no primeiro dia de pós-operatório), e a biópsia é invasiva e não avalia a vasculatura. A pesquisa de vírus hepatotrópicos pode ser útil em um segundo momento, mas não substitui a avaliação vascular imediata por Doppler.

Gabarito: letra A — a ultrassonografia com Doppler de vasos hepáticos é o exame inicial de escolha para investigar disfunção do enxerto no pós-operatório imediato de transplante hepático, por ser não invasiva, rápida e capaz de detectar complicações vasculares, a causa mais grave e urgente nesse cenário.

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