De acordo com a Resolução do Conselho Federal de Medicina nº 2.173/2017, que define os critérios do diagnóstico de morte encefálica, assinale a alternativa correta.
AQuando utilizados fármacos com ação depressora do sistema nervoso central, na presença de insuficiência hepática ou renal, o eletroencefalograma é o exame complementar de escolha.
BNa preparação para o teste de apneia, deve‑se ventilar com FiO2 100% por, no mínimo, 10 minutos, tendo como meta atingir PaO2 ≥ 200 mmHg e PaCO2 entre 35 e 45 mmHg.
CO teste de apneia deve ser realizado em dois momentos, ao final de cada exame clínico, quando são avaliados os reflexos do tronco cerebral.
DA técnica de pressurização positiva contínua da via aérea (CPAP) não deve ser realizada como alternativa ao cateter de O2 6 L/min no teste de apneia.
EO eletroencefalograma (EEG) deve ser realizado como o único exame complementar para diagnosticar a morte encefálica, independentemente da presença de fármacos ou condições clínicas.
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GabaritoB — Na preparação para o teste de apneia, deve‑se ventilar com FiO2 100% por, no mínimo, 10 minutos, tendo como meta atingir PaO2 ≥ 200 mmHg e PaCO2 entre 35 e 45 mmHg.
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Diagnóstico de Morte Encefálica – Resolução CFM nº 2.173/2017
Gabarito: letra B. A alternativa correta descreve a preparação para o teste de apneia conforme a Resolução do CFM nº 2.173/2017: ventilar com FiO2 100% por, no mínimo, 10 minutos, com meta de PaO2 ≥ 200 mmHg e PaCO2 entre 35 e 45 mmHg. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre os exames complementares e a execução do teste de apneia.
A morte encefálica (ME) é definida como a interrupção completa e irreversível das funções encefálicas, mesmo na presença de atividade cardíaca. O diagnóstico no Brasil segue rigorosamente a Resolução CFM nº 2.173/2017, que estabelece critérios técnicos, regulamentares e jurídicos. O protocolo exige: dois exames clínicos por médicos diferentes, confirmando coma não perceptivo, ausência de resposta motora supraespinhal e ausência de reflexos de tronco cerebral; um teste de apneia que comprove a ausência de movimentos respiratórios após estimulação dos centros respiratórios; e um exame complementar que demonstre ausência de atividade encefálica.
O teste de apneia é uma etapa crucial. Antes de iniciá-lo, o paciente deve ser ventilado com oxigênio a 100% por um período mínimo para garantir uma reserva adequada de oxigênio e uma PaCO2 basal dentro da faixa normal. A meta de PaCO2 entre 35 e 45 mmHg assegura que o estímulo respiratório inicial seja adequado, e a PaO2 ≥ 200 mmHg previne hipoxemia durante o período de apneia. O teste é considerado positivo na ausência de movimentos respiratórios e com PaCO2 > 55 mmHg. Se a PaCO2 for < 55 mmHg, o teste é inconclusivo. Se houver movimentos respiratórios, o teste é negativo. Durante o teste, o paciente é desconectado do ventilador e uma cânula de O2 é inserida na traqueia para fornecer oxigenação passiva.
A escolha do exame complementar é individualizada. O eletroencefalograma (EEG) é um exame à beira-leito, não invasivo, mas pode apresentar falso-positivo em certas situações, como no coma barbitúrico ou na presença de fármacos depressores do sistema nervoso central (FDSNC). Nesses casos, deve-se preferir exames que avaliem o fluxo sanguíneo cerebral, como o Doppler transcraniano, a arteriografia cerebral ou a cintilografia cerebral. A angiotomografia e a angiorressonância não são autorizadas pelo CFM para o diagnóstico de ME. O EEG não é o único exame complementar e não deve ser utilizado em casos de uso de tiopental em infusão contínua.
A pegadinha central desta questão está na associação entre fármacos depressores do SNC e a escolha do exame complementar. A banca explora a confusão entre o EEG (que avalia atividade elétrica e pode ser falso-positivo) e os exames de fluxo sanguíneo cerebral (que são preferidos nesses casos). Além disso, o teste de apneia tem um protocolo específico de preparação e execução, que deve ser memorizado com precisão.
Guarde a fronteira entre os exames complementares e as condições clínicas: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Critério
Alternativa B (correta)
Alternativas A, C, D, E (incorretas)
Preparação para o teste de apneia
Ventilar com FiO2 100% por, no mínimo, 10 min; meta: PaO2 ≥ 200 mmHg e PaCO2 entre 35 e 45 mmHg
A: não descreve preparação; C: não menciona preparação; D: não menciona preparação; E: não menciona preparação
Exame complementar em uso de fármacos depressores do SNC
Não se aplica (a alternativa B trata apenas da preparação para apneia)
A: EEG (errado – preferir fluxo sanguíneo cerebral); E: EEG como único exame (errado – individualizado)
Número de execuções do teste de apneia
Não se aplica (a alternativa B não menciona)
C: dois momentos (errado – teste único)
Uso de CPAP no teste de apneia
Não se aplica (a alternativa B não menciona)
D: CPAP não deve ser usada (errado – CPAP é alternativa válida)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que, na presença de fármacos com ação depressora do SNC e insuficiência hepática ou renal, o eletroencefalograma é o exame complementar de escolha. Isso está errado: o EEG pode ser falso-positivo para ME em pacientes sob uso de FDSNC, pois o coma barbitúrico pode provocar achatamento do traçado. Nesses casos, deve-se preferir exames que avaliem o fluxo sanguíneo cerebral (Doppler transcraniano, arteriografia, cintilografia). A insuficiência hepática ou renal pode prolongar a meia-vida dos fármacos, aumentando o risco de falso-positivo do EEG.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve corretamente a preparação para o teste de apneia: ventilar com FiO2 100% por, no mínimo, 10 minutos, com meta de PaO2 ≥ 200 mmHg e PaCO2 entre 35 e 45 mmHg. Essa etapa garante uma reserva de oxigênio e um estímulo respiratório basal adequado antes de desconectar o paciente do ventilador.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o teste de apneia deve ser realizado em dois momentos, ao final de cada exame clínico. Isso está errado: o teste de apneia é realizado uma única vez, após a confirmação dos dois exames clínicos, e não em dois momentos. O protocolo exige dois exames clínicos por médicos diferentes, mas o teste de apneia é um procedimento único.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a técnica de CPAP não deve ser realizada como alternativa ao cateter de O2 6 L/min no teste de apneia. Isso está errado: a CPAP é uma alternativa válida. A técnica consiste em ajustar a válvula de CPAP para 10 cmH2O com fluxo de O2 12 L/min e FiO2 100%, observando o paciente por 8 a 10 minutos. O cateter de O2 6 L/min é outra opção, mas a CPAP é permitida.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o EEG deve ser realizado como o único exame complementar para diagnosticar a morte encefálica, independentemente da presença de fármacos ou condições clínicas. Isso está errado: o EEG não é o único exame complementar e não deve ser utilizado em todas as situações. Em pacientes sob uso de FDSNC, o EEG pode ser falso-positivo, e exames de fluxo sanguíneo cerebral são preferidos. A escolha do exame é individualizada.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o exame complementar de escolha em pacientes com fármacos depressores do SNC. O candidato pode pensar que o EEG é sempre o exame padrão, mas ele é contraindicado nesses casos por risco de falso-positivo. Lembre-se: FDSNC → preferir exames de fluxo sanguíneo cerebral.
PEGA ESSA DICA!
Memorize o protocolo do teste de apneia: FiO2 100% por 10 minutos, PaO2 ≥ 200 mmHg, PaCO2 35-45 mmHg, e o resultado positivo com PaCO2 > 55 mmHg. Essa sequência é frequentemente cobrada em provas de medicina intensiva e emergência.