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Questão de Medicina — Nefrologia — Quadrix 2024

MedicinaNefrologia
Código
qg355419
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Medicina Intensiva Pediátrica
Em paciente com lesão cerebral aguda e insuficiência renal aguda sob terapia de substituição renal (TSR), assinale a alternativa correta.
  1. AA ureia e os solutos acumulados não se difundem do compartimento do sangue para as células cerebrais.
  2. BO fluxo de água para o tecido cerebral, como resultado da redução da tonicidade do plasma em relação às células cerebrais, pode resultar em aumento da pressão intracraniana.
  3. CA síndrome do desequilíbrio pode ser evitada pela remoção progressiva e rápida de fluidos e solutos durante a TSR.
  4. DHavendo risco de hemorragia intracraniana, está recomendada anticoagulação endovenosa com citrato.
  5. EA remoção rápida de solutos na terapia de substituição renal pode reduzir o risco de edema cerebral em pacientes com lesão cerebral aguda.
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GabaritoB — O fluxo de água para o tecido cerebral, como resultado da redução da tonicidade do plasma em relação às células cerebrais, pode resultar em aumento da pressão intracraniana.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome do desequilíbrio e terapia de substituição renal na lesão cerebral aguda

Gabarito: letra B. Em paciente com lesão cerebral aguda e insuficiência renal aguda sob terapia de substituição renal (TSR), a alternativa correta descreve o mecanismo fisiopatológico da síndrome do desequilíbrio: a remoção rápida de solutos do plasma reduz a tonicidade plasmática em relação às células cerebrais, gerando fluxo de água para o tecido cerebral e potencial aumento da pressão intracraniana. Esse é o princípio que fundamenta a recomendação de TSR contínua (em vez de intermitente) nesses pacientes, conforme discutido na literatura de terapia intensiva e nefrologia.

A síndrome do desequilíbrio é uma complicação clássica da hemodiálise, especialmente em pacientes com uremia grave e início recente de diálise. O mecanismo central é a remoção rápida de ureia e outros solutos do compartimento extracelular (plasma), enquanto o cérebro, protegido pela barreira hematoencefálica, retém esses solutos por mais tempo. Isso cria um gradiente osmótico: o plasma fica hipotônico em relação ao tecido cerebral, e a água se desloca para o cérebro, causando edema cerebral e aumento da pressão intracraniana. Em pacientes com lesão cerebral aguda (traumatismo cranioencefálico, AVC, pós-parada cardíaca), esse edema adicional pode ser devastador, elevando a morbimortalidade.

A prevenção da síndrome do desequilíbrio envolve exatamente o oposto do que a alternativa C sugere: deve-se realizar a remoção de fluidos e solutos de forma lenta e gradual, não rápida. A TSR contínua é preferível à intermitente justamente por permitir essa redução gradual da osmolaridade plasmática, minimizando o gradiente osmótico entre plasma e cérebro. O texto de apoio confirma essa recomendação ao citar a terapia contínua como mais adequada em casos de edema cerebral, com "redução lenta e gradual da osmolaridade plasmática".

A alternativa E também erra ao afirmar que a remoção rápida de solutos reduz o risco de edema cerebral — na verdade, é o contrário: a remoção rápida aumenta o risco de edema cerebral, pois acentua o gradiente osmótico. A alternativa A está incorreta porque a ureia e outros solutos se difundem do sangue para as células cerebrais, embora de forma mais lenta que do plasma para o dialisato — é justamente essa retenção cerebral que gera o gradiente osmótico. A alternativa D está incorreta porque, em risco de hemorragia intracraniana, a anticoagulação sistêmica (incluindo citrato) deve ser evitada ou usada com extrema cautela; a TSR sem anticoagulação ou com anticoagulação regional com citrato pode ser considerada, mas não é uma recomendação absoluta de "anticoagulação endovenosa com citrato".

Guarde a fronteira entre remoção rápida versus lenta de solutos e o efeito sobre o gradiente osmótico: é exatamente nela que as alternativas se dividem.

  1. 1Remoção rápida de solutos do plasma
  2. 2Cérebro retém solutos (BHE)
  3. 3Gradiente osmótico plasma × cérebro
  4. 4Água flui para o tecido cerebral
  5. 5Edema cerebral e aumento da PIC
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a ureia e os solutos acumulados não se difundem do sangue para as células cerebrais. Isso é falso: a ureia se difunde do plasma para o cérebro, embora de forma mais lenta que do plasma para o dialisato. É justamente essa retenção cerebral de solutos que cria o gradiente osmótico responsável pela síndrome do desequilíbrio. A barreira hematoencefálica retarda, mas não impede, a difusão da ureia.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Descreve corretamente o mecanismo da síndrome do desequilíbrio: a remoção rápida de solutos do plasma reduz a tonicidade plasmática em relação às células cerebrais, gerando fluxo de água para o tecido cerebral e potencial aumento da pressão intracraniana. Esse é o princípio fisiopatológico central, confirmado pela recomendação de TSR contínua (redução lenta e gradual da osmolaridade) em pacientes com edema cerebral.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a síndrome do desequilíbrio pode ser evitada pela remoção progressiva e rápida de fluidos e solutos. O erro está em "rápida": a prevenção exige remoção lenta e gradual, não rápida. A remoção rápida acentua o gradiente osmótico e aumenta o risco de edema cerebral. A TSR contínua é preferida justamente por permitir essa redução gradual.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que, havendo risco de hemorragia intracraniana, está recomendada anticoagulação endovenosa com citrato. Isso é incorreto: em risco de hemorragia intracraniana, a anticoagulação sistêmica deve ser evitada ou usada com extrema cautela. A anticoagulação regional com citrato pode ser uma opção em alguns contextos, mas não é uma recomendação absoluta de "anticoagulação endovenosa com citrato". A conduta preferencial é TSR sem anticoagulação ou com anticoagulação regional, sempre individualizada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a remoção rápida de solutos na TSR pode reduzir o risco de edema cerebral. É o oposto: a remoção rápida aumenta o risco de edema cerebral, pois acentua o gradiente osmótico entre plasma e cérebro. A remoção lenta e gradual é que reduz o risco.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte o sentido da recomendação: troca "lenta e gradual" por "rápida" nas alternativas C e E, e ainda sugere anticoagulação com citrato na D. O candidato que memorizou a regra sem entender o mecanismo cai na armadilha. Lembre-se: o gradiente osmótico é o vilão — quanto mais rápida a remoção, maior o gradiente e maior o risco de edema cerebral.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de síndrome do desequilíbrio, foque no par "velocidade de remoção × gradiente osmótico": remoção rápida = gradiente alto = edema cerebral; remoção lenta = gradiente baixo = proteção. Essa lógica resolve a maioria das alternativas.

Gabarito: letra B

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