Assinale a alternativa correta quanto à ventilação em síndrome do desconforto respiratório agudo grave sob volume controlado.
AQuanto menor for o fluxo inspiratório, maior será a pressão alveolar.
BA pressão de pico inspiratório diminui com o aumento do fluxo inspiratório.
CQuanto maior for a pressão de distensão (driving pressure), menor será a mortalidade.
DQuanto menor for o volume corrente, menor será a pressão alveolar.
EQuanto maior for a pressão de pico inspiratório, maior será a pressão alveolar.
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GabaritoD — Quanto menor for o volume corrente, menor será a pressão alveolar.
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Ventilação Mecânica na SDRA: Pressões, Fluxo e Driving Pressure
Gabarito: letra D. Em ventilação volume-controlada (VCV), a pressão alveolar (estimada pela pressão de platô) é diretamente proporcional ao volume corrente e inversamente proporcional à complacência do sistema respiratório — ou seja, quanto menor o volume corrente, menor a pressão alveolar. Essa relação é o fundamento da ventilação protetora na SDRA, que preconiza volumes correntes baixos (4–8 mL/kg de peso predito) para limitar a pressão de platô a ≤ 30 cmH₂O e evitar a lesão pulmonar induzida pelo ventilador (VILI).
A SDRA é uma síndrome heterogênea, de elevada morbimortalidade, caracterizada por inflamação alveolar difusa, redução da complacência pulmonar e colapso de unidades alveolares — o chamado conceito de "baby lung". Nesse cenário, o volume corrente é distribuído predominantemente para as regiões pulmonares ainda saudáveis, e a complacência reduzida faz com que as pressões nas vias aéreas (e nos alvéolos) aumentem para um dado volume corrente. Por isso, a estratégia de ventilação protetora com baixos volumes correntes é o cuidado padrão, conforme demonstrado pelo estudo ARMA (ARDSNet, 2000), que reduziu a mortalidade ao comparar 6 mL/kg de peso predito com 12 mL/kg.
A pressão alveolar, na prática clínica, é estimada pela pressão de platô (Pplatô), obtida após uma pausa inspiratória que permite a redistribuição do fluxo e elimina a influência da resistência das vias aéreas. A relação entre pressão, volume e complacência é dada pela equação da mecânica respiratória: Pressão = Volume / Complacência. Em VCV, o volume corrente é fixado pelo ventilador; portanto, a pressão gerada (tanto a de pico quanto a de platô) depende da impedância do sistema respiratório. Quanto menor o volume corrente, menor será a pressão necessária para insuflar os pulmões, desde que a complacência permaneça constante. Essa é a lógica da ventilação protetora: reduzir o Vt para reduzir a Pplatô e, consequentemente, a pressão alveolar.
A driving pressure (ΔP), ou pressão de distensão, é a variação de pressão que ocorre em nível alveolar como consequência de um dado volume corrente, calculada por ΔP = Pplatô – PEEPtotal ou ΔP = Vc / Crs. Ela representa o estresse e a deformação a que os alvéolos são submetidos a cada ciclo respiratório. Estudos observacionais, como o de Amato et al. (2015), demonstraram que a ΔP é a variável que isoladamente apresenta a melhor correlação com o risco de óbito em pacientes com SDRA: quanto maior a driving pressure, maior a mortalidade. Por isso, recomenda-se evitar ΔP > 15 cmH₂O. A alternativa C inverte essa relação, afirmando que maior driving pressure levaria a menor mortalidade — exatamente o oposto do que a evidência mostra.
A pressão de pico inspiratório (Ppico) é a pressão máxima nas vias aéreas durante a inspiração e reflete tanto a resistência das vias aéreas quanto a complacência do sistema respiratório. Em VCV, a Ppico é influenciada pelo fluxo inspiratório: quanto maior o fluxo, maior a resistência ao fluxo (devido à turbulência e à resistência das vias aéreas) e, portanto, maior a Ppico. Por outro lado, a pressão alveolar (estimada pela Pplatô) é determinada principalmente pelo volume corrente e pela complacência, não pelo fluxo. Assim, a alternativa B está incorreta ao afirmar que a Ppico diminui com o aumento do fluxo — na verdade, ela aumenta. A alternativa A também está incorreta, pois afirma que menor fluxo inspiratório leva a maior pressão alveolar; na verdade, o fluxo não determina diretamente a pressão alveolar, e sim a pressão de pico.
A alternativa E afirma que quanto maior a pressão de pico inspiratório, maior a pressão alveolar. Embora haja uma correlação indireta (ambas podem aumentar com a piora da mecânica), a pressão de pico é influenciada pela resistência das vias aéreas, enquanto a pressão alveolar (platô) é determinada pela complacência e pelo volume corrente. Em situações de broncoespasmo, por exemplo, a Ppico pode estar muito elevada enquanto a Pplatô permanece relativamente normal. Portanto, a relação não é direta nem proporcional, tornando a alternativa E incorreta.
A alternativa D é a correta porque expressa a relação fundamental da mecânica respiratória em VCV: quanto menor o volume corrente, menor a pressão alveolar. Isso é exatamente o que a ventilação protetora explora — reduzir o Vt para limitar a Pplatô e, assim, minimizar o risco de VILI. Essa relação é direta e proporcional, desde que a complacência não se altere.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre pressão de pico e pressão alveolar (platô). A pressão de pico é influenciada pela resistência das vias aéreas e pelo fluxo inspiratório; a pressão alveolar (platô) é determinada pelo volume corrente e pela complacência. O candidato que não distingue esses conceitos tende a marcar a alternativa E, que parece plausível, mas não é a relação correta.
PEGA ESSA DICA!
Para resolver questões de ventilação mecânica, lembre-se da equação fundamental: Pressão = Volume / Complacência. Em VCV, o volume é fixo; portanto, a pressão alveolar (platô) varia diretamente com o volume e inversamente com a complacência. A pressão de pico, por sua vez, é a soma da pressão alveolar com a pressão necessária para vencer a resistência das vias aéreas (Ppico = Pplatô + Pressão resistiva). Guarde essa distinção e você acertará a maioria das questões sobre o tema.
Ventilação protetora (SDRA): Volume corrente baixo (4–8 mL/kg) (Menor pressão alveolar (platô), Menor risco de VILI); Pressão de platô (Pplatô) (Estima pressão alveolar, Alvo ≤ 30 cmH₂O); Driving pressure (ΔP) (ΔP = Pplatô − PEEP, Quanto menor, menor mortalidade); Pressão de pico (Ppico) (Ppico = Pplatô + pressão resistiva, Aumenta com fluxo inspiratório)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que "quanto menor for o fluxo inspiratório, maior será a pressão alveolar". Isso está errado porque a pressão alveolar (estimada pela Pplatô) é determinada pelo volume corrente e pela complacência, não pelo fluxo inspiratório. O fluxo inspiratório influencia a pressão de pico (quanto maior o fluxo, maior a resistência e maior a Ppico), mas não a pressão alveolar. Na verdade, com fluxo menor, o tempo inspiratório aumenta e a pressão de pico diminui, mas a pressão alveolar permanece essencialmente a mesma para um dado volume corrente.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que "a pressão de pico inspiratório diminui com o aumento do fluxo inspiratório". Isso é o oposto do que ocorre. Em VCV, o aumento do fluxo inspiratório aumenta a resistência ao fluxo nas vias aéreas (devido à turbulência), elevando a pressão de pico. A relação correta é: quanto maior o fluxo, maior a Ppico. Para reduzir a Ppico, deve-se diminuir o fluxo inspiratório, como mencionado no contexto: "Uma das maneiras de diminuir a pressão de pico é reduzir o fluxo inspiratório; com fluxo menor, o tempo inspiratório aumenta e a pressão gerada diminui."
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que "quanto maior for a pressão de distensão (driving pressure), menor será a mortalidade". Isso inverte a relação demonstrada pela literatura. A driving pressure (ΔP = Pplatô – PEEPtotal) é um marcador de estresse e deformação alveolar. Estudos observacionais, como o de Amato et al. (2015), mostraram que quanto maior a ΔP, maior a mortalidade em pacientes com SDRA. A recomendação é manter ΔP < 15 cmH₂O. Portanto, a alternativa está incorreta ao afirmar que maior ΔP reduz a mortalidade.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que "quanto menor for o volume corrente, menor será a pressão alveolar". Isso está correto e é o fundamento da ventilação protetora na SDRA. Em VCV, a pressão alveolar (estimada pela Pplatô) é diretamente proporcional ao volume corrente e inversamente proporcional à complacência. Reduzir o Vt (para 4–8 mL/kg de peso predito) reduz a Pplatô e, consequentemente, a pressão alveolar, minimizando o risco de VILI. Essa relação é a base do estudo ARMA (ARDSNet, 2000), que demonstrou redução de mortalidade com Vt de 6 mL/kg comparado a 12 mL/kg.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que "quanto maior for a pressão de pico inspiratório, maior será a pressão alveolar". Embora haja uma correlação indireta (ambas podem aumentar com a piora da mecânica respiratória), a relação não é direta nem proporcional. A pressão de pico é influenciada pela resistência das vias aéreas e pelo fluxo inspiratório, enquanto a pressão alveolar (platô) é determinada pelo volume corrente e pela complacência. Em situações como broncoespasmo, a Ppico pode estar muito elevada enquanto a Pplatô permanece relativamente normal. Portanto, a alternativa E não expressa a relação correta.
Gabarito: letra D — a única alternativa que expressa corretamente a relação entre volume corrente e pressão alveolar na ventilação volume-controlada.