Quanto à medida da pressão arterial (PA), assinale a alternativa correta.
AEm pacientes adultos e sob condições fisiológicas normais, a capacitância das artérias varia batimento a batimento.
BA pressão de perfusão é igualmente determinada pela PA sistólica e diastólica, devendo‑se considerar o valor médio para cálculos hemodinâmicos.
CNa presença de hipotensão arterial, pelo menos, um dos parâmetros a seguir está comprometido: volume sistólico; resistência vascular periférica; ou frequência cardíaca.
DA capacitância da parede arterial tem relação direta com a PA sistólica, o que explica a maior capacitância nos idosos.
EA pressão de perfusão pode ser calculada como a diferença entre a pressão arterial sistólica e diastólica, sem a necessidade de considerar a média.
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GabaritoC — Na presença de hipotensão arterial, pelo menos, um dos parâmetros a seguir está comprometido: volume sistólico; resistência vascular periférica; ou frequência cardíaca.
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Medida da pressão arterial: determinantes e fisiologia
Gabarito: letra C. Na hipotensão arterial, há comprometimento de pelo menos um dos três determinantes diretos da pressão arterial: volume sistólico, resistência vascular periférica ou frequência cardíaca. Isso decorre da relação fundamental PA = DC × RVS, em que o débito cardíaco (DC) é o produto do volume sistólico pela frequência cardíaca — portanto, a queda da PA exige a falha de um desses componentes.
A pressão arterial (PA) é a força exercida pelo sangue contra as paredes dos vasos, e sua função primordial é garantir a perfusão tecidual adequada. Os determinantes clássicos da PA são o débito cardíaco (DC) e a resistência vascular sistêmica (RVS), expressos na fórmula PAM = DC × RVS. O DC, por sua vez, é o produto do volume sistólico (VS) pela frequência cardíaca (FC): DC = VS × FC. Assim, a PA depende de três variáveis principais: VS, FC e RVS. Quando ocorre hipotensão, é obrigatório que ao menos um desses três parâmetros esteja comprometido — é uma consequência lógica da equação fisiológica.
A pressão arterial média (PAM) é a média ponderada entre a pressão sistólica (PAS) e a diastólica (PAD), em que a diastólica tem o dobro do peso, pois o ciclo cardíaco passa aproximadamente dois terços do tempo em diástole. A fórmula é PAM = PAD + (PAS − PAD)/3, ou, de forma equivalente, PAM = (PAS + 2 × PAD)/3. A PAM é o valor que representa a pressão de perfusão dos órgãos — é ela que deve ser usada nos cálculos hemodinâmicos, não a PAS ou a PAD isoladamente.
A capacitância arterial refere-se à capacidade dos grandes vasos de se distenderem e armazenarem sangue durante a sístole, amortecendo as oscilações de pressão. Essa propriedade depende da elasticidade da parede arterial, especialmente da aorta, rica em fibras elásticas. Com o envelhecimento, ocorre enrijecimento arterial — substituição de elastina por colágeno e deposição de cálcio —, o que reduz a complacência e aumenta a velocidade de propagação da onda de pulso. Isso explica por que os idosos apresentam elevação da PAS com alargamento da pressão de pulso, e não aumento da capacitância.
A distinção central que separa as alternativas é entre capacitância (propriedade elástica dos vasos, que se reduz com a idade) e resistência vascular periférica (tônus arteriolar, principal determinante da PAD). Além disso, é crucial diferenciar pressão de perfusão (representada pela PAM, que considera a média ponderada) da pressão de pulso (diferença entre PAS e PAD, que reflete a variação pulsátil). A banca explora exatamente essas confusões conceituais.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca conceitos fisiológicos que parecem semelhantes, mas são distintos. A alternativa D inverte a relação entre capacitância e idade (idosos têm menor capacitância, não maior), e a alternativa E confunde pressão de perfusão (que usa a média) com pressão de pulso (que é a diferença entre PAS e PAD). Fique atento a essas inversões — elas são o padrão clássico de distrator em questões de fisiologia cardiovascular.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a capacitância das artérias varia batimento a batimento em condições fisiológicas normais. Isso é falso: a capacitância é uma propriedade estrutural da parede arterial, determinada pela composição de elastina e colágeno, e permanece relativamente constante no curto prazo. O que varia batimento a batimento é o volume de sangue armazenado nos vasos durante a sístole, não a capacitância em si. A capacitância só se altera em processos crônicos, como o envelhecimento, que reduz a elasticidade.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que a pressão de perfusão é igualmente determinada pela PA sistólica e diastólica, devendo-se considerar o valor médio. O erro está em "igualmente determinada": a PAM é uma média ponderada, em que a diastólica tem o dobro do peso da sistólica, pois o coração permanece em diástole por aproximadamente dois terços do ciclo. A fórmula correta é PAM = PAD + (PAS − PAD)/3. A alternativa acerta ao mencionar o valor médio, mas erra ao afirmar que sistólica e diastólica têm pesos iguais.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a alternativa correta. A PA é determinada pelo produto do débito cardíaco pela resistência vascular sistêmica (PAM = DC × RVS), e o DC é o produto do volume sistólico pela frequência cardíaca (DC = VS × FC). Portanto, os três determinantes diretos da PA são: volume sistólico, frequência cardíaca e resistência vascular periférica. Na hipotensão arterial, é matematicamente obrigatório que pelo menos um desses parâmetros esteja comprometido — não há outra forma de a PA cair. Essa é uma consequência lógica da equação fisiológica, e não uma mera possibilidade clínica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a capacitância da parede arterial tem relação direta com a PA sistólica, explicando a maior capacitância nos idosos. Há dois erros: (1) a capacitância não tem relação direta com a PAS — o que aumenta a PAS é a rigidez arterial (menor capacitância), pois a onda de pulso propaga mais rápido e a onda refletida retorna mais cedo, amplificando a pressão sistólica; (2) idosos têm menor capacitância, não maior, devido ao enrijecimento arterial com substituição de elastina por colágeno. A alternativa inverte completamente a relação.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Diz que a pressão de perfusão pode ser calculada como a diferença entre a PA sistólica e diastólica, sem considerar a média. Isso é falso: a diferença entre PAS e PAD é a pressão de pulso (PP), que reflete a variação pulsátil da pressão, não a pressão de perfusão. A pressão de perfusão é representada pela PAM, que é a média ponderada (PAM = PAD + (PAS − PAD)/3). A alternativa confunde dois conceitos distintos e ainda afirma que a média não é necessária — exatamente o oposto do correto.
Gabarito: letra C — a única alternativa que descreve corretamente os determinantes da pressão arterial e sua relação com a hipotensão.