Em relação ao uso de dexmedetomidina, assinale a alternativa correta.
APaciente com disfunção renal, crônica ou aguda, necessita dose menor.
BA incidência de depressão respiratória aumenta significativamente com infusão mais prolongada que 24 horas.
CPode causar perda de tônus da musculatura orofaríngea, levando à obstrução de vias aéreas em paciente não intubado.
DProporciona sedação “consciente” sem propriedades analgésicas.
EA dexmedetomidina pode ser utilizada em pacientes com hipovolemia, sem ajuste de dose, por não afetar a pressão arterial.
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GabaritoC — Pode causar perda de tônus da musculatura orofaríngea, levando à obstrução de vias aéreas em paciente não intubado.
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Dexmedetomidina: perfil farmacológico e efeitos adversos
Gabarito: letra C. A dexmedetomidina, agonista α2-adrenérgico, pode causar perda de tônus da musculatura orofaríngea, levando à obstrução de vias aéreas em paciente não intubado — efeito adverso reconhecido, especialmente relevante em sedação para procedimentos. As demais alternativas distorcem o perfil do fármaco: não exige ajuste de dose por disfunção renal, não aumenta significativamente a depressão respiratória com infusão prolongada, possui propriedades analgésicas e afeta a pressão arterial (causa hipotensão).
A dexmedetomidina é um sedativo não benzodiazepínico, agonista seletivo dos adrenoceptores α2, amplamente utilizado em UTI e em sedação para procedimentos. Seu mecanismo sedativo ocorre pela ativação de adrenoceptores α2 pós-sinápticos no sistema nervoso central, enquanto o efeito analgésico decorre da inibição da liberação de noradrenalina na fenda pré-sináptica. Essa dupla ação confere ao fármaco um perfil único: sedação com analgesia, sem depressão respiratória significativa, o que permite despertar rápido do paciente para avaliação neurológica.
O fármaco apresenta distribuição rápida e meia-vida de aproximadamente 2 horas, permitindo rápida titulação. Por inibir a atividade simpática, associa-se a hipotensão e bradicardia — efeitos adversos importantes que exigem cautela em pacientes cardiopatas e hipovolêmicos. A bradicardia é um efeito particularmente relevante, sendo mais frequente que com outros sedativos como propofol e midazolam.
Na prática, a dexmedetomidina é utilizada em infusão contínua (0,2 a 1,4 mcg/kg/h), com início de ação em 5 minutos e duração de 2 horas. É útil para facilitar o acoplamento à ventilação não invasiva (VNI), no desmame da sedação e no controle de agitação. A associação com cetamina (ketodex) é considerada benéfica. Não se recomenda bolus do fármaco, e o uso deve ser cauteloso em cardiopatas.
A pegadinha central desta questão está na alternativa C: embora a dexmedetomidina seja conhecida por não causar depressão respiratória significativa, ela pode levar à obstrução de vias aéreas por perda de tônus da musculatura orofaríngea — um risco distinto, especialmente em paciente não intubado. Esse efeito é diferente da depressão respiratória central, e é exatamente essa distinção que a banca explora.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre "não causar depressão respiratória" e "não causar obstrução de vias aéreas". A dexmedetomidina preserva o drive respiratório, mas pode causar obstrução por perda de tônus da musculatura orofaríngea — um risco real em paciente não intubado. O candidato que associa "sem depressão respiratória" a "sem risco de obstrução" cai na alternativa incorreta.
Característica
Dexmedetomidina (correto)
Distorção nas alternativas incorretas
Função renal
Não exige ajuste de dose em disfunção renal (metabolismo hepático)
A: "necessita dose menor em disfunção renal"
Depressão respiratória
Não causa depressão respiratória significativa, mesmo em infusão prolongada
B: "aumenta com infusão > 24h"
Tônus de vias aéreas
Pode causar perda de tônus orofaríngeo → obstrução em não intubado
C: correta (gabarito)
Analgesia
Possui propriedades analgésicas (inibição da liberação de noradrenalina)
D: "sem propriedades analgésicas"
Pressão arterial
Causa hipotensão (inibição simpática); cautela em hipovolemia
E: "não afeta a pressão arterial"
Dexmedetomidina (agonista α2): Efeitos desejados (Sedação sem depressão respiratória, Analgesia, Despertar rápido); Efeitos adversos (Hipotensão e bradicardia, Obstrução de vias aéreas (tônus orofaríngeo)); Cuidados (Ajuste em disfunção hepática, Cautela em hipovolemia e cardiopatas, Evitar bolus)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A dexmedetomidina não exige ajuste de dose em disfunção renal, crônica ou aguda. Seu metabolismo é predominantemente hepático (glicuronidação e hidroxilação), e a excreção renal é mínima. Portanto, a afirmação de que "paciente com disfunção renal necessita dose menor" está incorreta. O ajuste de dose é mais relevante em disfunção hepática, não renal.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A dexmedetomidina é conhecida por não causar depressão respiratória significativa, mesmo com infusão prolongada. A afirmação de que "a incidência de depressão respiratória aumenta significativamente com infusão mais prolongada que 24 horas" é incorreta. Esse é um dos principais diferenciais do fármaco em relação a outros sedativos, como propofol e benzodiazepínicos.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A dexmedetomidina pode causar perda de tônus da musculatura orofaríngea, levando à obstrução de vias aéreas em paciente não intubado. Esse é um efeito adverso reconhecido, distinto da depressão respiratória central. Em sedação para procedimentos, a obstrução de via aérea é um risco relevante, especialmente em pacientes com fatores de risco adicionais. A alternativa está correta ao apontar esse efeito.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A dexmedetomidina possui propriedades analgésicas, além de sedativas. O efeito analgésico ocorre pela inibição da liberação de noradrenalina na fenda pré-sináptica. Portanto, a afirmação de que "proporciona sedação consciente sem propriedades analgésicas" é incorreta. O fármaco oferece sedação com analgesia, sendo útil em procedimentos dolorosos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A dexmedetomidina afeta a pressão arterial, causando hipotensão por inibição da atividade simpática. Em pacientes hipovolêmicos, o risco de hipotensão é ainda maior, e o uso deve ser cauteloso. A afirmação de que "pode ser utilizada em pacientes com hipovolemia, sem ajuste de dose, por não afetar a pressão arterial" é duplamente incorreta: afeta a pressão arterial e exige cautela em hipovolemia.