Quanto à disfunção aguda do ventrículo direito (VD), assinale a alternativa correta.
AComo os ventrículos funcionam em série, a pré‑carga do VD normalmente está diminuída.
BRaramente, ocorre em doentes submetidos à cirurgia cardíaca com circulação extracorpórea.
CO tratamento pode envolver vasodilatadores pulmonares, diuréticos, métodos dialíticos e reposição volêmica.
DA medida da pressão venosa central não tem valor para avaliação da pressão diastólica do VD no infarto agudo miocárdico.
EA presença de disfunção do ventrículo direito (VD) está sempre associada à disfunção do ventrículo esquerdo (VE) e à insuficiência circulatória global.
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GabaritoC — O tratamento pode envolver vasodilatadores pulmonares, diuréticos, métodos dialíticos e reposição volêmica.
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Disfunção Aguda do Ventrículo Direito (VD)
Gabarito: letra C. O tratamento da disfunção aguda do VD envolve otimizar a pré-carga, melhorar o inotropismo e reduzir a pós-carga, o que pode incluir vasodilatadores pulmonares, diuréticos, métodos dialíticos e reposição volêmica criteriosa. As demais alternativas contêm erros conceituais: a pré-carga do VD não está diminuída (A), a disfunção não é rara em cirurgia cardíaca (B), a PVC é um marcador importante (D) e a disfunção do VD não está sempre associada à do VE (E).
A disfunção aguda do ventrículo direito é uma condição clínica grave, frequentemente subdiagnosticada, que ocorre quando o VD não consegue bombear sangue adequadamente para a circulação pulmonar. O VD é uma câmara de paredes finas, adaptada para trabalhar contra uma baixa resistência (a circulação pulmonar). Quando essa resistência aumenta abruptamente — como no tromboembolismo pulmonar, na síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA) ou após cirurgia cardíaca — o VD dilata e falha.
O diagnóstico é essencialmente ecocardiográfico, com parâmetros como TAPSE < 17 mm, S' < 9,5 cm/s e FAC < 35%. O aumento da pressão venosa central (PVC) é o principal marcador clínico da disfunção ventricular direita, refletindo a incapacidade do VD de acomodar o retorno venoso.
O tratamento é um equilíbrio delicado. A pré-carga deve ser otimizada: níveis baixos de PVC prejudicam o enchimento do VD, mas níveis altos (> 12 mmHg) indicam que o VD está sobrecarregado e novas alíquotas de fluido devem ser evitadas. O inotropismo é melhorado com dobutamina ou milrinone (este último preferido por reduzir a resistência vascular pulmonar). A pós-carga é reduzida corrigindo-se hipoxemia, acidose e hipercapnia, e com vasodilatadores pulmonares como óxido nítrico inalatório, prostaciclinas ou sildenafil. Em casos refratários, considera-se suporte circulatório mecânico (ECMO).
A banca explora a confusão entre os ventrículos funcionando em série (o débito do VD é igual ao do VE) e a ideia de que a pré-carga do VD estaria diminuída. Na verdade, na disfunção aguda, a pré-carga do VD costuma estar elevada (aumento da PVC), e o problema é a incapacidade de lidar com ela. A distinção crucial é entre otimizar a pré-carga (não deixar nem baixa demais, nem alta demais) e simplesmente "diminuir" ou "aumentar" volume.
Guarde o tripé do tratamento — pré-carga, inotropismo e pós-carga — e a frase "otimizar a pré-carga" como o conceito-chave. É exatamente nesse equilíbrio que as alternativas se dividem.
Critério
Disfunção Aguda do VD (correto)
Erro conceitual nas demais alternativas
Pré-carga
Otimizada (nem baixa demais, nem alta demais); PVC costuma estar elevada
A: "normalmente diminuída" — falso
Ocorrência em cirurgia cardíaca
Complicação frequente (isquemia-reperfusão, inflamação, aumento da RVP)
Marcador importante da pressão diastólica do VD (elevada no infarto de VD)
D: "sem valor" — falso
Associação com disfunção do VE
Pode ocorrer disfunção isolada do VD (TEP maciço, infarto de VD)
E: "sempre associada ao VE" — falso
Disfunção aguda do VD
1Diagnóstico
Ecocardiograma (TAPSE, S', FAC)
PVC elevada (marcador clínico)
2Tratamento (tripé)
Otimizar pré-carga
Reposição volêmica criteriosa
Diuréticos / métodos dialíticos
Melhorar inotropismo
Dobutamina
Milrinone
Reduzir pós-carga
Corrigir hipoxemia/acidose
Vasodilatadores pulmonares
3Causas
TEP maciço
SDRA
Pós-cirurgia cardíaca (CEC)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a pré-carga do VD normalmente está diminuída. Isso é falso: na disfunção aguda do VD, a pré-carga (medida pela PVC) costuma estar elevada, pois o VD não consegue ejetar o sangue que recebe, levando a congestão venosa sistêmica. O erro está em inverter o estado hemodinâmico típico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que a disfunção do VD raramente ocorre em cirurgia cardíaca com circulação extracorpórea. Na realidade, é uma complicação frequente nesse contexto, devido à ativação inflamatória, à isquemia-reperfusão e ao aumento da resistência vascular pulmonar no pós-operatório. A palavra "raramente" torna a afirmação incorreta.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa descreve corretamente o tratamento da disfunção aguda do VD. Vasodilatadores pulmonares (óxido nítrico, prostaciclinas, sildenafil) reduzem a pós-carga; diuréticos e métodos dialíticos (hemodiálise, hemofiltração) controlam a congestão e o balanço hídrico; e a reposição volêmica criteriosa otimiza a pré-carga. O tratamento visa o equilíbrio entre pré-carga, inotropismo e pós-carga.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a medida da PVC não tem valor para avaliação da pressão diastólica do VD no infarto agudo do miocárdio. Isso é falso: a PVC é um marcador importante da pressão de enchimento do VD. No infarto de VD, a PVC elevada é um achado clássico e tem valor prognóstico e terapêutico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Diz que a disfunção do VD está sempre associada à disfunção do VE e à insuficiência circulatória global. Isso é uma generalização indevida. A disfunção isolada do VD pode ocorrer, como no tromboembolismo pulmonar maciço ou no infarto de VD, sem disfunção significativa do VE. A palavra "sempre" torna a afirmação incorreta.