Em relação ao tamponamento cardíaco no pós‑operatório de cirurgia cardíaca, assinale a alternativa correta.
AO acúmulo de sangue no saco pericárdico frequentemente compromete a função sistólica do ventrículo direito (VD).
BA equalização das pressões entre todas as câmaras do lado direito é um achado precoce.
CO aumento da pressão do átrio direito permite o aumento do retorno venoso ao VD.
DO diagnóstico necessita de alta suspeita clínica e pode diferir da apresentação clássica em outras etiologias.
EO tamponamento cardíaco no pós‑operatório de cirurgia cardíaca é geralmente diagnosticado apenas por exames de imagem, como ecocardiograma, sem necessidade de avaliação clínica.
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GabaritoD — O diagnóstico necessita de alta suspeita clínica e pode diferir da apresentação clássica em outras etiologias.
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Tamponamento Cardíaco no Pós-Operatório de Cirurgia Cardíaca
Gabarito: letra D. O diagnóstico de tamponamento cardíaco no pós-operatório de cirurgia cardíaca exige alta suspeita clínica, pois a apresentação pode ser atípica e diferir da clássica tríade de Beck, sendo o ecocardiograma um exame complementar importante, mas não o único meio diagnóstico. A alternativa D reflete exatamente essa necessidade de suspeição clínica e a possibilidade de apresentação não clássica, o que a torna correta.
O tamponamento cardíaco é uma emergência médica caracterizada pelo acúmulo de líquido (geralmente sangue) no espaço pericárdico, que comprime as câmaras cardíacas, principalmente as direitas, comprometendo o enchimento diastólico e reduzindo o débito cardíaco. No pós-operatório de cirurgia cardíaca, essa condição pode ocorrer por sangramento no pericárdio, e o diagnóstico precoce é crucial, pois a evolução pode ser rápida e fatal.
A fisiopatologia envolve o aumento da pressão intrapericárdica, que se transmite às câmaras cardíacas, especialmente as de baixa pressão (átrio e ventrículo direitos). Isso leva à redução do retorno venoso, diminuição do enchimento ventricular e queda do débito cardíaco. A tríade clássica de Beck (hipotensão, turgência jugular e hipofonese de bulhas) está presente em apenas 10 a 40% dos casos, o que reforça a necessidade de alta suspeita clínica, principalmente em pacientes pós-operados, onde os sinais podem ser mascarados por analgesia, sedação ou drenos torácicos.
O diagnóstico é primariamente clínico, apoiado por exames de imagem, como o ecocardiograma, que pode mostrar derrame pericárdico e sinais de comprometimento hemodinâmico, como colapso diastólico do ventrículo direito. No entanto, a simples presença de derrame pericárdico não define o tamponamento; o que importa é a velocidade de acúmulo e o impacto hemodinâmico. Portanto, a avaliação clínica é indispensável, e o ecocardiograma é um complemento, não um substituto.
A alternativa D é a correta porque reconhece que o diagnóstico de tamponamento cardíaco no pós-operatório de cirurgia cardíaca pode ser desafiador, exigindo alta suspeita clínica, e que a apresentação pode diferir da clássica, como em outras etiologias. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou afirmações incorretas sobre a fisiopatologia e o diagnóstico.
Tamponamento cardíaco pós-operatório: Fisiopatologia (Acúmulo de líquido no pericárdio, Comprime câmaras direitas, Reduz enchimento diastólico, Queda do débito cardíaco); Diagnóstico (Alta suspeita clínica, Apresentação atípica (tríade de Beck em minoria), Ecocardiograma complementa); Sinais mascarados (Analgesia, Sedação, Drenos torácicos)
Alternativa A — ❌ Incorreta
O acúmulo de sangue no saco pericárdico compromete principalmente o enchimento diastólico das câmaras direitas, mas a função sistólica do ventrículo direito (VD) não é o principal comprometimento. O tamponamento cardíaco causa restrição ao enchimento diastólico, reduzindo o volume diastólico final e, consequentemente, o débito sistólico, mas a contratilidade miocárdica em si não é diretamente afetada. A alternativa erra ao afirmar que a função sistólica do VD é "frequentemente comprometida" de forma primária; o problema é o enchimento, não a contração.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A equalização das pressões entre todas as câmaras do lado direito é um achado tardio, não precoce. No tamponamento cardíaco, a pressão intrapericárdica aumenta e se transmite às câmaras, mas a equalização das pressões de enchimento (átrio direito, ventrículo direito, artéria pulmonar) ocorre em estágios mais avançados, quando a pressão pericárdica se iguala à pressão diastólica das câmaras. Achados precoces incluem colapso diastólico do átrio direito e do ventrículo direito, que são mais sensíveis.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O aumento da pressão do átrio direito (AD) não permite o aumento do retorno venoso ao VD; pelo contrário, a elevação da pressão do AD dificulta o retorno venoso, pois o gradiente de pressão entre as veias sistêmicas e o AD diminui. No tamponamento, a pressão do AD está elevada, o que reduz o retorno venoso e contribui para a queda do débito cardíaco. A alternativa inverte o efeito fisiológico.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O diagnóstico de tamponamento cardíaco no pós-operatório de cirurgia cardíaca realmente necessita de alta suspeita clínica, pois a apresentação pode ser atípica, com sinais mascarados por analgesia, sedação, drenos ou pela própria cirurgia recente. A tríade clássica de Beck está presente em minoria dos casos, e o quadro pode se manifestar apenas com taquicardia, hipotensão refratária ou choque. O ecocardiograma é um exame complementar valioso, mas o diagnóstico é essencialmente clínico, e a suspeita deve levar à investigação imediata, mesmo na ausência de achados clássicos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O tamponamento cardíaco no pós-operatório de cirurgia cardíaca não é diagnosticado apenas por exames de imagem, como ecocardiograma, sem necessidade de avaliação clínica. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na suspeita e nos sinais hemodinâmicos, e o ecocardiograma é um exame complementar que confirma e avalia a gravidade. A alternativa desconsidera a importância da avaliação clínica, o que é um erro grave, pois a demora no diagnóstico pode ser fatal.