Quanto às infecções de sistema nervoso central, assinale a alternativa correta.
AO uso de corticoide para o tratamento de meningite bacteriana é controverso, mas o tratamento combinado de antibióticos com dexametasona tem sido associado a um melhor prognóstico em pacientes com meningite bacteriana no geral.
BNos quadros de encefalite, a infecção por herpes‑vírus deve fazer parte do diagnóstico diferencial. Nesses casos, o aciclovir é o tratamento de escolha. Alguns pacientes podem apresentar recaída dias a meses após o quadro inicial.
CA infecção por Toxoplasma gondii é a infecção oportunista do sistema nervoso central mais comum entre pacientes com quadro de síndrome da imunodeficiência adquirida. O tratamento padrão consiste no uso de sulfametoxazol/trimetoprima.
DEm abscesso epidural na coluna vertebral com défice neurológico, a drenagem cirúrgica é imperativa, e há maior chance de recuperação se realizada em até 7 dias do aparecimento dos sintomas.
EO uso de corticoides para o tratamento de meningite viral é amplamente recomendado, pois melhora os desfechos clínicos e reduz a mortalidade.
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GabaritoB — Nos quadros de encefalite, a infecção por herpes‑vírus deve fazer parte do diagnóstico diferencial. Nesses casos, o aciclovir é o tratamento de escolha. Alguns pacientes podem apresentar recaída dias a meses após o quadro inicial.
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Infecções do sistema nervoso central: meningites, encefalites e abscessos
Gabarito: letra B. Na encefalite, o herpes-vírus é um diagnóstico diferencial fundamental, e o aciclovir é o tratamento de escolha — sendo a encefalite herpética uma emergência médica que exige terapia imediata. A alternativa B está correta ao afirmar que alguns pacientes podem apresentar recaída dias a meses após o quadro inicial, o que é reconhecido na prática clínica. As demais alternativas contêm erros conceituais: a dexametasona na meningite bacteriana tem indicação específica (não "no geral"), o tratamento da neurotoxoplasmose é feito com pirimetamina e sulfadiazina (não sulfametoxazol/trimetoprima), a drenagem do abscesso epidural deve ser urgente (idealmente em até 24-48 horas, não 7 dias), e corticoides não são recomendados na meningite viral.
As infecções do sistema nervoso central (SNC) dividem-se classicamente em meningites, encefalites e meningoencefalites. As meningites são processos inflamatórios que acometem as meninges (dura-máter, pia-máter e aracnoide) e o espaço subaracnóideo, que contém o líquido cefalorraquidiano (LCR). As encefalites, por sua vez, envolvem o parênquima cerebral, manifestando-se com disfunção neurológica focal ou difusa, alteração do nível de consciência, convulsões e febre. A distinção é crucial porque o diagnóstico etiológico e o tratamento diferem substancialmente entre os tipos.
A meningite bacteriana e a meningoencefalite herpética são emergências médicas: o tratamento deve ser iniciado assim que o diagnóstico for suspeitado, antes mesmo da punção lombar. Na meningite bacteriana, o uso de dexametasona é recomendado em situações específicas — classicamente em crianças e em adultos com suspeita de pneumococo, administrada preferencialmente antes ou junto com a primeira dose de antibiótico — e não de forma indiscriminada para todos os pacientes. Já na meningite viral, o tratamento é essencialmente de suporte, com hidratação e analgésicos/antitérmicos; não há evidência de benefício com corticoides, que não são recomendados.
A encefalite herpética, causada principalmente pelo HSV-1, é a forma mais comum de encefalite viral esporádica. O diagnóstico é feito por PCR do HSV no LCR e ressonância magnética (que tipicamente mostra alterações temporais e límbicas). O tratamento de escolha é o aciclovir intravenoso, iniciado empiricamente em todo paciente com suspeita de encefalite, pois o atraso terapêutico aumenta a morbimortalidade. Embora a maioria dos pacientes melhore, alguns podem apresentar recaída ou sequelas neurológicas, e há relatos de recorrência dias a meses após o quadro inicial, o que justifica a afirmação da alternativa B.
No paciente com AIDS, a neurotoxoplasmose é a infecção oportunista do SNC mais comum, causada pelo protozoário intracelular obrigatório Toxoplasma gondii. O tratamento padrão consiste em pirimetamina associada à sulfadiazina, com leucovorina para reduzir a toxicidade hematológica. O sulfametoxazol/trimetoprima (SMZ-TMP) é utilizado como profilaxia primária quando a contagem de linfócitos T CD4 é inferior a 100 células/mm³, mas não é o tratamento da doença ativa. Essa distinção entre profilaxia e tratamento é um ponto clássico de pegadinha.
O abscesso epidural espinhal é uma emergência cirúrgica, especialmente quando há déficit neurológico. A drenagem cirúrgica deve ser realizada o mais precocemente possível — idealmente em até 24 a 48 horas do início dos sintomas — pois o atraso está associado a pior recuperação neurológica. A alternativa D, ao citar 7 dias, está incorreta, pois esse prazo é tardio demais para a janela de melhor prognóstico.
Guarde a fronteira entre tratamento e profilaxia, e entre indicação específica e geral: é exatamente nesses pontos que as alternativas se dividem.
Critério
Meningite bacteriana
Meningite viral
Encefalite herpética
Neurotoxoplasmose (AIDS)
Abscesso epidural espinhal
Tratamento
Antibiótico + dexametasona (seletiva)
Suporte (hidratação, analgésicos)
Aciclovir IV (empírico)
Pirimetamina + sulfadiazina
Drenagem cirúrgica urgente
Prazo/indicação
Antes/junto do 1º antibiótico
Sem corticoide
Emergência médica
SMZ-TMP é só profilaxia (CD4 < 100)
Ideal < 24–48h
Alternativa A — ❌ Incorreta
O erro está na expressão "no geral". O uso de dexametasona na meningite bacteriana é recomendado em situações específicas — como na suspeita de Streptococcus pneumoniae em adultos e em crianças com Haemophilus influenzae tipo b — e não para todos os pacientes com meningite bacteriana. A administração deve ocorrer preferencialmente antes ou junto com a primeira dose de antibiótico. A alternativa generaliza uma indicação que é seletiva, o que a torna incorreta.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta ao afirmar que o herpes-vírus deve fazer parte do diagnóstico diferencial das encefalites, que o aciclovir é o tratamento de escolha e que alguns pacientes podem apresentar recaída dias a meses após o quadro inicial. A encefalite herpética é a causa mais comum de encefalite viral esporádica, e o tratamento com aciclovir intravenoso deve ser iniciado empiricamente diante da suspeita clínica, pois é uma emergência médica. A possibilidade de recaída é reconhecida na literatura, embora seja menos frequente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A neurotoxoplasmose é, de fato, a infecção oportunista do SNC mais comum em pacientes com AIDS, mas o tratamento padrão não é sulfametoxazol/trimetoprima (SMZ-TMP). O esquema de escolha é pirimetamina associada à sulfadiazina, com leucovorina. O SMZ-TMP é utilizado como profilaxia primária quando o CD4 é inferior a 100 células/mm³, e também pode ser usado como alternativa terapêutica em algumas diretrizes, mas não é o tratamento padrão da doença ativa. A alternativa confunde profilaxia com tratamento.
Alternativa D — ❌ Incorreta
No abscesso epidural espinhal com déficit neurológico, a drenagem cirúrgica é imperativa e deve ser realizada com urgência — idealmente em até 24 a 48 horas do início dos sintomas. O prazo de 7 dias citado na alternativa é tardio e está associado a pior prognóstico neurológico. Quanto mais precoce a descompressão, maior a chance de recuperação do déficit.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O uso de corticoides na meningite viral não é amplamente recomendado. O tratamento da maioria das meningites virais consiste em suporte e medicações sintomáticas, como hidratação, analgésicos e antitérmicos. Não há evidência de que corticoides melhorem os desfechos clínicos ou reduzam a mortalidade nesse contexto. A alternativa contraria a prática clínica baseada em evidências.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre profilaxia e tratamento na neurotoxoplasmose (alternativa C) e entre indicação seletiva e geral da dexametasona na meningite bacteriana (alternativa A). No primeiro caso, o SMZ-TMP é profilaxia para CD4 < 100; no segundo, a dexametasona é para casos específicos, não "no geral". Fique atento a esses detalhes — eles são os mais cobrados.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte uma tabela mental: meningite bacteriana → antibiótico + dexametasona (seletiva); meningite viral → suporte; encefalite herpética → aciclovir IV; neurotoxoplasmose → pirimetamina + sulfadiazina; abscesso epidural → drenagem urgente (< 48h). Esses são os pontos-chave que a banca costuma cobrar.