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Questão de Medicina — Medicina Intensiva — Quadrix 2024

MedicinaMedicina Intensiva
Código
qg355429
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Medicina Intensiva Pediátrica
Em relação à fluidorresponsividade, assinale a alternativa correta.
  1. AA ventilação com pressão positiva aumenta a pré‑carga do ventrículo direito.
  2. BA variação de débito cardíaco de 3 L/min para 3,5 L/min, após infusão de fluido, não é considerada fluidorresponsividade.
  3. CVariação da pressão de pulso superior a 13% pode ser utilizada como guia de ressuscitação de doente cirúrgico grave.
  4. DA curva de plestimografia da saturação de O2 não pode substituir a curva de pressão arterial invasiva para identificar fluidorresponsividade.
  5. EA fluidorresponsividade pode ser avaliada com precisão, inclusive em pacientes com disfunção de ventrículo direito, sob ventilação mecânica controlada.
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GabaritoC — Variação da pressão de pulso superior a 13% pode ser utilizada como guia de ressuscitação de doente cirúrgico grave.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Fluidorresponsividade na Medicina Intensiva

Gabarito: letra C. A variação da pressão de pulso (ΔPP) superior a 13% é um índice dinâmico validado para predizer fluidorresponsividade, podendo ser utilizada como guia de ressuscitação volêmica em doentes cirúrgicos graves, conforme a literatura de monitorização hemodinâmica funcional. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre os efeitos da ventilação mecânica, os critérios de resposta a volume e as limitações dos métodos de avaliação.

A fluidorresponsividade é um conceito central na medicina intensiva: refere-se à capacidade de o débito cardíaco aumentar em resposta à infusão de fluidos. O fundamento fisiológico está na curva de Frank-Starling, que relaciona a pré-carga (volume diastólico final) ao volume sistólico. Na porção ascendente da curva, um aumento da pré-carga eleva o volume sistólico — o paciente é "responsivo a volume". Na porção em platô, o coração já opera no limite de sua capacidade de estiramento, e a infusão adicional não aumenta o débito cardíaco — o paciente é "não responsivo". A definição mais aceita de fluidorresponsividade é o aumento de 15% no volume sistólico após a infusão de 500 mL de cristaloide em 10 a 15 minutos.

A avaliação da fluidorresponsividade pode ser feita por métodos estáticos (pressão venosa central, diâmetro da veia cava inferior) ou dinâmicos (variação da pressão de pulso, variação do volume sistólico, variação do diâmetro da VCI, elevação passiva das pernas). Os métodos dinâmicos têm maior acurácia e são preferidos na prática clínica. O teste com melhor performance diagnóstica é a variação do volume sistólico e do débito cardíaco com elevação passiva das pernas (passive leg raising).

A variação da pressão de pulso (ΔPP) é definida como a diferença entre a pressão de pico sistólica máxima e a pressão de pico mínima, determinadas pela variação da pressão intratorácica em pacientes em ventilação mecânica. No estudo de Michard et al., esse método foi considerado o melhor indicador da resposta à reposição volêmica quando atingia valores acima de 13%, aumentando o índice cardíaco em 15%. Um estudo em pacientes cirúrgicos demonstrou que essa medida pode melhorar a avaliação de volemia no intraoperatório, proporcionando benefícios em relação ao tempo de internação e mortalidade. No entanto, o ΔPP apresenta limitações em pacientes com arritmias, uso de drogas vasoativas e respiração espontânea.

A ventilação mecânica com pressão positiva reduz o retorno venoso, aumenta a pós-carga e diminui o volume sistólico do ventrículo direito. Portanto, a alternativa A está incorreta ao afirmar que a ventilação com pressão positiva aumenta a pré-carga do ventrículo direito — na verdade, ela a reduz. A alternativa B está incorreta porque um aumento do débito cardíaco de 3 L/min para 3,5 L/min representa um incremento de aproximadamente 16,7%, acima do limiar de 15% considerado para fluidorresponsividade. A alternativa D está incorreta porque a curva de pletismografia da saturação de O2 pode, sim, substituir a curva de pressão arterial invasiva para identificar fluidorresponsividade, desde que o paciente esteja em ventilação mecânica controlada, sem esforço respiratório e sem arritmias. A alternativa E está incorreta porque a fluidorresponsividade não pode ser avaliada com precisão em pacientes com disfunção de ventrículo direito, pois a variação da pressão de pulso e outros métodos dinâmicos perdem acurácia nessa condição.

Guarde a fronteira entre os métodos dinâmicos e suas limitações: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A variação da pressão de pulso acima de 13% é um guia válido para ressuscitação volêmica em doentes cirúrgicos graves, desde que respeitadas as condições de ventilação mecânica controlada, ritmo sinusal e ausência de esforço respiratório.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A ventilação com pressão positiva reduz a pré-carga do ventrículo direito, não a aumenta. Durante a inspiração mecânica, o aumento da pressão intratorácica eleva a pressão do átrio direito, reduzindo o gradiente de retorno venoso e, consequentemente, a pré-carga do ventrículo direito. Essa redução cíclica da pré-carga é justamente o que gera a variação da pressão de pulso observada nos métodos dinâmicos. A banca inverte o efeito fisiológico da ventilação mecânica sobre o retorno venoso.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Um aumento do débito cardíaco de 3 L/min para 3,5 L/min representa um incremento de aproximadamente 16,7% (0,5 L ÷ 3 L = 0,1667). Como a definição mais aceita de fluidorresponsividade é o aumento de 15% no volume sistólico (ou débito cardíaco) após expansão volêmica, esse aumento é sim considerado fluidorresponsividade. A alternativa erra ao afirmar que não seria, provavelmente confundindo o limiar de 15% com outro valor ou desconsiderando o cálculo percentual.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A variação da pressão de pulso (ΔPP) superior a 13% é um índice dinâmico validado para predizer fluidorresponsividade. No estudo de Michard et al., valores acima de 13% foram considerados o melhor indicador da resposta à reposição volêmica, aumentando o índice cardíaco em 15%. Um estudo em pacientes cirúrgicos demonstrou que essa medida pode melhorar a avaliação de volemia no intraoperatório, proporcionando benefícios em relação ao tempo de internação e mortalidade. Portanto, a ΔPP > 13% pode ser utilizada como guia de ressuscitação volêmica em doentes cirúrgicos graves, desde que respeitadas as condições de ventilação mecânica controlada, ritmo sinusal e ausência de esforço respiratório.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A curva de pletismografia da saturação de O2 pode substituir a curva de pressão arterial invasiva para identificar fluidorresponsividade, desde que o paciente esteja em ventilação mecânica controlada, sem esforço respiratório e sem arritmias. A pletismografia fornece uma estimativa da variação da pressão de pulso (ΔPP) de forma não invasiva, sendo uma alternativa válida quando a pressão arterial invasiva não está disponível. A alternativa erra ao afirmar que não pode substituir, ignorando a validade da pletismografia como método não invasivo de monitorização hemodinâmica funcional.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A fluidorresponsividade não pode ser avaliada com precisão em pacientes com disfunção de ventrículo direito, mesmo sob ventilação mecânica controlada. A disfunção ventricular direita altera a relação entre a variação da pressão de pulso e a resposta a volume, reduzindo a acurácia dos métodos dinâmicos. Além disso, a variação do diâmetro da veia cava inferior (VVCI) tem maior correlação com a função de câmaras direitas do que com fluidorresponsividade em si. A alternativa erra ao afirmar que a avaliação seria precisa nessa condição, ignorando as limitações conhecidas dos métodos dinâmicos em disfunção ventricular direita.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a inversão de efeitos fisiológicos e a confusão entre limiares. Na alternativa A, troca a redução da pré-carga do ventrículo direito pela ventilação com pressão positiva por um aumento. Na alternativa B, usa um aumento percentual que ultrapassa o limiar de 15% e afirma que não seria fluidorresponsividade. Na alternativa E, ignora a perda de acurácia dos métodos dinâmicos na disfunção de ventrículo direito. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar os limiares, lembre-se: ΔPP > 13% e aumento de 15% no volume sistólico são os valores-chave. A variação do diâmetro da VCI tem limiar de 15% em ventilação mecânica controlada com volume corrente de 8 mL/kg. A elevação passiva das pernas é o teste com melhor performance diagnóstica, e a miniprova de volume usa variação do fluxo aórtico > 10% após 100 mL de coloide em 1 minuto.

Gabarito: letra C

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