AO qSOFA (quick Sequential Organ Failure Assessment) é uma ferramenta utilizada para a definição do diagnóstico de sepse, sendo positiva quando dois ou mais critérios forem preenchidos.
BA meta da glicemia é 110 a 180 mg/dL. A grande variabilidade glicêmica está relacionada à maior mortalidade.
CNa disfunção renal, tem‑se melhor desfecho com métodos contínuos de terapia de substituição renal.
DO gap de dióxido de carbono é superior à saturação venosa central de oxigênio como indicador de oferta adequada de oxigênio.
EO uso de anticoagulantes está indicado em todos os casos de sepse para prevenir contra a trombose venosa profunda e a embolia pulmonar.
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GabaritoB — A meta da glicemia é 110 a 180 mg/dL. A grande variabilidade glicêmica está relacionada à maior mortalidade.
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Sepse: definição, triagem e metas terapêuticas
Gabarito: letra B. A meta glicêmica no paciente séptico é de 110 a 180 mg/dL, e a grande variabilidade glicêmica associa-se a maior mortalidade — exatamente o que a alternativa afirma. As demais opções distorcem conceitos centrais da sepse: o qSOFA não diagnostica sepse (apenas rastreia risco), a terapia renal contínua não tem superioridade comprovada sobre a intermitente, o gap de CO2 não supera a SvcO2 como indicador de oferta de oxigênio, e a anticoagulação profilática não é indicada em "todos" os casos.
A sepse é definida, desde o consenso Sepse 3.0 (2016), como disfunção orgânica ameaçadora à vida causada por resposta desregulada do organismo a uma infecção. O termo "sepse grave" foi abandonado. O diagnóstico de disfunção orgânica é feito pelo escore SOFA: um aumento ≥ 2 pontos já configura sepse. O qSOFA (quick SOFA) é uma ferramenta de triagem — não diagnóstica — que identifica, à beira do leito e sem exames laboratoriais, pacientes com infecção e alto risco de óbito ou de internação prolongada em UTI. Ele é composto por três critérios clínicos: frequência respiratória ≥ 22 irpm, alteração do nível de consciência e pressão arterial sistólica < 100 mmHg. A presença de dois ou mais desses critérios (qSOFA ≥ 2) indica alto risco e deve levar à monitorização estrita e eventual transferência para UTI — mas não estabelece o diagnóstico de sepse.
O choque séptico, por sua vez, é um subgrupo da sepse com disfunção circulatória e celular/metabólica profundas, clinicamente definido pela necessidade de vasopressor para manter PAM ≥ 65 mmHg e lactato > 18 mg/dL (2 mmol/L) persistente após ressuscitação volêmica adequada. O Instituto Latino Americano de Sepse (ILAS), em seus protocolos, adota definição própria, considerando choque séptico como hipotensão refratária à reposição volêmica, independentemente do valor do lactato — mas a banca cobra o conceito do Sepse 3.0.
No manejo do paciente séptico, além do controle do foco e da antibioticoterapia precoce, a glicemia é alvo terapêutico importante. A recomendação atual é manter a glicemia entre 110 e 180 mg/dL, evitando tanto a hiperglicemia quanto a hipoglicemia. A variabilidade glicêmica — oscilações amplas e frequentes dos níveis de glicose — é um marcador independente de pior prognóstico, associada a maior mortalidade, mesmo em pacientes com glicemia média dentro da meta. Esse é o conceito que a alternativa B corretamente espelha.
A banca explora, nesta questão, a confusão entre triagem e diagnóstico (qSOFA vs. SOFA), a equivalência entre modalidades de terapia renal substitutiva, a hierarquia dos marcadores de perfusão (SvcO2 vs. gap de CO2) e a generalização indevida da profilaxia antitrombótica. Guarde essas quatro fronteiras: são elas que separam as alternativas.
Critério
qSOFA (triagem)
SOFA (diagnóstico)
Função
Rastrear risco de desfecho desfavorável
Confirmar disfunção orgânica
Parâmetros
FR ≥ 22 irpm, consciência alterada, PAS < 100 mmHg
Escore com 6 sistemas (respiratório, cardiovascular, etc.)
O qSOFA não é ferramenta de diagnóstico de sepse; é um escore de triagem para identificar pacientes com infecção e alto risco de desfecho desfavorável (óbito ou permanência prolongada em UTI). O diagnóstico de sepse exige a avaliação do escore SOFA, com incremento ≥ 2 pontos. A alternativa erra ao afirmar que o qSOFA "é utilizado para a definição do diagnóstico de sepse". A parte final ("positiva quando dois ou mais critérios forem preenchidos") está correta, mas o erro conceitual central invalida a assertiva.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A meta glicêmica no paciente séptico é de 110 a 180 mg/dL, conforme as diretrizes da Campanha de Sobrevivência à Sepse. A variabilidade glicêmica — oscilações amplas da glicemia — está associada a maior mortalidade, independentemente da glicemia média. A alternativa está correta em ambos os pontos: a meta numérica e a relação entre variabilidade e prognóstico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Não há evidência de que métodos contínuos de terapia de substituição renal (TRS contínua) tenham melhor desfecho que os métodos intermitentes na disfunção renal associada à sepse. As diretrizes atuais recomendam ambas as modalidades como equivalentes, sendo a escolha baseada em fatores como estabilidade hemodinâmica, disponibilidade e experiência da equipe. A alternativa erra ao afirmar superioridade de um método sobre o outro.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O gap de dióxido de carbono (diferença entre a PCO2 venosa central e a arterial) é um marcador de adequação do fluxo sanguíneo (perfusão tecidual), enquanto a saturação venosa central de oxigênio (SvcO2) reflete o balanço entre oferta e consumo de oxigênio. A SvcO2 é o indicador clássico de oferta adequada de oxigênio na ressuscitação do choque séptico (meta ≥ 70%). O gap de CO2 é um marcador complementar, não superior. A alternativa inverte a hierarquia desses marcadores.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A profilaxia de trombose venosa profunda (TVP) com anticoagulantes é recomendada em pacientes sépticos sem contraindicação (como sangramento ativo, coagulopatia grave ou risco de sangramento). A alternativa erra ao afirmar que o uso é indicado em "todos os casos", ignorando as contraindicações e a necessidade de avaliação individualizada do risco-benefício. A generalização indevida torna a assertiva incorreta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora trocar o papel das ferramentas e generalizar condutas. Aqui, ela faz quatro inversões clássicas: (1) qSOFA vira diagnóstico quando é triagem; (2) TRS contínua vira superior quando é equivalente; (3) gap de CO2 vira superior à SvcO2 quando é complementar; (4) anticoagulação vira "todos" quando é "selecionados". Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de sepse, memorize o papel de cada ferramenta: qSOFA = triagem (2 critérios: FR ≥ 22, consciência alterada, PAS < 100); SOFA = diagnóstico (aumento ≥ 2); lactato = prognóstico e definição de choque (com vasopressor e PAM ≥ 65). E lembre: meta glicêmica 110–180 mg/dL, TRS contínua e intermitente equivalentes, SvcO2 ≥ 70% como meta de oferta de O2, e profilaxia de TVP individualizada.