Uma cidade estava enfrentando um surto de intoxicação alimentar, relacionado ao consumo de alimentos contaminados em feiras livres. A vigilância sanitária foi acionada para investigar e conter o surto, além de implementar medidas preventivas para evitar futuros episódios.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta as medidas adequadas para a vigilância e para o controle desse tipo de surto de intoxicação alimentar.
Asuspender as feiras livres enquanto se realiza uma investigação detalhada
Brealizar inspeções periódicas e orientar os feirantes sobre práticas de manipulação e conservação de alimentos
Coferecer medicamentos aos afetados para tratar os sintomas da intoxicação alimentar
Drealizar um levantamento sobre o número de casos de intoxicação em anos anteriores
Eencaminhar os feirantes para consultas em unidades de saúde
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GabaritoB — realizar inspeções periódicas e orientar os feirantes sobre práticas de manipulação e conservação de alimentos
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Vigilância sanitária e controle de surtos de intoxicação alimentar
Gabarito: letra B. A vigilância sanitária atua na prevenção e no controle de surtos de origem alimentar por meio de ações que atacam a fonte do problema — as condições de manipulação e conservação dos alimentos —, e não apenas os efeitos imediatos. Inspeções periódicas e orientação aos feirantes sobre boas práticas são medidas de prevenção primária, que reduzem o risco de novos episódios, enquanto as demais alternativas tratam de ações curativas, retrospectivas ou desproporcionais.
A intoxicação alimentar bacteriana ocorre pela ingestão de toxinas pré-formadas no alimento, produzidas por microrganismos como Staphylococcus aureus, Clostridioides perfringens e Bacillus cereus. Esses patógenos crescem no alimento e geram toxinas que, ao serem ingeridas, causam doença tóxica com período de incubação curto, de 1 a 16 horas, e sintomas como vômitos e diarreia. A vigilância sanitária, nesse contexto, tem papel central: investigar o surto, identificar a fonte de contaminação e, principalmente, implementar medidas que interrompam a cadeia de transmissão e evitem futuros episódios.
A lógica da vigilância sanitária é a prevenção. Em um surto de intoxicação alimentar em feiras livres, a medida mais adequada é atuar sobre os fatores de risco — a forma como os alimentos são manipulados, armazenados e expostos. Inspeções periódicas permitem verificar as condições higiênico-sanitárias, e a orientação aos feirantes sobre práticas de manipulação e conservação é uma ação educativa que capacita os responsáveis a prevenir a contaminação. Essa abordagem combina fiscalização e educação, atacando a causa raiz do problema.
As demais alternativas representam ações que não se alinham com o papel preventivo e de controle da vigilância sanitária. Suspender as feiras livres é uma medida extrema e desproporcional, que só se justificaria em situações de risco iminente à saúde pública, não como primeira resposta. Oferecer medicamentos aos afetados é atribuição da assistência à saúde, não da vigilância sanitária. Levantar o número de casos em anos anteriores é uma ação retrospectiva, útil para vigilância epidemiológica, mas não é uma medida de controle do surto atual. Encaminhar feirantes para consultas médicas é uma ação individual de saúde, sem relação direta com o controle do surto.
A distinção fundamental é entre medidas de prevenção primária (que evitam a ocorrência de novos casos) e medidas de assistência ou investigação retrospectiva. A vigilância sanitária atua na primeira categoria, enquanto as demais alternativas se enquadram nas outras. É exatamente esse critério que separa a alternativa correta das incorretas.
Encaminhar feirantes a consultas (ação individual)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Suspender as feiras livres é uma medida extrema e desproporcional. A vigilância sanitária pode, em casos de risco iminente, interditar estabelecimentos ou suspender atividades, mas essa não é a primeira medida a ser tomada em um surto. A suspensão total das feiras causaria impacto econômico e social desnecessário, quando a investigação e a orientação poderiam ser realizadas com a atividade em funcionamento, sob supervisão. A medida adequada é a fiscalização e a educação, não a interrupção completa da atividade.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Realizar inspeções periódicas e orientar os feirantes sobre práticas de manipulação e conservação de alimentos é a medida mais adequada. Essa alternativa combina fiscalização (inspeções) com educação (orientação), atacando diretamente os fatores de risco que levaram à contaminação. A vigilância sanitária tem como função precípua a prevenção de agravos à saúde, e essa medida atua na fonte do problema, reduzindo o risco de novos episódios de intoxicação alimentar.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Oferecer medicamentos aos afetados é uma ação de assistência à saúde, não de vigilância sanitária. O tratamento dos sintomas da intoxicação alimentar é atribuição dos serviços de saúde, como unidades de pronto atendimento e hospitais. A vigilância sanitária não tem como função prescrever ou dispensar medicamentos; sua atuação é focada na prevenção e no controle de fatores de risco. Além disso, a alternativa trata apenas dos efeitos, sem atacar a causa do surto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Realizar um levantamento sobre o número de casos em anos anteriores é uma ação retrospectiva, típica da vigilância epidemiológica, mas não é uma medida de controle do surto atual. Esse tipo de levantamento pode ser útil para entender a magnitude histórica do problema e orientar políticas públicas, mas não interrompe a cadeia de transmissão nem previne novos casos. A medida de controle deve ser prospectiva, atuando sobre os fatores de risco presentes.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Encaminhar os feirantes para consultas em unidades de saúde é uma ação individual de saúde, sem relação direta com o controle do surto. Os feirantes podem até precisar de atendimento médico, mas isso não é uma medida de vigilância sanitária. A vigilância atua sobre o ambiente e os processos de trabalho, não sobre a saúde individual dos trabalhadores. A medida correta é a fiscalização das condições de manipulação e a orientação sobre boas práticas.
A regra de ouro para questões de vigilância sanitária é: a medida adequada é sempre aquela que atua sobre os fatores de risco, de forma preventiva e educativa, e não sobre os efeitos ou de forma retrospectiva. Inspeções e orientação são o par perfeito — fiscalizar para verificar e educar para prevenir.