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Questão de Medicina — Epidemiologia — Quadrix 2024

MedicinaEpidemiologia
Código
qg355452
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Medicina Paliativa
Uma unidade básica de saúde (UBS) de uma comunidade rural estava enfrentando dificuldades para garantir o acompanhamento adequado de pacientes com doenças crônicas, como hipertensão e diabetes. A equipe da UBS queria melhorar o cuidado contínuo e a adesão ao tratamento, focando em estratégias dentro da atenção primária à saúde.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta uma estratégia eficiente para melhorar o cuidado contínuo de pacientes com doenças crônicas na atenção primária à saúde.
  1. Aaumentar o número de medicamentos disponibilizados nas farmácias da UBS
  2. Bcriar programas de educação em saúde, com ênfase na importância do autocuidado e da adesão ao tratamento
  3. Creforçar a realização de exames laboratoriais anuais
  4. Dencaminhar todos os pacientes para hospitais de referência para acompanhamento especializado
  5. Eoferecer consultas médicas mensais para todos os pacientes, independentemente das condições clínicas
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — criar programas de educação em saúde, com ênfase na importância do autocuidado e da adesão ao tratamento

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cuidado contínuo de doenças crônicas na Atenção Primária à Saúde

Gabarito: letra B. A estratégia mais eficiente para melhorar o cuidado contínuo de pacientes com doenças crônicas na APS é a educação em saúde com ênfase no autocuidado e na adesão ao tratamento, pois a baixa adesão é um dos principais obstáculos ao controle dessas condições, e a educação em saúde é uma ferramenta central para ampliar o letramento em saúde e promover mudanças de comportamento. Essa abordagem está alinhada com os princípios da Atenção Primária e com o modelo de atenção às condições crônicas, que prioriza o cuidado centrado na pessoa e o apoio ao autocuidado.

O cuidado contínuo de doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, é um dos grandes desafios da Atenção Primária à Saúde (APS). O problema central não é apenas o diagnóstico ou a prescrição, mas a adesão ao tratamento — que envolve o uso correto e regular de medicamentos, a adoção de hábitos de vida saudáveis e o acompanhamento regular. Estudos mostram que a adesão ao tratamento de doenças crônicas no Brasil é de apenas 69% em adultos, e que a baixa adesão está associada a piores desfechos, como maior número de internações e maior mortalidade. Por isso, estratégias que atuam sobre os fatores que influenciam a adesão — como o conhecimento sobre a doença, a motivação e o suporte social — são mais eficazes do que medidas isoladas, como aumentar a oferta de medicamentos ou realizar exames com mais frequência.

A educação em saúde é definida como o uso de uma combinação de estratégias de avaliação e intervenção que influenciam o conhecimento, as atitudes ou os comportamentos dos pacientes, buscando ampliar o letramento em saúde. O letramento em saúde é a capacidade de obter, processar e compreender informações básicas sobre saúde e serviços, e está diretamente relacionado à adesão: quanto pior o letramento, menor a adesão e piores os desfechos. A educação em saúde pode ser implementada de diversas formas — consultas individuais, atividades em grupo, visitas domiciliares, uso de materiais educativos e tecnologias da informação — e deve ser colaborativa e individualizada, com técnicas como a entrevista motivacional, que respeita os objetivos e motivações do paciente.

Na prática, um programa de educação em saúde para hipertensos e diabéticos pode incluir: ensinar o paciente a medir a glicemia capilar, explicar os valores-alvo de pressão arterial e HbA1c, orientar sobre dieta e atividade física, e ensinar o autoexame dos pés. Essas ações empoderam o paciente para o autocuidado, que é a capacidade de gerenciar sua própria condição, e aumentam a adesão ao tratamento. Além disso, a educação em saúde é uma atribuição de toda a equipe multiprofissional da APS, incluindo médicos, enfermeiros, agentes comunitários de saúde e outros profissionais, o que a torna uma estratégia viável e de baixo custo.

A banca explora a confusão entre medidas estruturais (aumentar medicamentos, realizar exames) e medidas comportamentais (educação, autocuidado). Embora as primeiras sejam importantes, elas não atacam diretamente a causa da baixa adesão, que é multifatorial e envolve fatores do paciente, da doença, da terapia, do sistema de saúde e socioeconômicos. A educação em saúde é a estratégia que aborda esses fatores de forma integrada, promovendo mudanças duradouras no comportamento. Portanto, ao analisar as alternativas, o critério decisivo é: qual delas atua diretamente sobre a adesão e o autocuidado, em vez de apenas aumentar a oferta de serviços ou encaminhar o paciente para outro nível de atenção?

Cuidado contínuo de doenças crônicas na APS
  • 1Problema central
    • Baixa adesão ao tratamento
    • Fatores multifatoriais
  • 2Estratégia eficaz
    • Educação em saúde
      • Autocuidado apoiado
      • Letramento em saúde
      • Entrevista motivacional
  • 3Medidas insuficientes
    • Aumentar medicamentos
    • Reforçar exames
    • Encaminhar a hospitais
    • Consultas padronizadas
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Aumentar o número de medicamentos disponibilizados nas farmácias da UBS é uma medida de acesso a medicamentos, mas não garante a adesão. Muitos pacientes não aderem ao tratamento mesmo tendo os medicamentos disponíveis, por falta de compreensão, efeitos colaterais, esquecimento ou falta de motivação. A oferta de medicamentos é um componente necessário, mas insuficiente para melhorar o cuidado contínuo.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Criar programas de educação em saúde, com ênfase na importância do autocuidado e da adesão ao tratamento, é a estratégia mais eficiente. A educação em saúde amplia o letramento em saúde, que é um dos principais determinantes da adesão, e promove o autocuidado apoiado, no qual a equipe atua junto ao paciente para identificar objetivos e motivações. Essa abordagem é recomendada pelas diretrizes de manejo de doenças crônicas e é central na APS.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Reforçar a realização de exames laboratoriais anuais é uma medida de monitoramento, importante para avaliar o controle da doença, mas não atua diretamente sobre a adesão ou o autocuidado. Exames sem acompanhamento e educação não mudam o comportamento do paciente; podem até identificar problemas, mas não os resolvem.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Encaminhar todos os pacientes para hospitais de referência para acompanhamento especializado é contrário aos princípios da APS, que é a porta de entrada preferencial e deve resolver a maioria dos problemas de saúde. O encaminhamento indiscriminado sobrecarrega a atenção secundária e terciária, fragmenta o cuidado e não melhora a adesão. A APS deve coordenar o cuidado e encaminhar apenas os casos que realmente necessitam de atenção especializada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Oferecer consultas médicas mensais para todos os pacientes, independentemente das condições clínicas, é uma medida não individualizada e de baixa eficiência. Pacientes com condições diferentes têm necessidades diferentes; consultas padronizadas não consideram a gravidade, o estágio da doença ou as barreiras individuais à adesão. Além disso, essa medida não aborda o autocuidado nem a educação em saúde, que são essenciais para o cuidado contínuo.

Gabarito: letra B

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