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Questão de Medicina — Nefrologia — Quadrix 2024

MedicinaNefrologia
Código
qg355453
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Medicina Paliativa
Uma paciente de 63 anos de idade, com histórico de câncer de mama receptor hormonal positivo (ER+/PR+), tratado há cinco anos, apresentou‑se à emergência com queixas de dor óssea intensa na coluna torácica e nas coxas, além de fraqueza, náuseas e confusão mental. Os exames laboratoriais revelam hipercalcemia grave (cálcio total de 13,5 mg/dL), aumento da fosfatase alcalina e PTH suprimido. A cintilografia óssea evidencia múltiplas lesões escleróticas na coluna, nas costelas e nos ossos longos.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a abordagem inicial adequada para o manejo da hipercalcemia nessa paciente.
  1. Ainiciar quimioterapia de resgate para a redução rápida do tumor
  2. Bprescrever bifosfonato intravenoso e hidratação vigorosa com solução salina
  3. Ciniciar radioterapia nas lesões ósseas com maior captação para alívio da dor
  4. Dadministrar calcitonina subcutânea e descontinuar a hormonioterapia
  5. Eintroduzir corticosteroides sistêmicos como terapia primária para hipercalcemia
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GabaritoB — prescrever bifosfonato intravenoso e hidratação vigorosa com solução salina

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hipercalcemia de Malignidade: Abordagem Inicial

Gabarito: letra B. A abordagem inicial adequada para a hipercalcemia grave (cálcio total de 13,5 mg/dL) em paciente com câncer de mama metastático é a hidratação vigorosa com solução salina associada a bifosfonato intravenoso. A hidratação corrige a hipovolemia e aumenta a excreção renal de cálcio, enquanto o bifosfonato (pamidronato ou ácido zoledrônico) inibe a reabsorção óssea osteoclástica, que é o mecanismo central da hipercalcemia osteolítica local (HOL) — o cenário desta paciente, com múltiplas lesões escleróticas e PTH suprimido.

A hipercalcemia de malignidade (HCAM) é uma emergência oncológica que ocorre por dois mecanismos principais: a hipercalcemia humoral de malignidade (HHM), responsável por cerca de 80% dos casos, e a hipercalcemia osteolítica local (HOL), que representa cerca de 20% dos casos. Na HHM, há secreção excessiva da proteína relacionada ao paratormônio (PTHrP) por células tumorais, que mimetiza as ações do PTH, promovendo retenção renal de cálcio e ativação osteoclástica. Na HOL, o mecanismo é a invasão tumoral local do esqueleto, com metástases ósseas extensas, como no caso da paciente — câncer de mama com múltiplas lesões escleróticas na coluna, costelas e ossos longos. Os fatores locais secretados pelos tumores na medula óssea (PTHrP, RANKL, interleucinas) induzem reabsorção óssea osteoclástica, liberando cálcio para a circulação. O PTH suprimido é a resposta fisiológica apropriada à hipercalcemia, confirmando que a causa não é hiperparatireoidismo primário.

O tratamento da hipercalcemia grave segue uma sequência lógica. Primeiro, deve-se interromper todos os suplementos de cálcio, vitamina D e diuréticos. A reidratação agressiva com solução salina (200 a 300 mL/hora) é o passo inicial, visando manter alto débito urinário e corrigir a hipovolemia frequentemente presente devido à poliúria induzida pela hipercalcemia. Em pacientes com comprometimento cardíaco ou renal, a reanimação hídrica deve ser feita com cautela, e diuréticos de alça podem ser considerados para manter o débito urinário em pacientes com sinais de sobrecarga de volume. O tratamento mais definitivo concentra-se nos bifosfonatos intravenosos (pamidronato ou ácido zoledrônico), que inibem a atividade dos osteoclastos e a reabsorção óssea. A resposta do cálcio aos bifosfonatos pode levar alguns dias, por isso, em casos de hipercalcemia muito grave ou sintomática, pode-se associar calcitonina subcutânea (4 unidades/kg, 2 a 4 vezes/dia) para uma redução mais rápida do cálcio, lembrando que ocorre taquifilaxia, limitando seu uso a 48 horas. Em última análise, o manejo deve incluir o controle da doença subjacente, que no caso de mieloma e linfoma inclui glicocorticoides.

A distinção crucial que separa as alternativas é a hierarquia do tratamento: a abordagem inicial e imediata da hipercalcemia grave é sempre a combinação de hidratação vigorosa com bifosfonato intravenoso, independentemente da causa subjacente. O tratamento antineoplásico (quimioterapia, radioterapia) é importante para o controle da doença a longo prazo, mas não é a primeira medida para corrigir a emergência metabólica. A calcitonina é um adjuvante, não a terapia primária. Os corticosteroides são úteis especificamente em hipercalcemia associada a mieloma e linfoma, não como terapia primária universal. A descontinuação da hormonioterapia não é uma medida inicial para o manejo da hipercalcemia aguda.

A pegadinha desta questão está em confundir o tratamento da emergência metabólica com o tratamento da doença de base. O candidato pode ser tentado a escolher quimioterapia ou radioterapia, mas a hipercalcemia grave (13,5 mg/dL) com sintomas neurológicos (confusão mental) exige intervenção imediata para reduzir o cálcio sérico, e não uma medida que levará semanas para ter efeito. A hidratação e o bifosfonato agem diretamente no mecanismo fisiopatológico — a reabsorção óssea osteoclástica — e são a base do manejo inicial.

  1. 1Hidratação vigorosa com salina
  2. 2Bifosfonato intravenoso
  3. 3Calcitonina (adjuvante)
  4. 4Tratar doença de base
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Iniciar quimioterapia de resgate não é a abordagem inicial para hipercalcemia grave. Embora o controle da doença subjacente seja importante a longo prazo, a quimioterapia leva dias a semanas para reduzir a carga tumoral e, consequentemente, o cálcio sérico. A hipercalcemia grave com sintomas neurológicos é uma emergência que exige medidas de ação rápida (hidratação e bifosfonato) para prevenir complicações como arritmias, insuficiência renal e coma. A quimioterapia pode ser considerada posteriormente, como parte do tratamento antineoplásico, mas não substitui o manejo agudo da hipercalcemia.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A combinação de bifosfonato intravenoso e hidratação vigorosa com solução salina é a abordagem inicial padrão-ouro para hipercalcemia grave de malignidade. A hidratação com solução salina (200 a 300 mL/hora) corrige a hipovolemia e aumenta a excreção renal de cálcio, enquanto o bifosfonato intravenoso (pamidronato ou ácido zoledrônico) inibe a atividade dos osteoclastos e a reabsorção óssea, atacando o mecanismo central da hipercalcemia osteolítica local. Esta é a conduta que deve ser iniciada imediatamente, antes mesmo de considerar terapias antineoplásicas específicas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A radioterapia nas lesões ósseas pode ser útil para alívio da dor e controle local da doença, mas não é a abordagem inicial para hipercalcemia grave. A radioterapia tem efeito paliativo sobre a dor óssea, mas seu efeito sobre o cálcio sérico é indireto e demorado, não sendo adequada para o manejo agudo de uma emergência metabólica. A hipercalcemia grave exige medidas que atuem rapidamente na redução do cálcio, como hidratação e bifosfonatos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A calcitonina subcutânea pode ser usada como adjuvante para redução rápida do cálcio, mas não é a terapia primária, e a descontinuação da hormonioterapia não é uma medida inicial para o manejo da hipercalcemia aguda. A calcitonina tem efeito rápido, porém transitório (taquifilaxia em 48 horas), e deve ser associada aos bifosfonatos, que têm efeito mais duradouro. A hormonioterapia é o tratamento de base do câncer de mama receptor hormonal positivo, e sua descontinuação não é indicada como parte do manejo emergencial da hipercalcemia.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Os corticosteroides sistêmicos não são a terapia primária para hipercalcemia de malignidade em geral. Eles são particularmente úteis em hipercalcemia associada a mieloma múltiplo e linfoma, devido ao efeito antineoplásico e à redução da produção de citocinas osteoclastogênicas. No caso de câncer de mama com metástases ósseas, os bifosfonatos são a base do tratamento, e os corticosteroides não têm papel como terapia primária. Além disso, o uso de corticosteroides pode ter efeitos adversos significativos e não deve ser a primeira escolha.

Gabarito: letra B

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