O conceito de funcionalidade é muito discutido nas avaliações geriátricas. Em relação a esse tema, é correto afirmar que
Anão é necessária a avaliação de funcionalidade, para o diagnóstico de demências.
Bpacientes classificados como dependentes certamente têm o diagnóstico de demência.
Cexistem diversas escalas validadas para a avaliação de funcionalidade, sendo uma delas o MoCa (Montreal Cognitive Assessment).
Da funcionalidade é uma forma de determinar a capacidade de tomada de decisão do paciente idoso.
Eavalia a capacidade de o idoso cuidar de si mesmo e do ambiente onde vive.
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GabaritoE — avalia a capacidade de o idoso cuidar de si mesmo e do ambiente onde vive.
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Funcionalidade na avaliação geriátrica
Gabarito: letra E. A funcionalidade, na avaliação geriátrica, refere-se à capacidade de o idoso realizar as atividades necessárias para cuidar de si mesmo e do ambiente onde vive, englobando as atividades básicas e instrumentais de vida diária. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou confundem funcionalidade com outros domínios da avaliação geriátrica, como cognição e capacidade de tomada de decisão.
A funcionalidade é um dos pilares da avaliação geriátrica ampla (AGA), sendo definida como a capacidade de um indivíduo executar tarefas e desempenhar papéis sociais em uma ampla gama de complexidade, ou, de forma mais sucinta, a capacidade de autocuidado. Essa avaliação fornece ao médico um meio de compreender o impacto da doença, avaliar a qualidade de vida, identificar as necessidades de cuidados e estimar o progresso e o prognóstico do paciente idoso. Na prática, a funcionalidade é operacionalizada por meio da avaliação das Atividades Básicas de Vida Diária (ABVDs) e das Atividades Instrumentais de Vida Diária (AIVDs). As ABVDs incluem tarefas de autocuidado como tomar banho, vestir-se, ir ao banheiro, transferir-se, controlar esfíncteres e alimentar-se. As AIVDs envolvem tarefas mais complexas necessárias para viver de forma independente na comunidade, como usar o telefone, fazer compras, preparar refeições, realizar tarefas domésticas, lavar a própria roupa, usar transporte, administrar medicamentos e lidar com dinheiro.
A avaliação da funcionalidade é essencial no diagnóstico de demências, pois o comprometimento funcional é um dos critérios que diferenciam o transtorno cognitivo leve (TCL) da demência. No TCL, há limitações cognitivas discerníveis, mas sem déficit aparente nas AIVDs; na demência, o comprometimento cognitivo é grave o suficiente para interromper a função ou a ocupação do indivíduo. Portanto, a funcionalidade não é apenas necessária, mas um componente central do diagnóstico de demência. Além disso, a funcionalidade não se confunde com a capacidade de tomada de decisão, que é um domínio específico avaliado por instrumentos próprios, como a escala de capacidade decisional. A dependência funcional também não é sinônimo de demência: um idoso pode ser dependente devido a condições físicas, como sequelas de acidente vascular cerebral, fraturas ou doenças osteoarticulares, sem apresentar qualquer comprometimento cognitivo.
Existem diversas escalas validadas para a avaliação da funcionalidade, como a escala de Katz (para ABVDs), o Functional Activities Questionnaire (FAQ), o Informant Questionnaire on Cognitive Decline in the Elderly (IQCODE), o Direct Assessment of Functional Status-Revised (DAFS-R), o Disability Assessment for Dementia (DAD), o Activities of Daily Living Questionnaire (ADL-Q), a Bayer Activities of Daily Living Scale (B-ADL) e o AD8 Dementia Screening Interview. O MoCA (Montreal Cognitive Assessment), por sua vez, é uma ferramenta de rastreamento cognitivo, não de funcionalidade, e avalia domínios como memória, atenção, função executiva, linguagem e habilidades visuoespaciais. A banca explora exatamente essa confusão entre instrumentos de avaliação cognitiva e funcional.
A pegadinha central desta questão é a distinção entre os domínios da avaliação geriátrica: funcionalidade (capacidade de autocuidado e vida independente), cognição (funções mentais superiores) e capacidade decisional (aptidão para tomar decisões). O candidato que não domina essa fronteira tende a confundir o MoCA como escala funcional ou a associar dependência diretamente a demência. Guarde o critério: funcionalidade = ABVDs + AIVDs; cognição = testes como MoCA, MEEM, Mini-Cog; capacidade decisional = avaliação específica de discernimento.
Funcionalidade (geriatria): Definição (Capacidade de autocuidado, Cuidar do ambiente onde vive); Operacionalização (ABVDs (autocuidado), AIVDs (vida independente)); Papel no diagnóstico (Diferencia TCL de demência, Não se confunde com capacidade decisional, Dependência ≠ demência); Instrumentos (Funcionalidade: Katz, FAQ, DAD, Cognição: MoCA, MEEM (não avaliam funcionalidade))
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que não é necessária a avaliação de funcionalidade para o diagnóstico de demências. Isso é falso: o comprometimento funcional é um dos critérios diagnósticos de demência, diferenciando-a do transtorno cognitivo leve. A avaliação da funcionalidade é indispensável para estabelecer o impacto do declínio cognitivo na vida do paciente.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que pacientes classificados como dependentes certamente têm o diagnóstico de demência. Isso é uma generalização indevida: a dependência funcional pode ser causada por diversas condições não cognitivas, como doenças osteomusculares, sequelas de AVC, fragilidade, entre outras. A demência é apenas uma das possíveis causas de dependência.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o MoCA (Montreal Cognitive Assessment) é uma escala de avaliação de funcionalidade. O MoCA é um instrumento de rastreio cognitivo, que avalia domínios como memória, atenção, função executiva, linguagem e visuoespacial. As escalas de funcionalidade são outras, como Katz, FAQ, DAD, entre outras.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a funcionalidade é uma forma de determinar a capacidade de tomada de decisão do paciente idoso. A capacidade de tomada de decisão é um domínio distinto, avaliado por instrumentos específicos de capacidade decisional, e não pela avaliação de funcionalidade. Embora a funcionalidade possa influenciar indiretamente, não é seu objetivo determiná-la.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A funcionalidade avalia a capacidade de o idoso cuidar de si mesmo e do ambiente onde vive, englobando as atividades básicas de vida diária (autocuidado) e as atividades instrumentais de vida diária (vida independente na comunidade). Esta é a definição central do conceito de funcionalidade na geriatria.