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Questão de Medicina — Geriatria — Quadrix 2024

MedicinaGeriatria
Código
qg355458
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Medicina Paliativa
A respeito do delirium em idosos, é correto afirmar que
  1. Aa droga de escolha são os benzodiazepínicos, como clonazepam, caso o paciente apresente um delirium com característica hiperativa.
  2. Bé uma forma de diagnóstico de demência, uma vez que apenas idosos demenciados apresentam este tipo de alteração clínica.
  3. Ca primeira medida para a reversão do quadro e para o controle dos sintomas é o uso de medicações como neuroléptico, por exemplo, o haloperidol e quetiapina.
  4. Da desospitalização é uma opção para auxiliar na reversão do quadro, quando descartados os principais fatores desencadeantes.
  5. Eé raro ocorrer em idosos. No entanto, quando ocorre o tratamento, é cirúrgico como a colocação de um marcapasso cerebral para ajudar no processo de controle dos sintomas.
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GabaritoD — a desospitalização é uma opção para auxiliar na reversão do quadro, quando descartados os principais fatores desencadeantes.

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Delirium em Idosos: Manejo e Tratamento

Gabarito: letra D. A alternativa correta afirma que a desospitalização é uma opção para auxiliar na reversão do quadro, quando descartados os principais fatores desencadeantes. Isso está alinhado com a abordagem do delirium, que prioriza o tratamento não farmacológico e a identificação e correção das causas precipitantes, sendo a internação prolongada um fator de risco e não uma medida terapêutica. As demais alternativas apresentam erros conceituais graves sobre a farmacologia, o diagnóstico e a epidemiologia do delirium.

O delirium é uma síndrome neurocognitiva aguda e flutuante, caracterizada por perturbação da atenção e da consciência, com curso que varia de horas a dias. É uma emergência médica comum em idosos, especialmente em contextos de internação hospitalar, e está associada a pior prognóstico, aumento do risco de demência, institucionalização e morte. A incidência é alta: ocorre em 25 a 85% dos pacientes terminais, 46 a 82% dos idosos em UTI, 29 a 64% em unidades clínicas ou geriátricas e 8 a 17% em unidades de emergência. Apesar da gravidade, em pelo menos 50% dos casos é reversível, e em 40% é prevenível, o que o torna um indicador da qualidade do atendimento ao idoso.

O manejo do delirium é dividido em duas frentes principais: o tratamento não farmacológico e o farmacológico. O tratamento não farmacológico é a base da abordagem e inclui medidas ambientais e de suporte, como reorientação do paciente, estímulo cognitivo, restabelecimento do ciclo sono-vigília, redução do uso de psicofármacos, maximização da mobilidade, hidratação e nutrição adequadas, além de atenção a déficits sensoriais (uso de óculos e aparelhos auditivos). A supervisão por familiar e a comunicação clara também são fundamentais. O tratamento farmacológico, por sua vez, deve ser limitado a pacientes muito agitados, com risco para si ou para terceiros, ou com sintomas psicóticos. Os antipsicóticos, como haloperidol, olanzapina e risperidona, são as drogas mais discutidas, mas não há evidência de que reduzam a incidência, gravidade ou mortalidade do delirium; seu uso é apenas para controle sintomático da agitação. Os benzodiazepínicos têm papel limitado e são indicados principalmente quando o precipitante é abstinência alcoólica ou de benzodiazepínicos.

A distinção entre delirium e demência é crucial. O delirium tem instalação abrupta, curso flutuante em 24 horas, atenção reduzida e consciência flutuante (de reduzida a hiperalerta). A demência tem instalação lenta e progressiva, curso estável, atenção sem alterações e consciência normal. Embora idosos com demência possam apresentar episódios de delirium sobreposto, o delirium não é uma forma de demência, nem ocorre apenas em demenciados. A confusão entre esses dois quadros é um erro comum e explorado pela banca. A alternativa E, que menciona tratamento cirúrgico com marcapasso cerebral, é um absurdo sem qualquer fundamento científico, pois o delirium é uma síndrome clínica tratada clinicamente, não cirurgicamente.

A pegadinha central desta questão está na inversão do papel das medidas farmacológicas e não farmacológicas. A banca tenta fazer o candidato acreditar que a primeira medida é o uso de medicações, quando na verdade a prioridade é a identificação e correção dos fatores desencadeantes e a implementação de medidas não farmacológicas. A alternativa D é a única que reflete essa abordagem correta, ao mencionar a desospitalização como opção para auxiliar na reversão do quadro, quando descartados os principais fatores desencadeantes. Isso porque o ambiente hospitalar, com suas interrupções de sono, uso de contenções, sondas e múltiplas medicações, é um fator de risco para o delirium. A desospitalização, quando possível e segura, remove o paciente desse ambiente iatrogênico e contribui para a reversão do quadro.

Delirium em idosos
  • 1Características
    • Síndrome aguda e flutuante
    • Perturbação da atenção e consciência
    • Emergência médica comum
  • 2Diagnóstico diferencial
    • Delirium: instalação abrupta, curso flutuante
    • Demência: instalação lenta, curso estável
  • 3Manejo
    • Não farmacológico (base)
      • Reorientação e estímulo cognitivo
      • Ciclo sono-vigília
      • Mobilidade, hidratação, nutrição
      • Desospitalização
    • Farmacológico (adjuvante)
      • Antipsicóticos (haloperidol, quetiapina)
      • Benzodiazepínicos (só abstinência)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a droga de escolha para delirium hiperativo são os benzodiazepínicos, como o clonazepam. Isso está incorreto. Os benzodiazepínicos têm papel limitado no tratamento da agitação por delirium e são indicados apenas em situações específicas, como abstinência alcoólica ou de benzodiazepínicos. Para o controle da agitação no delirium hiperativo, a classe de escolha são os antipsicóticos, como o haloperidol. A banca inverte a indicação das classes farmacológicas, uma pegadinha clássica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o delirium é uma forma de diagnóstico de demência, ocorrendo apenas em idosos demenciados. Isso é falso. O delirium é uma síndrome distinta da demência, com instalação aguda e curso flutuante, e pode ocorrer em qualquer idoso, mesmo sem demência prévia. Embora idosos com demência tenham maior risco de desenvolver delirium, a presença de demência não é um pré-requisito. A banca confunde os dois quadros, que são diagnósticos diferenciais, não sinônimos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a primeira medida para reversão do quadro e controle dos sintomas é o uso de medicações como neurolépticos (haloperidol e quetiapina). Isso está incorreto. A primeira medida é a identificação e correção dos fatores desencadeantes, além da implementação de medidas não farmacológicas. O tratamento farmacológico é reservado para casos de agitação intensa, com risco para o paciente ou terceiros, e não é a primeira linha de tratamento. A banca coloca o tratamento medicamentoso como prioridade, quando na verdade ele é coadjuvante.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que a desospitalização é uma opção para auxiliar na reversão do quadro, quando descartados os principais fatores desencadeantes. Isso está correto. O ambiente hospitalar é um fator de risco para o delirium, devido a interrupções do sono, uso de contenções, sondas, múltiplas medicações e mudanças frequentes de ambiente. A desospitalização, quando possível, remove o paciente desse ambiente iatrogênico e contribui para a reversão do quadro. Essa medida está alinhada com o tratamento não farmacológico, que é a base do manejo do delirium.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o delirium é raro em idosos e que o tratamento é cirúrgico, como a colocação de um marcapasso cerebral. Isso é um absurdo. O delirium é comum em idosos, especialmente em contextos de internação, e o tratamento é clínico, não cirúrgico. Não existe indicação de marcapasso cerebral para o tratamento do delirium. A banca cria uma alternativa completamente sem fundamento científico, que deve ser eliminada de imediato.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter a hierarquia do tratamento do delirium. Ela faz o candidato acreditar que a primeira medida é farmacológica (alternativa C) ou que os benzodiazepínicos são a droga de escolha (alternativa A). Na verdade, a prioridade é sempre identificar e corrigir a causa desencadeante e implementar medidas não farmacológicas. O tratamento medicamentoso é apenas um adjuvante para o controle da agitação. Fique atento a essa inversão, pois ela é recorrente em provas de geriatria.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar o manejo do delirium, lembre-se do mnemônico ADEPT: Assess (avaliar), Diagnose (diagnosticar), Evaluate (avaliar a agitação), Prevent (prevenir), Treat (tratar). O tratamento não farmacológico é a base, e o farmacológico é apenas para casos selecionados. Na prova, desconfie de alternativas que coloquem a medicação como primeira medida ou que usem benzodiazepínicos como droga de escolha para agitação.

Gabarito: letra D

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