Um paciente do ambulatório de oncologia foi encaminhado em caráter emergencial por quadro de desconforto torácico, dispneia e ansiedade. Ao exame físico, observava‑se fácies ansioso com hipotensão arterial, palidez, pulso paradoxal e estase jugular. A ausculta cardíaca revelou taquicardia com bulhas abafadas.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico do quadro e a neoplasia associada a essa complicação.
Apneumotórax e neoplasia de mama
Bderrame pleural e neoplasia do ceco
Cpneumonia e neoplasia de pulmão
Dmediastinite e leucemia
Etamponamento pericárdico e linfoma
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GabaritoE — tamponamento pericárdico e linfoma
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Gabarito: letra E. O quadro descrito — desconforto torácico, dispneia, hipotensão, pulso paradoxal, estase jugular e bulhas abafadas — é a tríade clássica de tamponamento pericárdico (hipotensão, estase jugular e bulhas hipofonéticas), e a neoplasia mais associada a essa complicação é o linfoma, especialmente o linfoma não Hodgkin. O diagnóstico é eminentemente clínico, confirmado por ecocardiograma, e o tratamento de urgência é a pericardiocentese de alívio.
O tamponamento pericárdico é uma emergência médica que ocorre quando o acúmulo de líquido no espaço pericárdico — o saco que envolve o coração — comprime as câmaras cardíacas, impedindo o enchimento diastólico e reduzindo o débito cardíaco. Essa compressão leva a um quadro de choque obstrutivo, em que o coração não consegue bombear sangue adequadamente, mesmo sem doença intrínseca do músculo cardíaco. A fisiopatologia explica os sinais clínicos: a hipotensão decorre da queda do débito cardíaco; a estase jugular, do aumento da pressão venosa central, pois o sangue não consegue entrar no coração direito; e as bulhas abafadas, da presença de líquido entre o coração e o estetoscópio. O pulso paradoxal — queda da pressão arterial sistólica > 10 mmHg durante a inspiração — é um sinal de alta especificidade, embora não exclusivo, e reflete a acentuação da compressão durante a inspiração.
Em pacientes oncológicos, o tamponamento pericárdico é uma complicação temida, pois pode ser rapidamente fatal. As neoplasias mais frequentemente associadas ao derrame pericárdico maligno são o câncer de pulmão, o câncer de mama, os linfomas e as leucemias. O linfoma, em particular, tem grande potencial de acometer o pericárdio, seja por invasão direta, seja por obstrução linfática, e pode se apresentar justamente com um quadro agudo de tamponamento como primeira manifestação da doença. O mecanismo envolve o acometimento secundário da parede pericárdica pela doença, levando à produção exacerbada e patológica de líquido pericárdico, ou a congestão linfática por comprometimento de linfonodos torácicos.
O diagnóstico diferencial do tamponamento pericárdico inclui outras causas de choque obstrutivo e de dor torácica com dispneia, como o pneumotórax hipertensivo, o tromboembolismo pulmonar maciço e o infarto agudo do miocárdio. No pneumotórax hipertensivo, o exame físico revela ausência de murmúrio vesicular e hipersonoridade à percussão unilateral, com desvio de traqueia — achados ausentes no tamponamento. No tromboembolismo pulmonar, a dispneia é súbita e frequentemente associada a fatores de risco e sinais de trombose venosa profunda. A distinção é crucial, pois o tratamento de cada condição é completamente diferente: enquanto o tamponamento exige pericardiocentese, o pneumotórax hipertensivo exige descompressão torácica imediata.
A banca explora exatamente essa fronteira: o candidato que reconhece a síndrome clínica, mas não associa corretamente a neoplasia, ou que confunde o tamponamento com outras emergências torácicas, erra a questão. O quadro clínico é tão característico que a alternativa correta se destaca — a tríade de Beck (hipotensão, estase jugular e bulhas abafadas) é o achado que fecha o diagnóstico. Guarde essa associação: tamponamento pericárdico + linfoma é uma dupla clássica em emergências oncológicas.
Tamponamento pericárdico
1Tríade de Beck
Hipotensão
Estase jugular
Bulhas abafadas
2Pulso paradoxal
3Choque obstrutivo
4Tratamento de urgência
Pericardiocentese de alívio
5Neoplasias associadas
Linfoma
Pulmão
Mama
Leucemia
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O pneumotórax hipertensivo pode causar hipotensão e estase jugular, mas o exame físico mostraria ausência de murmúrio vesicular e hipersonoridade à percussão no lado afetado, com possível desvio de traqueia — achados não descritos no enunciado. Além disso, as bulhas abafadas e o pulso paradoxal são muito mais característicos de tamponamento pericárdico. A neoplasia de mama pode causar derrame pericárdico, mas o pneumotórax não é a complicação típica associada a ela nesse contexto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O derrame pleural pode causar dispneia, mas não produz a tríade de Beck nem o pulso paradoxal. A estase jugular e a hipotensão com bulhas abafadas apontam para comprometimento cardíaco, não pleural. A neoplasia do ceco (câncer de cólon direito) não é uma causa clássica de derrame pericárdico maligno; os tumores mais associados são pulmão, mama, linfomas e leucemias.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A pneumonia pode causar dispneia, febre e taquicardia, mas não explica a tríade de Beck nem o pulso paradoxal. A hipotensão com estase jugular e bulhas abafadas é incompatível com pneumonia não complicada. Embora a neoplasia de pulmão seja uma causa frequente de derrame pericárdico maligno, o diagnóstico do quadro agudo descrito é tamponamento pericárdico, não pneumonia.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A mediastinite é uma infecção do mediastino, geralmente associada a perfuração esofágica ou cirurgia cardíaca, e não se apresenta com a tríade de Beck. A leucemia pode causar derrame pericárdico, mas o quadro clínico descrito — com pulso paradoxal e bulhas abafadas — é de tamponamento pericárdico, não de mediastinite. A associação mediastinite-leucemia não é uma emergência oncológica clássica.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O quadro clínico é a tríade de Beck: hipotensão, estase jugular e bulhas abafadas, acompanhada de pulso paradoxal — o conjunto é patognomônico de tamponamento pericárdico. O linfoma é uma das neoplasias mais associadas ao derrame pericárdico maligno e ao tamponamento, juntamente com o câncer de pulmão e o de mama. O tratamento de urgência é a pericardiocentese de alívio, e o diagnóstico deve ser suspeitado em todo paciente oncológico com choque hemodinâmico.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o diagnóstico correto por outras emergências torácicas (pneumotórax, derrame pleural, pneumonia) e associa neoplasias que podem causar derrame pericárdico, mas não são as mais clássicas. O candidato que decora apenas "neoplasia de pulmão causa derrame pericárdico" pode cair na alternativa C, esquecendo que o linfoma é igualmente clássico e que o quadro descrito é de tamponamento, não de pneumonia. A tríade de Beck é o gatilho: ao vê-la, pense em tamponamento pericárdico e lembre das neoplasias mais associadas — pulmão, mama, linfoma e leucemia.
Gabarito: letra E — tamponamento pericárdico associado a linfoma.