Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Oncologia — Quadrix 2024

MedicinaOncologia
Código
qg355462
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Medicina Paliativa
Um paciente do ambulatório de oncologia foi encaminhado em caráter emergencial por quadro de desconforto torácico, dispneia e ansiedade. Ao exame físico, observava‑se fácies ansioso com hipotensão arterial, palidez, pulso paradoxal e estase jugular. A ausculta cardíaca revelou taquicardia com bulhas abafadas.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico do quadro e a neoplasia associada a essa complicação.
  1. Apneumotórax e neoplasia de mama
  2. Bderrame pleural e neoplasia do ceco
  3. Cpneumonia e neoplasia de pulmão
  4. Dmediastinite e leucemia
  5. Etamponamento pericárdico e linfoma
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — tamponamento pericárdico e linfoma

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tamponamento pericárdico: emergência oncológica cardiovascular

Gabarito: letra E. O quadro descrito — desconforto torácico, dispneia, hipotensão, pulso paradoxal, estase jugular e bulhas abafadas — é a tríade clássica de tamponamento pericárdico (hipotensão, estase jugular e bulhas hipofonéticas), e a neoplasia mais associada a essa complicação é o linfoma, especialmente o linfoma não Hodgkin. O diagnóstico é eminentemente clínico, confirmado por ecocardiograma, e o tratamento de urgência é a pericardiocentese de alívio.

O tamponamento pericárdico é uma emergência médica que ocorre quando o acúmulo de líquido no espaço pericárdico — o saco que envolve o coração — comprime as câmaras cardíacas, impedindo o enchimento diastólico e reduzindo o débito cardíaco. Essa compressão leva a um quadro de choque obstrutivo, em que o coração não consegue bombear sangue adequadamente, mesmo sem doença intrínseca do músculo cardíaco. A fisiopatologia explica os sinais clínicos: a hipotensão decorre da queda do débito cardíaco; a estase jugular, do aumento da pressão venosa central, pois o sangue não consegue entrar no coração direito; e as bulhas abafadas, da presença de líquido entre o coração e o estetoscópio. O pulso paradoxal — queda da pressão arterial sistólica > 10 mmHg durante a inspiração — é um sinal de alta especificidade, embora não exclusivo, e reflete a acentuação da compressão durante a inspiração.

Em pacientes oncológicos, o tamponamento pericárdico é uma complicação temida, pois pode ser rapidamente fatal. As neoplasias mais frequentemente associadas ao derrame pericárdico maligno são o câncer de pulmão, o câncer de mama, os linfomas e as leucemias. O linfoma, em particular, tem grande potencial de acometer o pericárdio, seja por invasão direta, seja por obstrução linfática, e pode se apresentar justamente com um quadro agudo de tamponamento como primeira manifestação da doença. O mecanismo envolve o acometimento secundário da parede pericárdica pela doença, levando à produção exacerbada e patológica de líquido pericárdico, ou a congestão linfática por comprometimento de linfonodos torácicos.

O diagnóstico diferencial do tamponamento pericárdico inclui outras causas de choque obstrutivo e de dor torácica com dispneia, como o pneumotórax hipertensivo, o tromboembolismo pulmonar maciço e o infarto agudo do miocárdio. No pneumotórax hipertensivo, o exame físico revela ausência de murmúrio vesicular e hipersonoridade à percussão unilateral, com desvio de traqueia — achados ausentes no tamponamento. No tromboembolismo pulmonar, a dispneia é súbita e frequentemente associada a fatores de risco e sinais de trombose venosa profunda. A distinção é crucial, pois o tratamento de cada condição é completamente diferente: enquanto o tamponamento exige pericardiocentese, o pneumotórax hipertensivo exige descompressão torácica imediata.

A banca explora exatamente essa fronteira: o candidato que reconhece a síndrome clínica, mas não associa corretamente a neoplasia, ou que confunde o tamponamento com outras emergências torácicas, erra a questão. O quadro clínico é tão característico que a alternativa correta se destaca — a tríade de Beck (hipotensão, estase jugular e bulhas abafadas) é o achado que fecha o diagnóstico. Guarde essa associação: tamponamento pericárdico + linfoma é uma dupla clássica em emergências oncológicas.

Tamponamento pericárdico
  • 1Tríade de Beck
    • Hipotensão
    • Estase jugular
    • Bulhas abafadas
  • 2Pulso paradoxal
  • 3Choque obstrutivo
  • 4Tratamento de urgência
    • Pericardiocentese de alívio
  • 5Neoplasias associadas
    • Linfoma
    • Pulmão
    • Mama
    • Leucemia
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

O pneumotórax hipertensivo pode causar hipotensão e estase jugular, mas o exame físico mostraria ausência de murmúrio vesicular e hipersonoridade à percussão no lado afetado, com possível desvio de traqueia — achados não descritos no enunciado. Além disso, as bulhas abafadas e o pulso paradoxal são muito mais característicos de tamponamento pericárdico. A neoplasia de mama pode causar derrame pericárdico, mas o pneumotórax não é a complicação típica associada a ela nesse contexto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O derrame pleural pode causar dispneia, mas não produz a tríade de Beck nem o pulso paradoxal. A estase jugular e a hipotensão com bulhas abafadas apontam para comprometimento cardíaco, não pleural. A neoplasia do ceco (câncer de cólon direito) não é uma causa clássica de derrame pericárdico maligno; os tumores mais associados são pulmão, mama, linfomas e leucemias.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A pneumonia pode causar dispneia, febre e taquicardia, mas não explica a tríade de Beck nem o pulso paradoxal. A hipotensão com estase jugular e bulhas abafadas é incompatível com pneumonia não complicada. Embora a neoplasia de pulmão seja uma causa frequente de derrame pericárdico maligno, o diagnóstico do quadro agudo descrito é tamponamento pericárdico, não pneumonia.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A mediastinite é uma infecção do mediastino, geralmente associada a perfuração esofágica ou cirurgia cardíaca, e não se apresenta com a tríade de Beck. A leucemia pode causar derrame pericárdico, mas o quadro clínico descrito — com pulso paradoxal e bulhas abafadas — é de tamponamento pericárdico, não de mediastinite. A associação mediastinite-leucemia não é uma emergência oncológica clássica.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O quadro clínico é a tríade de Beck: hipotensão, estase jugular e bulhas abafadas, acompanhada de pulso paradoxal — o conjunto é patognomônico de tamponamento pericárdico. O linfoma é uma das neoplasias mais associadas ao derrame pericárdico maligno e ao tamponamento, juntamente com o câncer de pulmão e o de mama. O tratamento de urgência é a pericardiocentese de alívio, e o diagnóstico deve ser suspeitado em todo paciente oncológico com choque hemodinâmico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o diagnóstico correto por outras emergências torácicas (pneumotórax, derrame pleural, pneumonia) e associa neoplasias que podem causar derrame pericárdico, mas não são as mais clássicas. O candidato que decora apenas "neoplasia de pulmão causa derrame pericárdico" pode cair na alternativa C, esquecendo que o linfoma é igualmente clássico e que o quadro descrito é de tamponamento, não de pneumonia. A tríade de Beck é o gatilho: ao vê-la, pense em tamponamento pericárdico e lembre das neoplasias mais associadas — pulmão, mama, linfoma e leucemia.

Gabarito: letra E — tamponamento pericárdico associado a linfoma.

Link permanente: /questoes/qg355462