Um paciente de 45 anos de idade com abscesso cervical profundo foi tratado com antibióticos intravenosos e drenagem cirúrgica. Após o procedimento, ele queixou‑se de rigidez no pescoço e de dor à movimentação cervical.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a complicação indicada.
Aosteomielite cervical
Bmediastinite
Cflegmão cervical
Dparalisia do nervo acessório
Etrombose da veia jugular
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — trombose da veia jugular
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Trombose da veia jugular como complicação de abscesso cervical profundo
Gabarito: letra E. A complicação indicada é a trombose da veia jugular, uma consequência direta da extensão do processo infeccioso do abscesso cervical profundo para o sistema venoso adjacente, com o paciente apresentando rigidez e dor à movimentação cervical após o tratamento. Essa complicação, também conhecida como tromboflebite séptica da veia jugular, é uma das mais temidas nesse contexto, pois pode levar à sepse e à embolia pulmonar séptica.
O abscesso cervical profundo é uma coleção purulenta localizada nos espaços profundos do pescoço, como o espaço retrofaríngeo, parafaríngeo ou submandibular. O tratamento padrão envolve antibióticos intravenosos e drenagem cirúrgica. No entanto, a proximidade anatômica desses espaços com estruturas vasculares importantes, como a veia jugular interna, torna a tromboflebite séptica uma complicação relevante. A infecção pode se estender diretamente para a parede da veia, causando inflamação (flebite), lesão endotelial e, consequentemente, a formação de um trombo séptico. Esse trombo pode se propagar, obstruir o fluxo venoso e servir como fonte de embolização séptica para os pulmões.
A apresentação clínica da trombose da veia jugular pode ser variada. O paciente pode queixar-se de dor e rigidez no pescoço, como no caso descrito, além de edema, eritema e uma cordão venoso palpável ao longo do trajeto da veia. Febre persistente, apesar da antibioticoterapia, e sinais de sepse também são comuns. O diagnóstico é confirmado por exames de imagem, sendo a ultrassonografia com Doppler e a tomografia computadorizada com contraste as principais ferramentas. O tratamento envolve a manutenção dos antibióticos, anticoagulação e, em casos selecionados, a ligadura ou excisão cirúrgica da veia.
É fundamental distinguir a trombose da veia jugular de outras complicações que podem ocorrer após a drenagem de um abscesso cervical. A osteomielite cervical, por exemplo, é uma infecção óssea que geralmente se manifesta com dor localizada, febre e, em fases mais avançadas, sinais neurológicos, mas não é a complicação mais imediata e típica após a drenagem. A mediastinite é uma infecção grave do mediastino, que pode ocorrer por extensão direta da infecção cervical, mas apresenta sintomas como dor torácica, dispneia e sepse, sendo uma complicação mais tardia e sistêmica. O flegmão cervical é uma celulite difusa e necrosante dos tecidos profundos do pescoço, que pode ser a causa do abscesso, mas não é uma complicação nova após a drenagem. A paralisia do nervo acessório é uma lesão neurológica que pode ocorrer durante a cirurgia, mas se manifestaria com fraqueza e atrofia do músculo esternocleidomastóideo e do trapézio, não com rigidez e dor cervical.
A banca explora a confusão entre as complicações locais e regionais do abscesso cervical. A rigidez e a dor à movimentação cervical são sintomas inespecíficos, que podem estar presentes em várias condições. No entanto, o contexto de um abscesso cervical profundo tratado, com queixa de rigidez e dor, aponta diretamente para a tromboflebite séptica da veia jugular, uma complicação que afeta o sistema venoso adjacente ao local da infecção. As demais alternativas representam complicações possíveis, mas menos prováveis ou com apresentações clínicas diferentes.
Complicações de abscesso cervical profundo
1Trombose da veia jugular (gabarito)
Extensão da infecção ao sistema venoso
Flebite + lesão endotelial → trombo séptico
Sintomas: rigidez, dor cervical, edema
Risco: sepse e embolia pulmonar séptica
2Osteomielite cervical
Infecção óssea vertebral
Dor localizada, febre, déficits neurológicos
3Mediastinite
Extensão ao mediastino
Dor torácica, dispneia, sepse
4Flegmão cervical
Celulite difusa necrosante
Causa do abscesso, não complicação pós-drenagem
5Paralisia do nervo acessório
Lesão cirúrgica
Fraqueza do esternocleidomastóideo e trapézio
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
A osteomielite cervical é uma infecção do osso vertebral, que pode ocorrer por disseminação hematogênica ou por contiguidade. No entanto, a rigidez e a dor à movimentação cervical, embora possam estar presentes, não são a apresentação mais típica e imediata dessa complicação. A osteomielite geralmente se manifesta com dor localizada à palpação dos processos espinhosos, febre e, em fases avançadas, déficits neurológicos. Além disso, a osteomielite é uma complicação mais rara e tardia, não sendo a principal suspeita no pós-operatório imediato de uma drenagem de abscesso cervical.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A mediastinite é uma infecção grave do mediastino, que pode ocorrer por extensão direta da infecção cervical através dos espaços fasciais. No entanto, a apresentação clínica é diferente, com dor torácica, dispneia, febre alta e sinais de sepse. A rigidez e a dor à movimentação cervical não são os sintomas predominantes. A mediastinite é uma complicação mais tardia e sistêmica, que ocorre quando a infecção se propaga para o tórax, sendo uma emergência cirúrgica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O flegmão cervical é uma celulite difusa e necrosante dos tecidos profundos do pescoço, que pode ser a causa do abscesso ou uma complicação da infecção. No entanto, o flegmão é uma condição que se desenvolve antes ou durante o tratamento, não sendo uma complicação nova após a drenagem cirúrgica. A rigidez e a dor à movimentação cervical podem estar presentes, mas o flegmão é caracterizado por edema, eritema, dor intensa e sinais sistêmicos de infecção, não sendo a complicação mais específica após o procedimento.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A paralisia do nervo acessório é uma lesão neurológica que pode ocorrer durante a cirurgia, devido à proximidade do nervo com os espaços profundos do pescoço. No entanto, a manifestação clínica é diferente, com fraqueza e atrofia do músculo esternocleidomastóideo e do trapézio, resultando em dificuldade para girar a cabeça e elevar o ombro. A rigidez e a dor à movimentação cervical não são os sintomas predominantes da paralisia do nervo acessório, que é uma complicação neurológica, não vascular.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A trombose da veia jugular, também conhecida como tromboflebite séptica da veia jugular, é uma complicação direta da extensão da infecção do abscesso cervical profundo para o sistema venoso adjacente. A inflamação da parede venosa (flebite) e a lesão endotelial causada pela infecção levam à formação de um trombo séptico, que pode obstruir o fluxo venoso e causar dor, rigidez e edema no pescoço. Essa é a complicação mais provável no caso descrito, pois os sintomas são localizados e relacionados ao trajeto da veia jugular, e o contexto de abscesso cervical profundo tratado aumenta a suspeita.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as complicações locais e regionais do abscesso cervical. A rigidez e a dor à movimentação cervical são sintomas inespecíficos, que podem estar presentes em várias condições. No entanto, o contexto de um abscesso cervical profundo tratado, com queixa de rigidez e dor, aponta diretamente para a tromboflebite séptica da veia jugular, uma complicação que afeta o sistema venoso adjacente ao local da infecção. As demais alternativas representam complicações possíveis, mas menos prováveis ou com apresentações clínicas diferentes.