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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — Quadrix 2024

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg355470
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Medicina Paliativa
Recém‑nascido, sexo masculino, idade gestacional 39 semanas, adequado para idade gestacional, filho de mãe com sífilis adquirida durante a gestação. Histórico da genitora: iniciou pré‑natal com 5 semanas de gestação com teste rápido para sífilis positivo e VDRL 1:128, negou sintomas prévios de sífilis, fez tratamento com penicilina G benzatina IM, 1 vez por semana, durante 3 semanas. Após o tratamento fez coletas regulares de VDRL: final do 1º trimestre: 1:32; 2º trimestre: 1:8, 3º trimestre 1:4, parto: 1:8. recém‑nascido com exame físico normal e VDRL de 1:4.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa correta.
  1. ATrata‑se de uma criança exposta à sífilis, sem necessidade imediato de tratamento.
  2. BTrata‑se de uma criança exposta à sífilis, com necessidade de dose única de penicilina G benzatina.
  3. CTrata‑se de uma criança com sífilis congênita, com necessidade de penicilina cristalina por dez dias.
  4. DTrata‑se de uma criança com sífilis congênita, com necessidade de punção lombar e raios X de ossos longos para a definição do tratamento.
  5. ETrata‑se de uma criança com sífilis congênita, com necessidade de punção lombar, raios X de ossos longos e fundoscopia para a definição do tratamento.
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GabaritoA — Trata‑se de uma criança exposta à sífilis, sem necessidade imediato de tratamento.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sífilis Congênita e Criança Exposta à Sífilis

Gabarito: letra A. Trata-se de criança exposta à sífilis, sem necessidade de tratamento imediato, pois a mãe recebeu tratamento adequado (penicilina G benzatina, 3 doses semanais, iniciado antes de 30 dias do parto) e o recém-nascido é assintomático, com VDRL 1:4 (não maior que o materno em 2 diluições). A conduta segue o fluxograma do Ministério da Saúde para manejo de crianças nascidas de mães com sífilis.

A sífilis congênita é a transmissão vertical do Treponema pallidum, da gestante infectada para o concepto, por via transplacentária ou contato com lesão no parto. O risco de transmissão e a gravidade da doença fetal dependem do estágio da sífilis materna e do tratamento realizado. O tratamento adequado da gestante com benzilpenicilina benzatina, iniciado até 30 dias antes do parto, é a medida mais eficaz para prevenir a sífilis congênita. Quando a mãe é tratada adequadamente, o recém-nascido é classificado como exposto à sífilis, e não como portador de sífilis congênita, desde que assintomático e com exames complementares normais.

O manejo da criança exposta à sífilis segue um fluxograma decisório. Primeiro, avalia-se se a mãe foi tratada adequadamente. Se sim, realiza-se o teste não treponêmico (TNT) sérico na mãe e no recém-nascido, simultaneamente. Se o TNT da criança não for pelo menos duas diluições maior que o materno, e o exame físico for normal, a criança é classificada como exposta à sífilis, sem necessidade de tratamento imediato. Nesse caso, o acompanhamento ambulatorial é essencial, com TNT em 1, 3, 6, 12 e 18 meses de idade, para monitorar a queda dos títulos e excluir infecção tardia.

A distinção crucial é entre criança exposta (mãe tratada adequadamente, RN assintomático, TNT não maior que o materno) e criança com sífilis congênita (mãe não tratada ou tratada inadequadamente, ou RN com sinais clínicos, ou TNT maior que o materno em 2 diluições). A banca explora exatamente essa fronteira: o candidato deve identificar que o tratamento materno foi adequado e que o VDRL do RN (1:4) não é maior que o da mãe (1:8), o que o classifica como exposto, e não como doente. A alternativa A é a única que reflete essa classificação correta.

Manejo do RN de mãe com sífilis
  • 1Mãe tratada adequadamente
    • RN assintomático
    • TNT RN não ≥ 2 diluições do materno
    • Criança exposta → sem tratamento imediato
  • 2Mãe não tratada ou tratada inadequadamente
    • Sífilis congênita
    • Tratamento com penicilina cristalina 10 dias
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A mãe recebeu tratamento adequado: penicilina G benzatina, 1x/semana, por 3 semanas, com primeira dose realizada muito antes de 30 dias do parto (iniciou com 5 semanas de gestação). O recém-nascido é assintomático (exame físico normal) e o VDRL de 1:4 não é maior que o materno (1:8) em pelo menos 2 diluições. Portanto, conforme o fluxograma do Ministério da Saúde, trata-se de criança exposta à sífilis, sem necessidade de tratamento imediato. O seguimento ambulatorial com TNT seriado é a conduta correta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A dose única de penicilina G benzatina é indicada para criança exposta à sífilis quando a mãe NÃO foi tratada adequadamente, mas o exame físico, o hemograma, o líquor e o RX de ossos longos são normais, e o TNT do RN é não reagente. No caso, a mãe foi tratada adequadamente, então não se aplica essa conduta. A alternativa confunde os critérios de tratamento da criança exposta com os da criança com sífilis congênita.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A penicilina cristalina por 10 dias é o tratamento para sífilis congênita, não para criança exposta. A criança em questão é classificada como exposta, pois a mãe foi tratada adequadamente e o RN é assintomático. A alternativa erra ao classificar a criança como portadora de sífilis congênita, ignorando o tratamento materno adequado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A punção lombar e o RX de ossos longos são exames indicados para investigar sífilis congênita, não para criança exposta com mãe tratada adequadamente e RN assintomático. A alternativa erra ao classificar a criança como doente e ao indicar exames invasivos desnecessários, que são reservados para os casos em que há suspeita de sífilis congênita.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A fundoscopia não faz parte da avaliação inicial da criança exposta à sífilis ou com sífilis congênita. A alternativa erra ao incluir esse exame e ao classificar a criança como portadora de sífilis congênita, quando na verdade é exposta. A avaliação inicial da criança exposta inclui exame físico, TNT sérico e, se indicado, hemograma, RX de ossos longos e líquor, mas não fundoscopia.

Gabarito: letra A

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