Sarampo: diagnóstico e manejo na infância
Gabarito: letra B. O quadro clínico descrito — febre alta, tosse, coriza, conjuntivite não purulenta, manchas de Koplik e exantema maculopapular que se inicia na face e atinge palmas e plantas — é clássico de sarampo, e a alternativa correta aponta uma de suas complicações mais frequentes em crianças pequenas: a otite média aguda. As demais alternativas trazem afirmações incorretas sobre transmissão, isolamento, tratamento e indicação de imunoglobulina.
O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, causada por um paramixovírus, transmitida por gotículas e aerossóis. O período de incubação é de cerca de 10 a 12 dias, e o pródromo é marcado por febre, tosse, coriza e conjuntivite — o chamado "tríplice C" (coriza, tosse e conjuntivite). As manchas de Koplik, pequenos pontos branco-azulados com halo eritematoso na mucosa oral, são patognomônicas e aparecem 1 a 2 dias antes do exantema. O exantema maculopapular inicia-se na face e atrás das orelhas, espalhando-se caudalmente, e pode atingir palmas e plantas. A transmissão ocorre por contato direto com gotículas ou por via aérea, e a contagiosidade é altíssima — uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para até 90% dos contatos suscetíveis. O isolamento respiratório é recomendado até 4 dias após o início do exantema em imunocompetentes, e por toda a duração da doença em imunocomprometidos. O tratamento é de suporte, não havendo antiviral específico de uso rotineiro; a ribavirina é reservada para casos graves ou imunocomprometidos, e a imunoglobulina é indicada para contatos suscetíveis de alto risco, não para todos os pacientes.
As complicações do sarampo são mais comuns em menores de 5 anos e incluem otite média aguda, pneumonia, laringotraqueobronquite (crupe) e diarreia. A otite média aguda é a complicação bacteriana mais frequente, ocorrendo em cerca de 5% a 10% dos casos, especialmente em lactentes. A pneumonia, viral ou bacteriana secundária, é a complicação mais grave e a principal causa de morte. A encefalite aguda pós-infecciosa é rara, mas grave. A panencefalite esclerosante subaguda é uma complicação tardia, neurodegenerativa, que surge anos após a infecção. A deficiência de vitamina A está associada a maior gravidade, e a suplementação é recomendada pela OMS em áreas com deficiência conhecida.
A prevenção é feita pela vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), com duas doses a partir dos 12 meses. A queda na cobertura vacinal tem levado a surtos em diversos países. O diagnóstico é clínico, mas pode ser confirmado por sorologia (IgM) ou RT-PCR. A notificação é compulsória e imediata.
A pegadinha desta questão está em associar o quadro clínico ao sarampo e, em seguida, distinguir as complicações e condutas corretas. A banca explora o conhecimento sobre a alta contagiosidade, o período de isolamento, a ausência de tratamento antiviral específico de rotina e a indicação seletiva de imunoglobulina. Guarde a tríade clássica (tosse, coriza e conjuntivite) + manchas de Koplik + exantma face→tronco→extremidades: é o padrão que fecha o diagnóstico de sarampo e que separa as alternativas.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A afirmação de que o sarampo possui baixa contagiosidade é falsa. O sarampo é uma das doenças mais contagiosas conhecidas, com taxa de ataque secundário de até 90% entre contatos suscetíveis. A transmissão ocorre por gotículas e aerossóis, e o vírus pode permanecer no ar por até 2 horas. A alta contagiosidade é a razão da necessidade de isolamento e da alta cobertura vacinal.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A otite média aguda é, de fato, uma das complicações mais comuns do sarampo em crianças pequenas, especialmente em lactentes. A disfunção tubária causada pela inflamação das vias aéreas superiores predispõe à infecção bacteriana secundária do ouvido médio. É uma complicação frequente, embora geralmente de bom prognóstico com tratamento antibiótico adequado.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A afirmação de que não há necessidade de isolamento após o surgimento do exantema é incorreta. O paciente com sarampo deve ser isolado por 4 dias após o início do exantema (em imunocompetentes), pois continua eliminando o vírus nesse período. Em imunocomprometidos, o isolamento deve ser mantido por toda a duração da doença. O isolamento é essencial para prevenir a transmissão a contatos suscetíveis.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A ribavirina não é o tratamento padrão para o sarampo. O tratamento é de suporte: hidratação, antitérmicos, suplementação de vitamina A (em áreas com deficiência) e tratamento das complicações bacterianas. A ribavirina é um antiviral que pode ser considerado em casos graves ou em imunocomprometidos, mas não é indicada rotineiramente, e o esquema não é "duas doses" — é um tratamento prolongado, geralmente por via oral ou intravenosa, por vários dias.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A imunoglobulina humana endovenosa não está indicada para todos os pacientes com sarampo. Ela é indicada para contatos suscetíveis de alto risco (imunocomprometidos, gestantes, lactentes < 6 meses) que não foram vacinados, preferencialmente até 6 dias após a exposição, para prevenir ou atenuar a doença. Para pacientes já doentes, a imunoglobulina não é tratamento de rotina.
Gabarito: letra B