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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — Quadrix 2024

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg355471
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Medicina Paliativa
Uma lactente, 11 meses de vida, apresentou quadro de febre alta, tosse, coriza e conjuntivite bilateral há três dias, os pais procuraram o pronto atendimento referindo piora dos sintomas, piora da febre e surgimento de lesões avermelhadas em face. Exame físico com conjuntivite não purulenta bilateral, congestão nasal, coriza, tosse, mucosa oral com leões pequenas brancoazuladas com halo eritematoso, pele com exantema maculopapular difuso, acometendo palma das mãos e planta dos pés.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a hipótese diagnóstica.
  1. AApesar de ser transmitida por contato direto com gotículas infecciosas ou por via aérea, possui baixa contagiosidade.
  2. BUma das complicações mais comuns em crianças pequenas é a otite média aguda.
  3. CNão há necessidade de isolamento após o surgimento do exantema.
  4. DO tratamento é com duas doses ribavirina.
  5. EA imunoglobulina humana endovenosa está indicada para todos pacientes.
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GabaritoB — Uma das complicações mais comuns em crianças pequenas é a otite média aguda.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sarampo: diagnóstico e manejo na infância

Gabarito: letra B. O quadro clínico descrito — febre alta, tosse, coriza, conjuntivite não purulenta, manchas de Koplik e exantema maculopapular que se inicia na face e atinge palmas e plantas — é clássico de sarampo, e a alternativa correta aponta uma de suas complicações mais frequentes em crianças pequenas: a otite média aguda. As demais alternativas trazem afirmações incorretas sobre transmissão, isolamento, tratamento e indicação de imunoglobulina.

O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, causada por um paramixovírus, transmitida por gotículas e aerossóis. O período de incubação é de cerca de 10 a 12 dias, e o pródromo é marcado por febre, tosse, coriza e conjuntivite — o chamado "tríplice C" (coriza, tosse e conjuntivite). As manchas de Koplik, pequenos pontos branco-azulados com halo eritematoso na mucosa oral, são patognomônicas e aparecem 1 a 2 dias antes do exantema. O exantema maculopapular inicia-se na face e atrás das orelhas, espalhando-se caudalmente, e pode atingir palmas e plantas. A transmissão ocorre por contato direto com gotículas ou por via aérea, e a contagiosidade é altíssima — uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para até 90% dos contatos suscetíveis. O isolamento respiratório é recomendado até 4 dias após o início do exantema em imunocompetentes, e por toda a duração da doença em imunocomprometidos. O tratamento é de suporte, não havendo antiviral específico de uso rotineiro; a ribavirina é reservada para casos graves ou imunocomprometidos, e a imunoglobulina é indicada para contatos suscetíveis de alto risco, não para todos os pacientes.

As complicações do sarampo são mais comuns em menores de 5 anos e incluem otite média aguda, pneumonia, laringotraqueobronquite (crupe) e diarreia. A otite média aguda é a complicação bacteriana mais frequente, ocorrendo em cerca de 5% a 10% dos casos, especialmente em lactentes. A pneumonia, viral ou bacteriana secundária, é a complicação mais grave e a principal causa de morte. A encefalite aguda pós-infecciosa é rara, mas grave. A panencefalite esclerosante subaguda é uma complicação tardia, neurodegenerativa, que surge anos após a infecção. A deficiência de vitamina A está associada a maior gravidade, e a suplementação é recomendada pela OMS em áreas com deficiência conhecida.

A prevenção é feita pela vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), com duas doses a partir dos 12 meses. A queda na cobertura vacinal tem levado a surtos em diversos países. O diagnóstico é clínico, mas pode ser confirmado por sorologia (IgM) ou RT-PCR. A notificação é compulsória e imediata.

A pegadinha desta questão está em associar o quadro clínico ao sarampo e, em seguida, distinguir as complicações e condutas corretas. A banca explora o conhecimento sobre a alta contagiosidade, o período de isolamento, a ausência de tratamento antiviral específico de rotina e a indicação seletiva de imunoglobulina. Guarde a tríade clássica (tosse, coriza e conjuntivite) + manchas de Koplik + exantma face→tronco→extremidades: é o padrão que fecha o diagnóstico de sarampo e que separa as alternativas.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A afirmação de que o sarampo possui baixa contagiosidade é falsa. O sarampo é uma das doenças mais contagiosas conhecidas, com taxa de ataque secundário de até 90% entre contatos suscetíveis. A transmissão ocorre por gotículas e aerossóis, e o vírus pode permanecer no ar por até 2 horas. A alta contagiosidade é a razão da necessidade de isolamento e da alta cobertura vacinal.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A otite média aguda é, de fato, uma das complicações mais comuns do sarampo em crianças pequenas, especialmente em lactentes. A disfunção tubária causada pela inflamação das vias aéreas superiores predispõe à infecção bacteriana secundária do ouvido médio. É uma complicação frequente, embora geralmente de bom prognóstico com tratamento antibiótico adequado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmação de que não há necessidade de isolamento após o surgimento do exantema é incorreta. O paciente com sarampo deve ser isolado por 4 dias após o início do exantema (em imunocompetentes), pois continua eliminando o vírus nesse período. Em imunocomprometidos, o isolamento deve ser mantido por toda a duração da doença. O isolamento é essencial para prevenir a transmissão a contatos suscetíveis.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A ribavirina não é o tratamento padrão para o sarampo. O tratamento é de suporte: hidratação, antitérmicos, suplementação de vitamina A (em áreas com deficiência) e tratamento das complicações bacterianas. A ribavirina é um antiviral que pode ser considerado em casos graves ou em imunocomprometidos, mas não é indicada rotineiramente, e o esquema não é "duas doses" — é um tratamento prolongado, geralmente por via oral ou intravenosa, por vários dias.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A imunoglobulina humana endovenosa não está indicada para todos os pacientes com sarampo. Ela é indicada para contatos suscetíveis de alto risco (imunocomprometidos, gestantes, lactentes < 6 meses) que não foram vacinados, preferencialmente até 6 dias após a exposição, para prevenir ou atenuar a doença. Para pacientes já doentes, a imunoglobulina não é tratamento de rotina.

Gabarito: letra B

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