Em relação à analgesia e à sedação em terapia intensiva, assinale a alternativa correta.
AEm paciente incapaz de relatar a intensidade da dor, recomenda‑se manter infusão em dose baixa de opioide.
BFentanil deve ser evitado na presença de insuficiência renal, por produzir metabólitos ativos com eliminação renal.
CNa cirrose hepática, a dexmedetomidina é o sedativo de escolha, quando necessária a sedação por período prolongado.
DA síndrome de infusão do propofol cursa com insuficiência cardíaca, acidose metabólica e hipertrigliceridemia, sendo uma reação idiossincrásica.
EO uso de fentanil deve ser evitado em pacientes com síndrome hepatorrenal devido à sua dependência de metabolização hepática.
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GabaritoC — Na cirrose hepática, a dexmedetomidina é o sedativo de escolha, quando necessária a sedação por período prolongado.
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Analgesia e Sedação em Terapia Intensiva
Gabarito: letra C. Na cirrose hepática, a dexmedetomidina é o sedativo de escolha quando se necessita de sedação por período prolongado, pois não sofre metabolização hepática significativa e não se acumula na disfunção hepática, ao contrário de outros sedativos como o midazolam e o propofol. Essa é uma recomendação consolidada nas diretrizes de sedação em UTI, que priorizam fármacos com perfil farmacocinético previsível em pacientes com insuficiência hepática.
A analgesia e a sedação em terapia intensiva são pilares do cuidado ao paciente crítico, especialmente naqueles sob ventilação mecânica. O objetivo é aliviar a dor, reduzir o estresse e a ansiedade, e melhorar a sincronia com o ventilador, mas sempre com a menor dose eficaz e pelo menor tempo possível, pois a sedação profunda está associada a maior tempo de ventilação mecânica, maior incidência de delirium e maior mortalidade. A estratégia moderna é a "analgosedação": primeiro tratar a dor com analgésicos (opioides, dipirona, paracetamol) e só então, se necessário, adicionar sedativos.
Os principais sedativos utilizados em UTI são o propofol, o midazolam e a dexmedetomidina. O propofol é um sedativo de ação rápida, com meia-vida curta, mas é inotrópico negativo e causa hipotensão; em altas doses e infusões prolongadas pode causar a síndrome da infusão do propofol. O midazolam é um benzodiazepínico com efeito amnésico, mas seu metabólito ativo se acumula em disfunção renal e hepática, prolongando a sedação. A dexmedetomidina é um agonista α2-adrenérgico central, com efeito sedativo e analgésico, sem depressão respiratória, e com metabolização hepática, mas que não se acumula de forma relevante em disfunção hepática, sendo preferida em situações de sedação prolongada, especialmente em pacientes com cirrose.
A escolha do sedativo deve levar em conta a farmacocinética do fármaco, a função dos órgãos de metabolização e excreção, e o objetivo clínico. Em pacientes com cirrose hepática, a metabolização de fármacos que dependem do fígado (como midazolam, propofol e opioides como morfina e fentanil) pode estar prejudicada, levando ao acúmulo e a efeitos prolongados. A dexmedetomidina, embora metabolizada no fígado, tem meia-vida curta e não produz metabólitos ativos, o que a torna uma opção segura e de escolha para sedação prolongada nesses pacientes.
A banca explora a confusão entre os perfis farmacocinéticos dos fármacos: o fentanil, por exemplo, não tem metabólito ativo que se acumule na insuficiência renal, mas seu princípio ativo pode se acumular em disfunção renal grave; já a morfina tem metabólito ativo (morfina-6-glicuronídeo) que se acumula na insuficiência renal. Essas distinções são cruciais para acertar a questão.
Sedativos em UTI: Propofol (Ação rápida, meia-vida curta, Inotrópico negativo, hipotensão, Síndrome da infusão (altas doses)); Midazolam (Efeito amnésico, Metabólito ativo acumula (renal/hepática)); Dexmedetomidina (Agonista α2 central, Sem depressão respiratória, Segura na cirrose (sedação prolongada))
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que, em paciente incapaz de relatar a intensidade da dor, recomenda-se manter infusão em dose baixa de opioide. Isso está incorreto: a recomendação é utilizar escalas comportamentais de dor (como BPS ou CPOT) para avaliar a dor em pacientes incapazes de se comunicar, e tratar a dor de forma adequada, não apenas com dose baixa de opioide. A analgesia deve ser titulada conforme a avaliação, e não mantida em dose baixa fixa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o fentanil deve ser evitado na insuficiência renal por produzir metabólitos ativos com eliminação renal. Isso é falso: o fentanil não possui metabólitos ativos que se acumulam na disfunção renal, ao contrário da morfina. O fentanil é, na verdade, uma opção preferível em pacientes com insuficiência renal, pois seu metabolismo é hepático e não gera metabólitos ativos. A excreção do princípio ativo pode ser reduzida em insuficiência renal grave, mas não há contraindicação absoluta.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que, na cirrose hepática, a dexmedetomidina é o sedativo de escolha quando necessária a sedação por período prolongado. Isso está correto: a dexmedetomidina tem metabolização hepática, mas não produz metabólitos ativos e tem meia-vida curta, o que a torna segura e preferível em pacientes com disfunção hepática, especialmente para sedação prolongada, pois evita o acúmulo e permite despertar rápido.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a síndrome da infusão do propofol cursa com insuficiência cardíaca, acidose metabólica e hipertrigliceridemia, sendo uma reação idiossincrásica. Isso está parcialmente correto, mas o erro está em classificá-la como reação idiossincrásica: a síndrome é dose-dependente e relacionada a altas doses e infusões prolongadas, não uma reação idiossincrásica. Além disso, a síndrome cursa com acidose metabólica, hiperlipidemia, arritmias e parada cardiorrespiratória, mas não tipicamente com insuficiência cardíaca como manifestação inicial.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o fentanil deve ser evitado em pacientes com síndrome hepatorrenal devido à sua dependência de metabolização hepática. Isso é incorreto: o fentanil é metabolizado no fígado, mas não possui metabólitos ativos, e sua metabolização não é tão prejudicada na disfunção hepática a ponto de contraindicar seu uso. Na síndrome hepatorrenal, a preocupação maior é com fármacos que se acumulam na disfunção renal, como a morfina, mas o fentanil é considerado seguro e é frequentemente utilizado.