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Questão de Medicina — Medicina Intensiva — Quadrix 2024

MedicinaMedicina Intensiva
Código
qg355474
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Medicina Paliativa
Em relação à analgesia e à sedação em terapia intensiva, assinale a alternativa correta.
  1. AEm paciente incapaz de relatar a intensidade da dor, recomenda‑se manter infusão em dose baixa de opioide.
  2. BFentanil deve ser evitado na presença de insuficiência renal, por produzir metabólitos ativos com eliminação renal.
  3. CNa cirrose hepática, a dexmedetomidina é o sedativo de escolha, quando necessária a sedação por período prolongado.
  4. DA síndrome de infusão do propofol cursa com insuficiência cardíaca, acidose metabólica e hipertrigliceridemia, sendo uma reação idiossincrásica.
  5. EO uso de fentanil deve ser evitado em pacientes com síndrome hepatorrenal devido à sua dependência de metabolização hepática.
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GabaritoC — Na cirrose hepática, a dexmedetomidina é o sedativo de escolha, quando necessária a sedação por período prolongado.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Analgesia e Sedação em Terapia Intensiva

Gabarito: letra C. Na cirrose hepática, a dexmedetomidina é o sedativo de escolha quando se necessita de sedação por período prolongado, pois não sofre metabolização hepática significativa e não se acumula na disfunção hepática, ao contrário de outros sedativos como o midazolam e o propofol. Essa é uma recomendação consolidada nas diretrizes de sedação em UTI, que priorizam fármacos com perfil farmacocinético previsível em pacientes com insuficiência hepática.

A analgesia e a sedação em terapia intensiva são pilares do cuidado ao paciente crítico, especialmente naqueles sob ventilação mecânica. O objetivo é aliviar a dor, reduzir o estresse e a ansiedade, e melhorar a sincronia com o ventilador, mas sempre com a menor dose eficaz e pelo menor tempo possível, pois a sedação profunda está associada a maior tempo de ventilação mecânica, maior incidência de delirium e maior mortalidade. A estratégia moderna é a "analgosedação": primeiro tratar a dor com analgésicos (opioides, dipirona, paracetamol) e só então, se necessário, adicionar sedativos.

Os principais sedativos utilizados em UTI são o propofol, o midazolam e a dexmedetomidina. O propofol é um sedativo de ação rápida, com meia-vida curta, mas é inotrópico negativo e causa hipotensão; em altas doses e infusões prolongadas pode causar a síndrome da infusão do propofol. O midazolam é um benzodiazepínico com efeito amnésico, mas seu metabólito ativo se acumula em disfunção renal e hepática, prolongando a sedação. A dexmedetomidina é um agonista α2-adrenérgico central, com efeito sedativo e analgésico, sem depressão respiratória, e com metabolização hepática, mas que não se acumula de forma relevante em disfunção hepática, sendo preferida em situações de sedação prolongada, especialmente em pacientes com cirrose.

A escolha do sedativo deve levar em conta a farmacocinética do fármaco, a função dos órgãos de metabolização e excreção, e o objetivo clínico. Em pacientes com cirrose hepática, a metabolização de fármacos que dependem do fígado (como midazolam, propofol e opioides como morfina e fentanil) pode estar prejudicada, levando ao acúmulo e a efeitos prolongados. A dexmedetomidina, embora metabolizada no fígado, tem meia-vida curta e não produz metabólitos ativos, o que a torna uma opção segura e de escolha para sedação prolongada nesses pacientes.

A banca explora a confusão entre os perfis farmacocinéticos dos fármacos: o fentanil, por exemplo, não tem metabólito ativo que se acumule na insuficiência renal, mas seu princípio ativo pode se acumular em disfunção renal grave; já a morfina tem metabólito ativo (morfina-6-glicuronídeo) que se acumula na insuficiência renal. Essas distinções são cruciais para acertar a questão.

1Propofol
Ação rápida, meia-vida curta
Inotrópico negativo, hipotensão
Síndrome da infusão (altas doses)
2Midazolam
Efeito amnésico
Metabólito ativo acumula (renal/hepática)
3Dexmedetomidina
Agonista α2 central
Sem depressão respiratória
Segura na cirrose (sedação prolongada)
Sedativos em UTI
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Sedativos em UTI: Propofol (Ação rápida, meia-vida curta, Inotrópico negativo, hipotensão, Síndrome da infusão (altas doses)); Midazolam (Efeito amnésico, Metabólito ativo acumula (renal/hepática)); Dexmedetomidina (Agonista α2 central, Sem depressão respiratória, Segura na cirrose (sedação prolongada))

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que, em paciente incapaz de relatar a intensidade da dor, recomenda-se manter infusão em dose baixa de opioide. Isso está incorreto: a recomendação é utilizar escalas comportamentais de dor (como BPS ou CPOT) para avaliar a dor em pacientes incapazes de se comunicar, e tratar a dor de forma adequada, não apenas com dose baixa de opioide. A analgesia deve ser titulada conforme a avaliação, e não mantida em dose baixa fixa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o fentanil deve ser evitado na insuficiência renal por produzir metabólitos ativos com eliminação renal. Isso é falso: o fentanil não possui metabólitos ativos que se acumulam na disfunção renal, ao contrário da morfina. O fentanil é, na verdade, uma opção preferível em pacientes com insuficiência renal, pois seu metabolismo é hepático e não gera metabólitos ativos. A excreção do princípio ativo pode ser reduzida em insuficiência renal grave, mas não há contraindicação absoluta.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que, na cirrose hepática, a dexmedetomidina é o sedativo de escolha quando necessária a sedação por período prolongado. Isso está correto: a dexmedetomidina tem metabolização hepática, mas não produz metabólitos ativos e tem meia-vida curta, o que a torna segura e preferível em pacientes com disfunção hepática, especialmente para sedação prolongada, pois evita o acúmulo e permite despertar rápido.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a síndrome da infusão do propofol cursa com insuficiência cardíaca, acidose metabólica e hipertrigliceridemia, sendo uma reação idiossincrásica. Isso está parcialmente correto, mas o erro está em classificá-la como reação idiossincrásica: a síndrome é dose-dependente e relacionada a altas doses e infusões prolongadas, não uma reação idiossincrásica. Além disso, a síndrome cursa com acidose metabólica, hiperlipidemia, arritmias e parada cardiorrespiratória, mas não tipicamente com insuficiência cardíaca como manifestação inicial.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o fentanil deve ser evitado em pacientes com síndrome hepatorrenal devido à sua dependência de metabolização hepática. Isso é incorreto: o fentanil é metabolizado no fígado, mas não possui metabólitos ativos, e sua metabolização não é tão prejudicada na disfunção hepática a ponto de contraindicar seu uso. Na síndrome hepatorrenal, a preocupação maior é com fármacos que se acumulam na disfunção renal, como a morfina, mas o fentanil é considerado seguro e é frequentemente utilizado.

Gabarito: letra C

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