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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — Quadrix 2024

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg355480
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Neonatologia
A cólica do lactente é uma queixa frequente nos consultórios de pediatria e puericultura. Com base nessa informação, assinale a alternativa correta quanto a essa condição clínica.
  1. ANesses casos, está indicado o teste com fórmulas infantis extensamente hidrolisadas para avaliar melhora dos sintomas.
  2. BÉ o sinal clínico mais comum de alergia à proteína do leite de vaca.
  3. CLactentes com esse diagnóstico, geralmente, apresentam ganho de peso inadequado.
  4. DA cólica do lactente tem caráter prolongado, geralmente, acompanhando as crianças até os 8 meses de vida.
  5. EAlgumas cepas específicas de probióticos podem reduzir a duração diária do choro e acelerar a resolução da cólica do lactente.
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GabaritoE — Algumas cepas específicas de probióticos podem reduzir a duração diária do choro e acelerar a resolução da cólica do lactente.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cólica do lactente: diagnóstico e manejo

Gabarito: letra E. A alternativa correta afirma que algumas cepas específicas de probióticos podem reduzir a duração diária do choro e acelerar a resolução da cólica do lactente — isso está alinhado com a evidência científica, que aponta o Lactobacillus reuteri DSM 17938 como opção de tratamento, especialmente em lactentes amamentados. As demais alternativas distorcem aspectos do diagnóstico diferencial, da evolução natural e da conduta, como veremos a seguir.

A cólica do lactente é um distúrbio gastrointestinal funcional, definido classicamente pela "regra dos três": choro que dura mais de 3 horas por dia, por mais de 3 dias na semana, por mais de 3 semanas, em um lactente saudável e bem alimentado. É uma condição benigna e autolimitada, que faz parte do desenvolvimento normal da criança, mas que gera grande ansiedade nos pais e é uma das queixas mais frequentes na puericultura. O diagnóstico é essencialmente clínico e de exclusão: após anamnese detalhada e exame físico rigoroso, afastando-se causas orgânicas de choro (como hérnia, glaucoma congênito, hipertensão intracraniana, entre outras), pode-se presumir o diagnóstico.

O ponto central que a questão explora é a relação entre a cólica do lactente e a alergia à proteína do leite de vaca (APLV). A cólica é um sintoma que pode estar presente na APLV não mediada por IgE, mas, na grande maioria dos casos, é uma manifestação isolada e transitória de um lactente saudável. A distinção é crucial para a conduta: na cólica do lactente como fenômeno fisiológico, não está indicada a restrição de leite de vaca na dieta materna nem a troca por fórmulas especiais. Já na suspeita de APLV, a exclusão das proteínas do leite de vaca da dieta materna (ou o uso de fórmulas extensamente hidrolisadas em não amamentados) pode ser um teste terapêutico, mas sempre com o teste de desencadeamento após duas semanas para confirmar o diagnóstico. A banca explora exatamente essa confusão entre o que é fisiológico e o que é doença.

Outro aspecto importante é a evolução natural: a cólica do lactente costuma iniciar por volta da 2ª a 3ª semana de vida, atingir o pico por volta das 6 semanas e desaparecer gradualmente por volta dos 3 a 4 meses de vida, raramente ultrapassando os 6 meses. O ganho de peso é normalmente adequado, pois o lactente é saudável e se alimenta bem — um ganho de peso inadequado seria um sinal de alerta para outra causa orgânica. O tratamento baseia-se principalmente em orientação e suporte aos pais, reforçando a benignidade e transitoriedade do quadro, além de medidas como revisão dos hábitos alimentares e de sono. Quanto às intervenções farmacológicas, a simeticona e os inibidores de bomba de prótons não se mostraram superiores ao placebo; já o probiótico Lactobacillus reuteri DSM 17938 mostrou redução dos episódios de cólica, sendo indicado principalmente em lactentes amamentados.

Guarde a fronteira entre cólica fisiológica e cólica como manifestação de APLV: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A cólica fisiológica não exige dieta de exclusão nem fórmulas especiais; a APLV exige teste terapêutico com confirmação por desencadeamento. E lembre-se: a cólica é benigna, transitória e não compromete o ganho de peso.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que está indicado o teste com fórmulas extensamente hidrolisadas para avaliar melhora dos sintomas. Isso só se aplica quando há suspeita de alergia à proteína do leite de vaca, não na cólica do lactente como condição fisiológica. Na cólica isolada, não está indicada a introdução de fórmulas lácteas modificadas, hidrolisados de proteína ou aminoácidos. A banca troca a conduta da APLV pela conduta da cólica fisiológica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a cólica é o sinal clínico mais comum de alergia à proteína do leite de vaca. Embora a cólica possa ser uma manifestação de APLV não mediada por IgE, ela não é o sinal mais comum — e, mais importante, na maioria dos casos é um fenômeno fisiológico isolado. A APLV cursa com outros sintomas além da cólica, como regurgitações, diarreia, sangue nas fezes, dermatite, entre outros. A alternativa generaliza e superestima a associação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que lactentes com cólica geralmente apresentam ganho de peso inadequado. É exatamente o oposto: o lactente com cólica é saudável e apresenta ganho de peso adequado. O ganho de peso inadequado seria um sinal de alerta para outra causa orgânica, como alergia alimentar ou doença do refluxo gastroesofágico. A avaliação ponderal é inclusive parte da avaliação clínica para diferenciar cólica fisiológica de doença.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a cólica tem caráter prolongado, geralmente acompanhando as crianças até os 8 meses de vida. A cólica do lactente é transitória e autolimitada: inicia nas primeiras semanas, atinge o pico por volta das 6 semanas e desaparece gradualmente por volta dos 3 a 4 meses, raramente ultrapassando os 6 meses. A alternativa superestima a duração, confundindo com outras condições que podem persistir por mais tempo.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que algumas cepas específicas de probióticos podem reduzir a duração diária do choro e acelerar a resolução da cólica. Isso está correto: o Lactobacillus reuteri DSM 17938 é a cepa com evidência de benefício, mostrando diminuição nos episódios de cólica. É importante destacar que o benefício foi observado principalmente em lactentes amamentados, e que o probiótico é uma alternativa de tratamento, não a primeira linha — que é o suporte e a orientação aos pais.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, desconfie de alternativas que tratam a cólica do lactente como doença. A cólica é um distúrbio funcional benigno e transitório — qualquer alternativa que sugira ganho de peso inadequado, duração prolongada até 8 meses ou necessidade de fórmulas especiais como rotina está errada. A exceção é a suspeita de APLV, que exige teste terapêutico com confirmação. E lembre-se do probiótico: Lactobacillus reuteri DSM 17938, principalmente em amamentados.

Gabarito: letra E

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