Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — Quadrix 2024
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg355481
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Neonatologia
Uma menina de 1 ano e mês de idade, previamente saudável, foi levada ao pronto‑socorro pelos pais após um episódio convulsivo que durou cerca de 3 minutos. Ela estava com febre decorrente de quadro resfriado atual. Os pais negaram histórico de crises convulsivas anteriores. Ao exame físico, ela está alerta e com temperatura de 38,2 oC, sem sinais de irritação meníngea ou outros achados neurológicos anormais.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico e a conduta adequada.
Cconvulsão febril; fornecer orientações sobre cuidados e observação
Dtumor do sistema nervoso centra; solicitar tomografia de crânio
Emeningite viral; iniciar antibioticoterapia
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GabaritoC — convulsão febril; fornecer orientações sobre cuidados e observação
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Convulsão febril na infância: diagnóstico e conduta
Gabarito: letra C. O quadro descrito — menina de 1 ano e 1 mês, previamente hígida, com crise convulsiva breve (3 minutos), generalizada, associada a febre por doença respiratória, sem sinais meníngeos e sem déficits neurológicos — preenche os critérios de convulsão febril simples (CFS). A conduta adequada é orientar os pais e observar, sem exames complementares de rotina, conforme o consenso pediátrico sobre crises febris.
A convulsão febril é o transtorno convulsivo mais comum da infância, afetando 2% a 5% das crianças. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história e no exame físico. Define-se crise febril simples como uma convulsão breve (menos de 15 minutos), generalizada, não recorrente em 24 horas, que ocorre durante doença febril não resultante de infecção aguda do sistema nervoso, em criança de 6 meses a 5 anos, sem déficits neurológicos prévios e sem crises afebris anteriores. A paciente do caso se encaixa perfeitamente: idade dentro da faixa, crise de 3 minutos, febre por resfriado, exame neurológico normal e sem história prévia de convulsão.
A conduta na CFS é conservadora. Não estão recomendados exames laboratoriais de rotina, eletroencefalograma (EEG) nem exames de imagem. A punção lombar só é indicada na presença de sinais meníngeos, em pacientes que usaram antibióticos nos dias que antecederam a crise ou em crianças com menos de 18 meses com sinais de deterioração clínica — nenhuma dessas situações está presente no caso. O tratamento medicamentoso profilático contínuo (fenobarbital, ácido valproico) não é recomendado, pois os efeitos adversos superam os benefícios, dado o prognóstico benigno da condição. A orientação aos pais sobre cuidados durante a crise e observação é a conduta padrão.
É importante distinguir a CFS da crise febril complexa (CFC), que é focal ou generalizada, prolongada (mais de 15 minutos), recorre mais de uma vez em 24 horas ou está associada a anormalidades neurológicas pós-ictais (como paralisia de Todd) ou déficits prévios. Na CFC, a investigação é mais ampla (exames laboratoriais, imagem, EEG, punção lombar) e a internação costuma ser indicada. A distinção entre simples e complexa é o ponto central que a banca explora: a crise do enunciado é curta, generalizada e única, portanto simples.
A pegadinha desta questão está em confundir convulsão febril com meningite ou epilepsia. A ausência de sinais meníngeos (rigidez de nuca, Kernig, Brudzinski) e o estado alerta da criança afastam meningite; a ausência de crises afebris prévias e a associação clara com febre afastam epilepsia. O diagnóstico de tumor do SNC não se sustenta sem sinais focais ou de hipertensão intracraniana. Guarde o critério: crise breve + generalizada + febre + exame neurológico normal + idade 6 meses a 5 anos = CFS → orientação e observação.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O diagnóstico de meningite viral é afastado pela ausência de sinais meníngeos e pelo bom estado geral da criança. A punção liquórica não é indicada em convulsão febril simples sem sinais de alerta. A banca tenta induzir o erro ao associar febre + convulsão a infecção do SNC, mas o exame físico normal é o diferencial.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Epilepsia é caracterizada por crises recorrentes não provocadas; a paciente não tem histórico de crises anteriores e a crise foi claramente desencadeada por febre. O EEG não é recomendado na avaliação de convulsão febril simples, pois não altera a conduta e pode gerar ansiedade desnecessária nos pais.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A paciente preenche todos os critérios de convulsão febril simples: idade entre 6 meses e 5 anos, crise generalizada breve (3 minutos), febre por doença respiratória, exame neurológico normal e sem crises prévias. A conduta é orientar os pais sobre a natureza benigna do evento, os cuidados durante uma nova crise (deitar a criança de lado, proteger a cabeça, não introduzir objetos na boca, cronometrar a duração) e observar, retornando ao serviço se a crise durar mais de 5 minutos ou se houver sinais de alarme. Não há indicação de exames complementares.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Tumor do sistema nervoso central não se manifesta como crise convulsiva isolada associada a febre em criança previamente saudável, sem sinais focais ou de hipertensão intracraniana (cefaleia, vômitos, papiledema). A tomografia de crânio não é indicada na convulsão febril simples.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Meningite bacteriana é afastada pela ausência de sinais meníngeos e pelo estado geral preservado. Iniciar antibioticoterapia sem indicação é conduta inadequada e potencialmente danosa. A convulsão febril simples não requer antibióticos, apenas o tratamento da doença de base (resfriado) com medidas sintomáticas.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a associação febre + convulsão para induzir ao diagnóstico de meningite (alternativas A e E). O candidato deve lembrar que a ausência de sinais meníngeos e o exame neurológico normal são suficientes para afastar infecção do SNC em uma criança com convulsão febril simples. A punção lombar e a antibioticoterapia só entram com indicação precisa — e ela não existe no caso.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, monte um checklist rápido para convulsão febril: idade (6 meses a 5 anos), duração (< 15 min), generalizada, febre, exame neurológico normal, sem crises prévias. Se todos os itens forem positivos, é CFS → orientação e observação. Qualquer item negativo (crise focal, > 15 min, recorrência em 24h, déficit neurológico) transforma em CFC → investigação ampliada.