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Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — Quadrix 2024

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
qg355486
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Neonatologia
As imunodeficiências primárias são um grupo de doenças causadas por defeitos no funcionamento do sistema imunológico, ainda pouco diagnosticadas na prática clínica. A situação em que se deve suspeitar de uma imunodeficiência primária é
  1. Aum episódio prévio de meningite.
  2. Ba ausência de cicatriz vacinal BCG.
  3. Cter tido dois episódios de otite no último ano.
  4. Da diarreia crônica.
  5. Eum episódio prévio ectima.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — a diarreia crônica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Imunodeficiências primárias: sinais de alerta

Gabarito: letra D. A diarreia crônica é um dos sinais de alerta clássicos para suspeita de imunodeficiência primária (IP), pois reflete a vulnerabilidade do trato gastrointestinal a infecções recorrentes ou persistentes, frequentemente por agentes oportunistas. As demais alternativas representam situações que, isoladamente, não configuram critério de suspeição, seja por serem eventos únicos, seja por não atingirem o limiar de recorrência exigido.

As imunodeficiências primárias são um grupo heterogêneo de doenças genéticas que comprometem o desenvolvimento ou a função de um ou mais componentes do sistema imunológico. O defeito pode afetar a imunidade humoral (produção de anticorpos), a imunidade celular (linfócitos T), o sistema fagocitário ou o sistema complemento. A consequência prática é uma suscetibilidade aumentada a infecções, que tendem a ser recorrentes, graves, por agentes incomuns ou refratárias ao tratamento convencional.

O diagnóstico precoce é um desafio, pois muitas manifestações se sobrepõem a infecções comuns na infância. Por isso, foram estabelecidos critérios clínicos que funcionam como "sinais de alerta" — situações que, quando presentes, devem levantar a suspeita e motivar investigação laboratorial. Esses critérios buscam identificar padrões de infecção que fogem do esperado para a idade e para o contexto epidemiológico.

A diarreia crônica é um desses sinais de alerta. Ela pode ser causada por agentes oportunistas como Cryptosporidium, Giardia ou Isospora, que em indivíduos imunocompetentes costumam causar quadros autolimitados, mas em pacientes com IP podem evoluir para quadros persistentes, com má absorção, desnutrição e atraso do crescimento. A persistência do sintoma por semanas ou meses, sem resposta ao tratamento habitual, é o que a torna um marcador de imunodeficiência.

Os demais itens da questão representam armadilhas: um episódio único de meningite, a ausência de cicatriz vacinal BCG, dois episódios de otite em um ano e um episódio de ectima são situações que, isoladamente, não preenchem critérios de suspeição. A banca explora a confusão entre "evento infeccioso" e "padrão de infecções de repetição" — é a recorrência, a gravidade ou a persistência que importam, não a ocorrência isolada.

Guarde o critério decisivo: para suspeitar de IP, a infecção deve ser recorrente (múltiplos episódios), grave (exigindo hospitalização ou tratamento intravenoso), persistente (diarreia crônica, candidíase oral por mais de dois meses) ou por agente oportunista. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Um episódio prévio de meningite, por si só, não é sinal de alerta para imunodeficiência primária. A meningite bacteriana é uma doença grave, mas pode ocorrer em indivíduos imunocompetentes, especialmente em surtos ou em contextos epidemiológicos específicos. Para que a meningite seja um sinal de IP, ela deve ser recorrente (dois ou mais episódios) ou causada por agente incomum. O critério de suspeição é a recorrência, não a ocorrência única.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A ausência de cicatriz vacinal BCG não é, isoladamente, um sinal de alerta para imunodeficiência primária. A ausência de cicatriz pode ocorrer por falha vacinal, técnica inadequada ou mesmo por variação individual na resposta à vacina. Embora a BCG possa causar doença disseminada em pacientes com imunodeficiência combinada grave (SCID), a ausência de cicatriz em si não é um critério de suspeição — o que importa é a ocorrência de complicações pós-vacinais, como BCGite ou doença disseminada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Dois episódios de otite no último ano não configuram sinal de alerta para imunodeficiência primária. A otite média aguda é extremamente comum na infância, e a maioria das crianças apresenta pelo menos um episódio. O critério de suspeição para IP é um número maior de episódios em um período mais curto — por exemplo, oito ou mais otites em um ano — ou a ocorrência de complicações, como mastoidite ou necessidade de drenagem cirúrgica. Dois episódios anuais estão dentro do esperado para a população pediátrica.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A diarreia crônica é um sinal de alerta clássico para imunodeficiência primária. Ela reflete a vulnerabilidade do trato gastrointestinal a infecções persistentes por agentes oportunistas, como Cryptosporidium, Giardia e Isospora, que em pacientes imunocompetentes causam quadros autolimitados, mas em imunodeficientes evoluem para diarreia prolongada, com má absorção, desnutrição e atraso do crescimento. A persistência do sintoma por semanas ou meses, sem resposta ao tratamento habitual, é o que a torna um marcador de IP.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Um episódio prévio de ectima não é, isoladamente, um sinal de alerta para imunodeficiência primária. O ectima é uma infecção cutânea bacteriana, geralmente por Streptococcus pyogenes ou Staphylococcus aureus, que pode ocorrer em indivíduos imunocompetentes, especialmente em condições de higiene precária. Para que uma infecção cutânea seja sinal de IP, ela deve ser recorrente, grave (exigindo internação) ou causada por agente incomum. Um episódio único não preenche o critério.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "evento infeccioso" e "padrão de infecções de repetição". Um episódio de meningite, otite ou ectima é comum na prática clínica e não indica imunodeficiência. O que deve levantar suspeita é a recorrência (múltiplos episódios), a gravidade (hospitalização, tratamento intravenoso) ou a persistência (diarreia crônica, candidíase oral por mais de dois meses). A diarreia crônica é o único item que preenche o critério de persistência.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar os sinais de alerta de imunodeficiência primária, pense em RGP: Recorrência (infecções de repetição), Gravidade (infecções que exigem hospitalização ou tratamento intravenoso) e Persistência (infecções que não resolvem com tratamento habitual). A diarreia crônica se encaixa no critério de persistência, enquanto as demais alternativas são eventos isolados.

Gabarito: letra D.

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