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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — Quadrix 2024

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg355489
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Neonatologia
A icterícia neonatal é um dos eventos mais frequentes da neonatologia, ocorrendo em cerca de 60% dos recém‑nascidos de termo e 80% dos recém‑nascidos pré‑termo nos primeiros sete dias de vida. A elevação nos níveis de bilirrubina indireta pode causar quadro grave de encefalopatia bilirrubínica.Com relação ao manejo e ao diagnóstico de icterícia neonatal, assinale a alternativa correta.
  1. AÉ comum que a icterícia neonatal causada por incompatibilidade Rh se apresente em recém‑nascidos, filhos de uma primeira gestação materna; e devido à gravidade, geralmente sem necessidade fototerapia.
  2. BA dificuldade no aleitamento materno, pode levar ao aumento da circulação êntero‑hepática de bilirrubina, favorecendo o desenvolvimento de icterícia na primeira semana de vida.
  3. CCasos de icterícia nas primeiras 24 horas de vida em recém‑nascidos a termo podem ser seguidos com conduta expectante, sem necessidade de coleta de bilirrubinas prévio à alta, uma vez que nesse grupo o risco de gravidade é menor.
  4. DA icterícia fisiológica geralmente se manifesta nas primeiras 24 horas de vida e tem resolução espontânea sem necessidade de fototerapia.
  5. EA história prévia de irmão com icterícia neonatal tratado com fototerapia não deve ser considerada como fator de risco.
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GabaritoB — A dificuldade no aleitamento materno, pode levar ao aumento da circulação êntero‑hepática de bilirrubina, favorecendo o desenvolvimento de icterícia na primeira semana de vida.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Icterícia neonatal: manejo e diagnóstico

Gabarito: letra B. A dificuldade no aleitamento materno exclusivo é um fator de risco reconhecido para hiperbilirrubinemia importante, pois a baixa ingesta calórica e a desidratação relativa reduzem o trânsito intestinal e aumentam a circulação êntero-hepática da bilirrubina, favorecendo a icterícia na primeira semana de vida. As demais alternativas invertem ou negam fatos consolidados da neonatologia: a icterícia por Rh não é típica da primeira gestação, icterícia nas primeiras 24 horas é sinal de alerta que exige investigação imediata, a icterícia fisiológica não surge nas primeiras 24 horas e irmão com icterícia tratada com fototerapia é fator de risco.

A icterícia neonatal é a manifestação clínica da hiperbilirrubinemia, condição em que os níveis séricos de bilirrubina ultrapassam o limiar para a coloração amarelada da pele e mucosas. No recém-nascido, a bilirrubina que se acumula é predominantemente a indireta (não conjugada), porque as vias enzimáticas de conjugação hepática são imaturas e a produção de bilirrubina está aumentada devido à maior massa eritrocitária e à meia-vida mais curta das hemácias fetais. A preocupação central é a neurotoxicidade: a bilirrubina não conjugada, lipossolúvel, pode atravessar a barreira hematoencefálica e depositar-se nos núcleos da base, causando a encefalopatia bilirrubínica (kernicterus), com sequelas neurológicas permanentes.

A distinção fundamental no manejo é entre a icterícia fisiológica e a patológica. A fisiológica surge após as primeiras 24 horas de vida, tipicamente entre o 2º e o 4º dia no termo, e resolve-se espontaneamente em 1 a 2 semanas, sem necessidade de tratamento específico além de observação e estímulo à amamentação. Já a icterícia que aparece nas primeiras 24 horas de vida é sempre patológica e exige investigação imediata, pois pode indicar doença hemolítica (incompatibilidade Rh, ABO ou antígenos irregulares), infecção ou outras causas graves. A progressão cefalocaudal da icterícia ajuda na estimativa clínica dos níveis de bilirrubina, mas a decisão de tratar com fototerapia ou exsanguinotransfusão baseia-se em valores laboratoriais e na idade pós-natal, conforme tabelas de referência.

A circulação êntero-hepática da bilirrubina é um mecanismo central na icterícia neonatal. A bilirrubina conjugada é excretada na bile e chega ao intestino, onde, pela ação da beta-glucuronidase, pode ser desconjugada e reabsorvida, retornando à circulação. No recém-nascido, esse ciclo é amplificado pela imaturidade intestinal e pela presença de mecônio, rico em bilirrubina. Quando o aleitamento é inadequado — seja por dificuldade de pega, baixa ingesta ou perda de peso excessiva —, o trânsito intestinal diminui, o mecônio permanece mais tempo no intestino e a reabsorção de bilirrubina aumenta, elevando os níveis séricos. Por isso, o apoio ao aleitamento materno é medida preventiva essencial, e a dificuldade de amamentação é listada como fator de risco para hiperbilirrubinemia importante.

A banca explora neste tema a confusão entre os fatores de risco e as características da icterícia fisiológica versus patológica. O candidato que decora apenas que "icterícia é comum e geralmente benigna" pode marcar a alternativa que trata icterícia precoce como benigna ou que desconsidera a história familiar. O critério decisivo é: icterícia nas primeiras 24 horas = sempre patológica, exige coleta de bilirrubinas e investigação; fatores de risco (Rh, ABO, prematuridade, aleitamento inadequado, irmão com fototerapia, descendência asiática, cefalo-hematoma, deficiência de G6PD) devem ser sistematicamente avaliados para decidir conduta e seguimento.

Icterícia neonatal
  • 1Fisiológica
    • Surge após 24h (2º–4º dia)
    • Resolução espontânea
  • 2Patológica
    • Nas primeiras 24h
    • Exige investigação imediata
  • 3Fatores de risco
    • Incompatibilidade Rh/ABO
    • Prematuridade
    • Aleitamento inadequado
    • Irmão com fototerapia
    • Cefalo-hematoma
    • Deficiência de G6PD
  • 4Mecanismo central
    • Circulação êntero-hepática
      • Menor ingesta → menor trânsito
      • Mecônio retido → reabsorção de bilirrubina
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A incompatibilidade Rh é causa de doença hemolítica que, em regra, não ocorre na primeira gestação. A sensibilização materna ao antígeno RhD geralmente acontece em gestações anteriores ou em eventos que promovem passagem de sangue fetal para a circulação materna, de modo que a doença hemolítica do recém-nascido por Rh é mais comum a partir da segunda gestação de mãe Rh negativa com feto Rh positivo. Além disso, a afirmação de que "geralmente sem necessidade de fototerapia" é absurda: a doença hemolítica por Rh costuma ser grave, com hiperbilirrubinemia precoce e progressiva, frequentemente exigindo fototerapia e, em casos severos, exsanguinotransfusão. A alternativa erra duplamente: no timing da apresentação e na gravidade/conduta.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A dificuldade no aleitamento materno exclusivo é fator de risco reconhecido para hiperbilirrubinemia importante. O mecanismo é o aumento da circulação êntero-hepática: com menor ingesta de leite, há menor estímulo ao trânsito intestinal, o mecônio rico em bilirrubina permanece por mais tempo no intestino e a reabsorção da bilirrubina desconjugada aumenta, elevando os níveis séricos. A alternativa está correta ao associar a dificuldade de amamentação ao desenvolvimento de icterícia na primeira semana de vida, exatamente o que a literatura e as diretrizes de prevenção da encefalopatia bilirrubínica recomendam monitorar.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Icterícia nas primeiras 24 horas de vida é sinal de alerta e fator de risco para hiperbilirrubinemia importante, independentemente de o recém-nascido ser a termo. A conduta correta é a investigação imediata com coleta de bilirrubinas (total e frações), tipagem sanguínea e teste de Coombs, além de avaliação clínica cuidadosa — jamais conduta expectante sem coleta prévia à alta. A alternativa inverte completamente a recomendação: o grupo com icterícia precoce é justamente o de maior risco de gravidade, não o de menor.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A icterícia fisiológica não se manifesta nas primeiras 24 horas de vida. Ela surge tipicamente entre o 2º e o 4º dia de vida no recém-nascido a termo (e um pouco mais tarde no pré-termo), com pico por volta do 4º ao 5º dia, e resolve-se espontaneamente em 1 a 2 semanas. Icterícia nas primeiras 24 horas é, por definição, patológica e exige investigação. A alternativa mistura as duas entidades: atribui à fisiológica uma característica que é marcador de patologia.

Alternativa E — ❌ Incorreta

História prévia de irmão com icterícia neonatal tratada com fototerapia é fator de risco explícito para hiperbilirrubinemia importante. A recorrência familiar sugere predisposição genética ou causas recorrentes (como incompatibilidade ABO ou deficiência de G6PD) e deve ser considerada na avaliação de risco do recém-nascido, orientando seguimento mais próximo e coleta de bilirrubinas. A alternativa nega um fator de risco consagrado, o que contraria as diretrizes de manejo.

Gabarito: letra B

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