Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — Quadrix 2024
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg355492
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Neonatologia
Os pais de um recém‑nascido o levaram para uma consulta de rotina em um posto de saúde. Eles ficaram preocupados com um resultado alterado no teste de triagem neonatal. Ao avaliar o exame, o médico notou uma alteração na triagem para hemoglobinopatias. O teste descreve um padrão de hemoglobina FSA.Com base nessa situação hipotética, a orientação adequada para essa situação é
Atranquilizar os pais, já que se trata de um diagnóstico de traço falciforme. Nesse caso, a criança não precisa de condutas especiais e pode continuar seguimento com pediatra.
Bconversar com os pais e explicar que deve ser apenas um erro laboratorial, uma vez que eles têm outros dois filhos com exame normal.
Cconfirmar o diagnóstico de doença falciforme e encaminhar o paciente para o centro de referência para que o paciente inicie, com urgência, o uso de hidroxiureia.
Dpassar orientações genéticas e tranquilizar a família devido ao fato de se tratar apenas de um diagnóstico de traço falciforme.
Etrazer explicações para os pais a respeito do diagnóstico de doença falciforme, iniciar profilaxia antibiótica com penicilina e encaminhar o paciente para o centro de referência para seguir o tratamento.
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GabaritoE — trazer explicações para os pais a respeito do diagnóstico de doença falciforme, iniciar profilaxia antibiótica com penicilina e encaminhar o paciente para o centro de referência para seguir o tratamento.
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Triagem neonatal para hemoglobinopatias: interpretação do padrão FSA
Gabarito: letra E. O padrão FSA na triagem neonatal indica doença falciforme (HbSS), não traço falciforme (que seria FAS). A conduta adequada é explicar o diagnóstico aos pais, iniciar profilaxia antibiótica com penicilina e encaminhar ao centro de referência — exatamente o que a alternativa E descreve. Essa conduta está alinhada ao Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), previsto no art. 10, § 1º, da Lei 8.069/1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), que inclui a doença falciforme entre as doenças rastreadas.
A triagem neonatal para hemoglobinopatias é feita pelo teste do pezinho, que identifica o padrão de hemoglobinas por eletroforese ou cromatografia. No recém-nascido, o padrão normal é FA (predomínio de hemoglobina fetal F e presença de hemoglobina A). O padrão FAS indica traço falciforme (heterozigoto HbAS) — a criança é portadora do gene, mas não tem a doença. Já o padrão FSA indica doença falciforme (homozigoto HbSS) — a criança tem a doença e precisa de acompanhamento especializado desde os primeiros meses de vida.
A distinção entre traço falciforme (FAS) e doença falciforme (FSA) é o ponto central desta questão. No traço falciforme, a criança é assintomática e não necessita de tratamento específico, apenas orientação genética. Na doença falciforme, há risco de complicações graves como anemia hemolítica, crises vaso-oclusivas, infecções e acidente vascular encefálico. Por isso, o manejo inclui profilaxia antibiótica com penicilina (para prevenir infecções por pneumococo, principal causa de morte no primeiro anos de vida), vacinação especial, acompanhamento regular e encaminhamento ao centro de referência.
O PCDT (Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas) da doença falciforme estabelece que a profilaxia com penicilina V é indicada para pacientes com até 5 anos de idade. A hidroxiureia, por sua vez, é reservada para casos específicos, com critérios bem definidos (como HbSS, HbSβ0, HbSβ+ grave, HbSD Punjab, com idade ≥ 9 meses), e não deve ser iniciada de forma "urgente" em todo recém-nascido com doença falciforme — ela é indicada após avaliação especializada e geralmente a partir dos 9 meses de idade.
A banca explora exatamente a confusão entre traço falciforme (FAS) e doença falciforme (FSA). O candidato que não domina essa distinção pode marcar a alternativa A ou D, que tratam o caso como traço falciforme. A alternativa C erra ao indicar hidroxiureia com urgência, sem critérios. A alternativa B erra ao atribuir o resultado a erro laboratorial sem fundamento. A alternativa E é a única que combina o diagnóstico correto (doença falciforme) com as condutas adequadas (profilaxia com penicilina e encaminhamento ao centro de referência).
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o padrão FSA (doença falciforme) por FAS (traço falciforme) nas alternativas A e D. O candidato que confunde a ordem das hemoglobinas cai na armadilha e tranquiliza a família, quando na verdade a criança precisa de tratamento especializado. Lembre-se: na doença falciforme, a hemoglobina S aparece em maior quantidade que a A (FSA); no traço, a A predomina sobre a S (FAS).
Padrão de Hemoglobina
Diagnóstico
Conduta
FA
Normal
Seguimento de rotina
FAS
Traço falciforme (HbAS)
Orientação genética; sem tratamento específico
FSA
Doença falciforme (HbSS)
Explicar diagnóstico; iniciar profilaxia com penicilina; encaminhar ao centro de referência
Padrões de hemoglobina na triagem neonatal: FA (normal) (predomínio de Hb fetal, presença de Hb A); FAS (traço falciforme) (heterozigoto HbAS, assintomático, orientação genética); FSA (doença falciforme) (homozigoto HbSS, profilaxia com penicilina, encaminhar ao centro de referência)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que FSA é traço falciforme e que a criança não precisa de condutas especiais. Erro: FSA é doença falciforme (HbSS), não traço. A criança com doença falciforme precisa de profilaxia antibiótica, vacinação especial e acompanhamento em centro de referência — não pode ser apenas "tranquilizada" e seguida pelo pediatra geral.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Sugere que o resultado é erro laboratorial porque os outros filhos têm exame normal. Erro: não há fundamento para atribuir o resultado a erro laboratorial. A doença falciforme é autossômica recessiva — pais portadores (traço) podem ter filhos com doença, mesmo que outros filhos sejam normais ou portadores. O resultado alterado deve ser investigado e confirmado, não descartado.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Confirma o diagnóstico de doença falciforme, mas indica hidroxiureia com urgência. Erro: a hidroxiureia não é indicada de forma urgente em recém-nascido. O PCDT estabelece critérios específicos (HbSS, HbSβ0, HbSβ+ grave, HbSD Punjab, idade ≥ 9 meses) e ela é iniciada após avaliação especializada, não imediatamente ao diagnóstico. A conduta inicial é profilaxia com penicilina e encaminhamento ao centro de referência.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Dá orientações genéticas e tranquiliza a família por se tratar de traço falciforme. Erro: repete o erro das alternativas A — FSA é doença falciforme, não traço. A família não deve ser tranquilizada; deve receber explicações sobre a doença e a criança deve ser encaminhada para tratamento especializado.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Explica o diagnóstico de doença falciforme, inicia profilaxia antibiótica com penicilina e encaminha ao centro de referência. Correta: é exatamente a conduta preconizada pelo PCDT da doença falciforme. A profilaxia com penicilina V é indicada para pacientes com até 5 anos de idade, e o encaminhamento ao centro de referência garante acompanhamento especializado e tratamento adequado.