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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — Quadrix 2024

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg355495
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Neonatologia
Qual a classe de antimicrobiano a seguir está relacionada a colite pseudomembranosa em crianças?
  1. AQuinolonas
  2. BLincosamidas
  3. CGlicopeptídeos
  4. DAminoglicosídeo
  5. EPenicilinas
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GabaritoB — Lincosamidas

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Colite pseudomembranosa e classes de antimicrobianos

Gabarito: letra B. A classe de antimicrobianos classicamente associada à colite pseudomembranosa é a das lincosamidas, representada principalmente pela clindamicina — antibiótico de amplo espectro que, ao alterar a microbiota intestinal, favorece o supercrescimento de Clostridioides difficile, produtor das toxinas A e B responsáveis pela lesão colônica com formação de pseudomembranas. Embora praticamente todos os antibióticos possam desencadear a doença, a clindamicina é um dos agentes mais comumente implicados, sendo a associação clássica cobrada em provas de Pediatria e Infectologia.

A colite pseudomembranosa é uma forma grave de colite associada ao uso de antibióticos, causada pela toxina do Clostridioides difficile (anteriormente Clostridium difficile). O mecanismo é o seguinte: o antibiótico, ao suprimir a microbiota intestinal autóctone, permite que esporos de C. difficile ingeridos sobrevivam à acidez gástrica, germinem e colonizem o intestino grosso. A bactéria então elabora duas exotoxinas — a toxina A (enterotoxina) e a toxina B (citotoxina) — que rompem as junções celulares e as zônulas de oclusão, provocando extravasamento de líquido e uma resposta inflamatória neutrofílica. Em casos mais graves, essa inflamação evolui com a formação de placas esbranquiçadas aderidas à mucosa, as chamadas pseudomembranas, que dão nome à doença. Os marcadores de gravidade incluem justamente a colite pseudomembranosa, insuficiência renal aguda, leucocitose acentuada, hipotensão e megacólon tóxico.

A pergunta da banca é direta: qual classe de antimicrobiano está relacionada à colite pseudomembranosa em crianças? A resposta exige conhecer o perfil de antibióticos mais frequentemente implicados. O texto de apoio aponta que, embora praticamente todos os antibióticos já tenham sido implicados, os agentes mais comuns são clindamicina (uma lincosamida), cefalosporinas, fluoroquinolonas, ampicilina e amoxicilina. A clindamicina é o exemplo paradigmático — historicamente, foi o primeiro antibiótico reconhecido como causa de colite pseudomembranosa, e por isso a associação "clindamicina → colite pseudomembranosa" é clássica na literatura e em provas.

É importante distinguir a colite pseudomembranosa de outras complicações intestinais associadas a antibióticos. Por exemplo, a infecção por E. coli entero-hemorrágica (EHEC), como a cepa O157:H7, causa colite hemorrágica e pode evoluir com síndrome hemolítico-urêmica (SHU) em crianças — e, nesse caso, a antibioticoterapia pode aumentar o risco de SHU, sendo contraindicada. Já a colite pseudomembranosa é uma complicação do próprio uso de antibióticos, não uma infecção primária que o antibiótico trataria. Essa distinção é crucial: enquanto na EHEC o antibiótico piora o quadro, na colite por C. difficile o antibiótico é o gatilho, e o tratamento envolve suspender o agente causador e usar antibióticos específicos (como vancomicina oral ou metronidazol).

A pegadinha da questão está em oferecer classes de antibióticos que também são usadas em crianças, mas que não têm a associação clássica com colite pseudomembranosa. As quinolonas (fluoroquinolonas) são citadas no texto como um dos agentes comuns, mas a classe "quinolonas" não é a resposta esperada — a banca quer a classe que representa o protótipo, e a clindamicina é uma lincosamida. As penicilinas (ampicilina, amoxicilina) também são implicadas, mas novamente não são a classe clássica. Os glicopeptídeos (vancomicina) e aminoglicosídeos (gentamicina, amicacina) não são causas típicas — na verdade, a vancomicina oral é usada no tratamento da colite pseudomembranosa, o que pode confundir o candidato.

Guarde o critério decisivo: a associação clássica e mais cobrada é clindamicina (lincosamida) → colite pseudomembranosa. É essa a fronteira que separa as alternativas — as demais classes podem até estar implicadas em alguns casos, mas não são o protótipo que a banca espera.

1Causa
Clostridioides difficile
Toxinas A e B
2Gatilho
Antibióticos
Clássico: clindamicina (lincosamida)
Outros: cefalosporinas, quinolonas, penicilinas
3Tratamento
Suspender gatilho
Vancomicina oral
Metronidazol
Colite pseudomembranosa
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Colite pseudomembranosa: Causa (Clostridioides difficile, Toxinas A e B); Gatilho (Antibióticos, Clássico: clindamicina (lincosamida), Outros: cefalosporinas, quinolonas, penicilinas); Tratamento (Suspender gatilho, Vancomicina oral, Metronidazol)

Alternativa A — ❌ Incorreta

As quinolonas (fluoroquinolonas, como ciprofloxacino e levofloxacino) são, de fato, um dos grupos de antibióticos implicados na infecção por C. difficile, conforme o texto de apoio. No entanto, a questão pede a classe relacionada de forma clássica e prototípica, e as quinolonas não são o exemplo paradigmático — esse papel cabe à clindamicina. Além disso, em Pediatria, as quinolonas são evitadas em crianças por risco de lesão de cartilagem de crescimento, o que as torna menos relevantes nesse contexto. A banca oferece essa alternativa para confundir quem lembra que fluoroquinolonas podem causar a doença, mas não é a resposta esperada.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

As lincosamidas, representadas pela clindamicina, são a classe classicamente associada à colite pseudomembranosa. O texto de apoio lista a clindamicina como um dos agentes mais comuns no desenvolvimento da infecção por C. difficile. A clindamicina tem amplo espectro, incluindo anaeróbios, e é muito usada em infecções odontogênicas, de pele e partes moles, e em profilaxia cirúrgica — o que aumenta a exposição e o risco. A associação é tão forte que, historicamente, a colite pseudomembranosa foi descrita como complicação do uso de clindamicina. Em crianças, o mesmo risco se aplica, e a banca explora exatamente esse conhecimento.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Os glicopeptídeos (vancomicina, teicoplanina) não são causa típica de colite pseudomembranosa. Pelo contrário: a vancomicina oral é uma das principais opções de tratamento da infecção por C. difficile, justamente por agir no lúmen intestinal sem absorção sistêmica significativa. A banca pode tentar confundir o candidato que sabe que vancomicina é usada na doença, mas ela é a terapia, não o gatilho. Além disso, glicopeptídeos são mais associados a nefrotoxicidade e ototoxicidade do que a colite.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Os aminoglicosídeos (gentamicina, amicacina, tobramicina) não estão entre os agentes classicamente implicados na colite pseudomembranosa. Eles têm pouca atividade contra anaeróbios e são pouco absorvidos por via oral, sendo usados principalmente por via parenteral para infecções por gram-negativos. Não há associação relevante com C. difficile. A banca inclui essa alternativa como distrator, pois é uma classe comum em Pediatria, mas sem relação com o quadro.

Alternativa E — ❌ Incorreta

As penicilinas (ampicilina, amoxicilina) são citadas no texto de apoio como agentes que podem estar implicados na infecção por C. difficile, mas não são a classe prototípica. A ampicilina e a amoxicilina são antibióticos de amplo espectro que alteram a microbiota, mas a associação clássica e mais cobrada é com a clindamicina. A banca oferece essa alternativa para confundir quem lembra que penicilinas podem causar diarreia, mas a colite pseudomembranosa é mais fortemente ligada às lincosamidas.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "antibióticos que podem causar colite pseudomembranosa" (vários, incluindo quinolonas e penicilinas) e a classe clássica e prototípica (lincosamidas/clindamicina). Além disso, pode confundir com a vancomicina, que é tratamento e não causa. Lembre-se: a pergunta pede a classe relacionada — e a resposta é a clindamicina.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, monte uma tabela mental dos antibióticos mais implicados em colite por C. difficile: clindamicina (lincosamida) — o clássico; cefalosporinas; fluoroquinolonas; ampicilina/amoxicilina. E lembre-se do tratamento: vancomicina oral ou metronidazol. Essa associação cai muito em provas de Pediatria e Infectologia.

Gabarito: letra B — Lincosamidas (clindamicina).

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