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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — Quadrix 2024

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg355508
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Neonatologia
Lactente, 2 meses de vida, sexo masculino, foi levado ao pronto atendimento pelos pais por apresentar evacuações frequentes, com fezes líquidas e, ocasionalmente, com a presença de sangue e muco há cerca de duas semanas, além de desconforto abdominal manifestado por episódios de choro intenso e agitação, especialmente após as mamadas. Está em uso de fórmula láctea convencional. Os pais negaram alterações cutâneas ou respiratórias. Peso atual do paciente está abaixo do esperado para a idade.Com base nessa situação hipotética, o diagnóstico e a conduta são
  1. Aalergia à proteína do leite de vaca IgE mediada; prescrever fórmula de aminoácidos.
  2. Balergia à proteína do leite de vaca IgE mediada; prescrever fórmula extensivamente hidrolisada.
  3. Calergia à proteína do leite de vaca não IgE mediada; prescrever fórmula de aminoácidos.
  4. Dalergia à proteína do leite de vaca não IgE mediada; prescrever fórmula extensivamente hidrolisada.
  5. Eintolerância à lactose; prescrever fórmula extensivamente hidrolisada.
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GabaritoD — alergia à proteína do leite de vaca não IgE mediada; prescrever fórmula extensivamente hidrolisada.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) no Lactente

Gabarito: letra D. O quadro clínico — lactente de 2 meses, em uso de fórmula láctea convencional, com diarreia crônica (2 semanas), sangue e muco nas fezes, desconforto abdominal e déficit ponderal — é compatível com alergia à proteína do leite de vaca (APLV) na forma não IgE mediada, e a conduta inicial é a substituição por fórmula extensivamente hidrolisada. A forma IgE mediada cursa tipicamente com manifestações imediatas (urticária, angioedema, vômitos, anafilaxia), ausentes neste caso; e a intolerância à lactose não cursa com sangue e muco nas fezes nem com déficit ponderal dessa magnitude.

A APLV é a alergia alimentar mais comum na infância, afetando cerca de 2% a 3% dos lactentes. Ela se divide em duas grandes formas, conforme o mecanismo imunológico envolvido: a forma IgE mediada, em que os sintomas surgem de minutos a até 2 horas após a ingestão do leite, e a forma não IgE mediada, em que os sintomas são tardios (horas a dias após a exposição) e predominantemente gastrointestinais. O caso descrito se encaixa perfeitamente na forma não IgE mediada: o lactente apresenta diarreia crônica com sangue e muco, cólicas e choro intenso após as mamadas, sem qualquer manifestação cutânea ou respiratória — o que afasta a forma IgE mediada, que raramente se apresenta sem sintomas imediatos de pele ou vias aéreas.

O diagnóstico da forma não IgE mediada é essencialmente clínico, baseado na história de exposição ao leite de vaca (ou fórmula à base dele), nos sintomas característicos e na exclusão de outras causas. Não há teste laboratorial específico e confiável para essa forma — os testes de IgE específica e os testes cutâneos (prick test) são úteis apenas na forma IgE mediada. O padrão-ouro é o teste terapêutico: retirada da proteína do leite de vaca da dieta com melhora dos sintomas, seguida de desafio oral (reintrodução) com recorrência dos sintomas. No caso, o lactente está em uso de fórmula láctea convencional, o que confirma a exposição ao alérgeno.

A conduta inicial, uma vez firmada a suspeita clínica, é a retirada da proteína do leite de vaca da dieta e a introdução de uma fórmula especial. A fórmula extensivamente hidrolisada é a primeira escolha, pois contém proteínas do leite de vaca quebradas em peptídeos de baixo peso molecular, capazes de reduzir a alergenicidade em cerca de 90% a 95% dos lactentes com APLV não IgE mediada. A fórmula de aminoácidos é reservada para os casos em que há falha terapêutica com a fórmula extensivamente hidrolisada (persistência dos sintomas após 2 a 4 semanas), ou em formas graves, como a enteropatia induzida por proteína alimentar com hipoproteinemia grave, ou na síndrome de enterocolite induzida por proteína alimentar (FPIES) com repercussão hemodinâmica. Portanto, a alternativa D está correta ao associar a forma não IgE mediada à fórmula extensivamente hidrolisada.

A intolerância à lactose, por sua vez, é um distúrbio de digestão de carboidratos, não uma alergia. Ela cursa com diarreia aquosa, distensão abdominal e flatulência, mas não costuma cursar com sangue e muco nas fezes, nem com déficit ponderal importante, e o quadro tende a ser mais agudo e autolimitado. A conduta seria a fórmula sem lactose (ou com baixo teor de lactose), não a extensivamente hidrolisada. A distinção entre APLV e intolerância à lactose é um clássico em pediatria, e a presença de sangue e muco nas fezes é um forte indicativo de processo alérgico/inflamatório, não de má digestão de lactose.

A pegadinha central desta questão está na classificação do mecanismo imunológico e na escolha da fórmula. A banca explora a confusão entre as formas IgE e não IgE mediada, e entre as fórmulas extensivamente hidrolisada e de aminoácidos. O candidato que associa o quadro gastrointestinal crônico à forma IgE mediada (alternativas A e B) erra, pois a forma IgE mediada tem sintomas imediatos e frequentemente cutâneos/respiratórios. O candidato que escolhe a fórmula de aminoácidos como primeira escolha (alternativa C) também erra, pois ela é reservada para falha terapêutica ou formas graves. A alternativa E erra ao diagnosticar intolerância à lactose, ignorando o sangue e muco nas fezes e o déficit ponderal.

Característica

APLV IgE mediada

APLV não IgE mediada

Intolerância à lactose

Mecanismo

Reação alérgica imediata (IgE)

Reação alérgica tardia (celular)

Deficiência de lactase (digestiva)

Tempo de início dos sintomas

Minutos a 2 horas após ingestão

Horas a dias após exposição

Variável, geralmente após ingestão de lactose

Manifestações típicas

Urticária, angioedema, vômitos, sibilância, anafilaxia

Diarreia crônica, sangue e muco nas fezes, cólicas, déficit ponderal

Diarreia aquosa, distensão abdominal, flatulência

Presença de sangue/muco nas fezes

Rara

Frequente

Ausente

Conduta inicial

Fórmula extensivamente hidrolisada (ou de aminoácidos em casos graves)

Fórmula extensivamente hidrolisada

Fórmula sem lactose (ou com baixo teor)

1IgE mediada
Sintomas imediatos (minutos a 2h)
Cutâneos/respiratórios
Conduta: fórmula extensivamente hidrolisada
2Não IgE mediada
Sintomas tardios (horas a dias)
Gastrointestinais: sangue e muco
Conduta: fórmula extensivamente hidrolisada
3Falha terapêutica
Fórmula de aminoácidos
4Intolerância à lactose
Diarreia aquosa
Sem sangue/muco
Conduta: fórmula sem lactose
APLV
LEVELsoulevel.com.br
APLV: IgE mediada (Sintomas imediatos (minutos a 2h), Cutâneos/respiratórios, Conduta: fórmula extensivamente hidrolisada); Não IgE mediada (Sintomas tardios (horas a dias), Gastrointestinais: sangue e muco, Conduta: fórmula extensivamente hidrolisada); Falha terapêutica (Fórmula de aminoácidos); Intolerância à lactose (Diarreia aquosa, Sem sangue/muco, Conduta: fórmula sem lactose)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erra ao classificar como IgE mediada. A forma IgE mediada cursa com sintomas imediatos (minutos a 2 horas) após a ingestão, como urticária, angioedema, vômitos, sibilância e, em casos graves, anafilaxia. O lactente do caso apresenta sintomas crônicos (2 semanas), predominantemente gastrointestinais (diarreia com sangue e muco, cólicas), sem qualquer manifestação cutânea ou respiratória — o que é típico da forma não IgE mediada. Além disso, a fórmula de aminoácidos não é a primeira escolha; ela é reservada para falha da fórmula extensivamente hidrolisada ou formas graves.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erra ao classificar como IgE mediada, pelo mesmo motivo da alternativa A: o quadro é crônico e gastrointestinal, sem sintomas imediatos ou cutâneos/respiratórios. A conduta (fórmula extensivamente hidrolisada) está correta, mas o diagnóstico está errado. A banca troca o mecanismo imunológico para testar o conhecimento das manifestações clínicas de cada forma.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Acerta o diagnóstico (não IgE mediada), mas erra a conduta ao prescrever fórmula de aminoácidos como primeira escolha. A fórmula extensivamente hidrolisada é a primeira linha de tratamento na APLV não IgE mediada, pois é eficaz na grande maioria dos casos e é mais palatável e menos onerosa. A fórmula de aminoácidos é indicada apenas quando há falha terapêutica com a extensivamente hidrolisada (persistência dos sintomas após 2 a 4 semanas) ou em formas graves (enteropatia com hipoproteinemia, FPIES com repercussão hemodinâmica).

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta ao associar o diagnóstico de APLV não IgE mediada à conduta de fórmula extensivamente hidrolisada. O quadro clínico — diarreia crônica com sangue e muco, cólicas, choro após mamadas, déficit ponderal, em lactente de 2 meses em uso de fórmula convencional — é clássico da forma não IgE mediada (enteropatia induzida por proteína alimentar ou proctocolite alérgica). A conduta inicial é a retirada da proteína do leite de vaca e a introdução de fórmula extensivamente hidrolisada, que é eficaz na maioria dos casos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erra ao diagnosticar intolerância à lactose. A intolerância à lactose é um distúrbio de digestão de carboidratos, que cursa com diarreia aquosa, distensão abdominal e flatulência, mas não costuma cursar com sangue e muco nas fezes, nem com déficit ponderal importante. A presença de sangue e muco indica processo inflamatório/alérgico da mucosa intestinal, típico da APLV. Além disso, a conduta para intolerância à lactose seria fórmula sem lactose (ou com baixo teor), não a extensivamente hidrolisada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre as formas IgE mediada e não IgE mediada da APLV, e entre as fórmulas extensivamente hidrolisada e de aminoácidos. Lembre-se: sintomas imediatos (urticária, vômitos, anafilaxia) = IgE mediada; sintomas tardios e gastrointestinais (diarreia crônica, sangue e muco, cólicas) = não IgE mediada. E a fórmula de aminoácidos é reservada para falha da extensivamente hidrolisada, não é a primeira escolha.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, monte um esquema mental: APLV IgE mediada → sintomas imediatos, cutâneos/respiratórios → conduta: fórmula extensivamente hidrolisada (ou de aminoácidos em casos graves). APLV não IgE mediada → sintomas tardios, gastrointestinais (diarreia, sangue, muco, cólicas) → conduta: fórmula extensivamente hidrolisada. Intolerância à lactose → diarreia aquosa, sem sangue/muco → conduta: fórmula sem lactose. A presença de sangue e muco nas fezes é o sinal de alerta que aponta para alergia, não para intolerância.

Gabarito: letra D

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